Oitenta e tantos dias

Sei quando comecei, mas não sei como vou terminar. Assim é com esse e outros textos que eu escrevo. Se eu consigo desenrolar uma ideia em pouco tempo, tá no ar. Senão, fica acumulado até eu terminar uma hora. Mas vou acumulando. Se comecei, parei para dormir. Só isso. Assim tô plenamente adaptado para sobreviver mais do que oitenta dias aqui dentro.

Lá se vão oitenta e tantos dias de quarentena e de uma experiência que a vida me ensinou praticamente sem querer querendo, como diria o filósofo Chaves do Oito. Do costume de tentar mudar o mundo daqui de dentro de casa, das tantas experiências que você vai acumulando. O que eu fiz me sustenta e é assim que preciso sobreviver.

Quando penso em rever o mundo? Deixem que eu tome essa decisão por mim, do que é melhor para mim e do que será mais seguro para mim. Uma hora eu vou lá fora. Deixem só eu sentir que posso sair em segurança, com a certeza de que não vou trazer visitantes indesejados – e invisíveis – para casa.

Fisicamente, podem me derrubar. E não vou permitir jamais. Estarei mais forte depois disso tudo. E com todos os cuidados possíveis para pensar em como essa nova rotina será. Ou se já é.

Se já é, tô pronto. O que são oitenta e tantos dias perto do que está longe e longe do que está perto? E por quantos desafios não atravessei na vida? Esse é só mais um, e sempre haverá um desafio maior do que o outro na vida.

O que eu sei é que nada será como antes. E eu já sinto isso. Por mais que muitos neguem e forcem, nada será como antes. E é por isso que precisamos nos adaptar. E se adaptar não tira pedaço.

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