E O PAPELÃO SE REPETE

Em oito aulas termino minha carreira de estudante do 3º ano do Lyceu Paraibano, aspirando a uma vaga na Comunicação Social. Com isso terei necessariamente de refletir o meio em que escolhi fazer carreira. Pelo jeito a reflexão vai continuar enquanto as empresas de comunicação continuarem inseguras e fazendo produtos em busca de visibilidade e não de qualidade.

A TV Record mais uma vez demonstrou essa insegurança. Ela passou o ano de 2009 inteiro tentando minar quem atrapalhava seu “caminho da liderança”, e hoje ela repetiu esse “jornalismo de advocacia” novamente. Não vi a matéria, mas soube, mais uma vez, pelo Twitter. Dessa vez ela atacou a medição de audiência do IBOPE, por conta de panes que atrapalharam a medição de audiência no domingo passado, dia em que exibia o reality show A Fazenda, carro-chefe de sua programação.

De novo tentou fazer jogo de cena em cima de outro jogo de cena, para tentar passar uma credibilidade que perdeu ao longo do tempo por causa justamente de seu “caminho da liderança”; sua preocupação em ser tão somente líder de audiência. Eu moro em João Pessoa, na Paraíba, e em nenhum momento os números do Ibope refletem a realidade do país como conjunto, uma vez que eles só medem (se é que realmente medem) os números de audiência da Grande São Paulo. As necessidades de comunicação da Grande São Paulo são muito diferentes de uma cidade como João Pessoa (ou Natal, Recife ou Fortaleza), como são diferentes das necessidades das cidades do Sul ou Centro-Oeste.

A medição do IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) é uma coisa bem complicada, e até mesmo suspeita, sim, mas se ela for favorável a TV Record, ela iria ter essa mesma opinião do Ibope? Ela própria se favoreceu dessa mesma medição em vários momentos, principalmente na primeira edição de seu programa carro-chefe. É sabido que esse tipo de programa apresenta desgaste muito imediato, mas a emissora quer por que quer que seu programa faça sucesso mesmo que de maneira artificial, uma vez que números são apenas números. E nada mais.

Essa preocupação com a audiência compromete e muito a qualidade de programação da televisão brasileira enquanto conjunto, que sempre acaba em segundo plano. Pensar mais em ideias do que em números é o que verdadeiramente faz a diferença.

E assim a “caça às bruxas” da TV Record contra órgãos de mídia tão poderosos quanto ela continua. Mas será a TV Record tão diferente assim da concorrente TV Globo? Não vejo maiores diferenças, apenas, como bem disse, uma simples troca de um monopólio por outro.

E mais uma vez a comunicação sai perdendo. É a mídia contra a mídia.

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