(re)conectar: o reencontro com o mundo lá fora

Quando o ano termina, você fica todo cheio de expectativas de que o ano que começa será diferente. Aí o ano chega, tudo parece caminhar tão bem até que… Pá! O mundo parou. E não foi pela invasão de um grande Godzilla. Parou por causa de um vírus que ninguém vê, mas que causa um estrago quando todos nós, humanos, estamos em contato. Deixamos de olhar para o mundo lá fora. Tivemos que parar, repensar, criar novas rotinas, entender que aquele mundo que deixamos lá atrás já era. Criamos conexões consigo mesmos. Com as nossas famílias. Tempo de (re)conectar.

Tanto tempo depois, posso sair de casa. E voltar a me reencontrar com o mundo lá fora, sabendo que daqui para frente, tudo será e está diferente. E tanto tempo depois, como será encarar tudo aquilo que deixei pra trás e lá fora? Ah, as perguntas que só eu posso encontrar as respostas… Talvez eu precise reaprender, certo de que preciso voltar a encarar, porque uma hora isso ia acontecer. E para mim, essa hora chegou.

Sim. Porque (re)conectar – e escrito assim?

Ao mesmo tempo que a gente cria novas conexões com o mundo, nos conectamos com o mundo que está aqui, dentro da nossa casa, do nosso canto que nem sempre temos tempo para aproveitar às vezes. Conectamos com família, amigos, e aprendemos que a distância física não é uma barreira. Não nos torna distantes. Criamos e recriamos muito.

Vista dos arranha-céus. Entendendo o sentido de (re)conectar.
Mundo lá fora, como vou te encontrar? Photo by Johannes Plenio on Pexels.com

Olho aqui para dentro. Da “pequena revolução” quando eu quis me dedicar a escrever. A criar meios de informar, porque eu não queria só vender, não levava jeito para isso! Fiz e não me arrependi. Hoje sou feliz com o que escolhi. E o que eu escolhi me realiza. Olhei para essa humilde página que quis tornar um laboratório para as minhas invencionices. E daqui saí, sem sair daqui, espalhando cada pequeno aprendizado.

Eu não tenho tanta paciência para parar para aprender. Gosto de ir praticando, e se eu parar, é porque estou observando com calma, com silêncio, da minha maneira, o que faz jus de me definir como mente criativa – e inquieta. A prática é a minha escola e o movimento o meu combustível. Mas por mim e pelo próximo precisei passar meses aqui dentro. Mas não desanimei.

Daqui parto para o novo

Mas volto e quero ficar sempre aqui. Esse momento me reconectou com o meu mundo, o meu universo, tudo o que eu tenho tá aqui nesse pedaço de terra no meio da capital paraibana. Como um planeta que dá voltas no meio do Sol, posso dar todas as voltas do mundo, mas é aqui, no centro do meu Sistema Solar, que eu me conecto e reconecto.

Mundo lá fora, como vou te encontrar? Talvez bem diferente, muito diferente do mundo que eu deixei. Mas nunca vou deixar de ser o que sou e sempre fui.

A minha identidade, o meu jeito de ser, o que eu sou estão aqui. E se eu tiro uma lição de todo esse período, é de valorizar o canto que você está, a família que você tem. Quantos dias não pensei na possibilidade de qualquer um, até eu mesmo, cair nessa enfermidade? Da preocupação com a minha mãe? Do cuidado que a gente tem? Medo é uma coisa genérica. É a surpresa. Que vem como uma onda. E a gente precisa parar a onda de alguma maneira.

Depois de tanto tempo, volto a me reconectar com o mundo lá fora. Mas sei que preciso ter cuidado, porque a pandemia ainda não acabou. E sei que por causa disso, daqui para frente, tudo está e será diferente. Se em um momento todo esse tempo que fiquei aqui sem colocar o pé para fora não terá valido de nada para não ficar doente, valeu a pena por cada história que eu vou contar para as próximas gerações e que aqui ficará eternizada.

O que quero contar é que eu passei pela maior pandemia do século XXI ileso, com saúde e com história para contar. Direto do meu Sistema Solar, em tempo de reconectar.

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