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A reconstrução da Feira do Rangel (agora vai mesmo?)

A Prefeitura de João Pessoa anunciou a reconstrução do que hoje é a Feira do Rangel. Quando vai sair, eu não sei. Mas que já passou da hora de tomar uma providência, isso é notório.
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Era para eu falar sobre outros aspectos do Viaduto de Água Fria igual eu comentei na semana passada, mas eis que a Feira do Rangel voltou a estar em evidência não pelo que ela é, mas pelo que um dia ela será. Afinal, eu fui pego de surpresa com a notícia de que enfim, existe um projeto de construção de um Mercado Público para o Rangel. As redações dos destaques da semana no site acontecem um dia antes dos posts entrarem no ar. Mas ok, a obra vai levar um ano e é tempo suficiente para contar outros aspectos.

O que seria a reconstrução da feira que existe no lugar, afinal vamos lembrar que a Feira do Rangel já tem mais de 50 anos. E é importante contar melhor essa história para lembrar a cidade de João Pessoa que simplesmente existimos.

Toda essa história acontecia na manhã da quinta-feira passada, a uma quadra de distância de casa: na ocasião, o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, estava com uma comitiva de secretários e vereadores no Mercado Público do Rangel (sim, esse é o nome, digamos, oficial da Feira do Rangel) assinando a autorização de licitação para a construção de um Mercado Público Municipal, onde está o que hoje chamamos de Feira do Rangel. Parece uma feira, é uma feira, mas o que existe hoje naquela área é uma bagunça.

Veja que eu não mencionei a palavra “reforma”. Porque não deve ser uma reforma. Deve ser uma reconstrução, ou seja, a Feira do Rangel que existe hoje deve dar lugar a um equipamento coberto, com praça de alimentação, espaços de convivência e tudo mais. E com direito a um projeto já pronto e mostrado naquela ocasião, bem parecido com um daqueles mercados públicos do futuro que eu mostrei há umas semanas. O projeto em questão está orçado em seis milhões de reais. Isso deixa bem claro que o problema era tão grave que até mesmo a Prefeitura reconheceu que uma reforma por si só não iria resolver. Que seria melhor derrubar tudo e construir um mercado de vergonha.

Mas antes de qualquer coisa, vamos com calma e segurem a empolgação. Não é algo que vai acontecer do dia para a noite.

O atual aspecto da feira pela 2 de Fevereiro. Print do Google Maps.
O atual aspecto da feira pela 2 de Fevereiro.

Vamos lá: o que foi assinado na quinta-feira passada foi a autorização de licitação, que ainda precisa passar por ajustes e todas aquelas burocracias, tanto que o edital dessa licitação com todos os anexos possíveis e imagináveis ainda não foi publicado no Portal da Transparência; quando isso acontecer, é justamente para que população e construtoras tomem conhecimento da licitação, que terá uma data marcada, e quando isso acontecer, vai ter todo aquele processo de seleção de construtora que apresentar a melhor proposta (e nem contei os recursos que podem vir). Depois desse tempo todo, é que essa proposta é homologada e vira um contrato que é assinado, para daí vir uma ordem de serviço autorizando a obra.

Foi cansativo ler tudo isso? Coisas de serviço público. E tudo isso demanda tempo. Pode sair esse ano? Sim. Ano que vem? Deve ter andado alguma coisa.

Mas ainda tenho outras coisas a dizer.

O que importa é que ao menos foi dada uma resposta a um problema que já dura 50 anos e duas listas de desejos. O que hoje a gente chama de Mercado Público do Rangel foi construído em 1970, com construção de um box de carnes anexo em 1978. Era na teoria para ser uma feira livre, tanto que a estrutura original seria o galpão de cereais rodeado por uma área livre integralmente pavimentada com paralelepípedos comuns ao calçamento de ruas. Tanto que isso explica a existência de postes metálicos de iluminação que deixaram de funcionar há mais de 30 anos. Eram seis postes. Três ainda estão lá, enferrujados.

E daí o que eram para ser estruturas temporárias foram sendo substituídas por estruturas construídas pelos próprios permissionários, em corredores estreitos. Só que essas estruturas foram feitas sem padrão, umas de madeira, outras de aço, outras de alvenaria, umas próximas das outras, sem uma cobertura uniforme. E junte a isso o problema do esgoto, já que não existe bem uma rede de esgoto desenvolvida por lá. Sabe-se que a 14 de Julho é saneada. A 2 de Fevereiro, em parte. E essa parte não inclui a frente da Feira do Rangel.

Ainda falando na 14 de Julho, foi para lá que a Feira do Rangel praticamente cresceu. Várias barracas foram se instalando na rua, ocupando as calçadas entre a feira propriamente dita e os supermercados. Nos fins de semana, esse trecho é interditado e tomado pela feira. Ela termina sendo maior do que já é. Sabe-se que os permissionários da feira são 139.

O objetivo deve ser organizar essa bagunça, permitindo que esses permissionários trabalhem em condições dignas, e principalmente resolver gargalos, já que o tráfego nos arredores é intenso nos fins de semana e liberar a 14 de Julho talvez possa ajudar. E é consenso que já passou da hora de resolver esse problema.

Afinal, um mercado nas condições que se encontra hoje não é uma vergonha apenas para o bairro. É para a cidade como um todo que demorou meio século para reconhecer o problema. E que enquanto esse problema não for resolvido de vez, faço questão de lembrar.

Como isso tudo está no início, outros textos como este e episódios do Luneta Sonora vão ajudar a contar esta história para João Pessoa. E é por estar a uma quadra de casa que a história vai seguir sendo contada, da obra e de seus impactos. A reinvenção da feira vai demorar. Até lá, a gente lembra que o projeto existe.

E que o bairro existe. Somos nós por nós mesmos para tentar chamar a atenção.


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