INTERPRETANDO O MUNDO À SUA VOLTA

Escolhas são difíceis, é verdade. Mas em todas elas sempre há um lado divertido e onde você pode aproveitar para descontrair. Isso é um pouco da minha vida como estudante de publicidade. E nada pode ser melhor do que aproveitar o conhecimento para lançar-se à novas aventuras.

bem-vindo a meu universo

Como muitos devem ter percebido durante minhas atividades no Facebook, o que mais gosto de compartilhar são ideias realmente criativas. Quanto o máximo puder fugir dos clichês da rede melhor. E quanto o máximo puder se diferenciar (ou lançar tendências) também. Nunca fui da turma do curta ou compartilhe “se você já fez isso ou aquilo”, nem daqueles que acha engraçada uma piada sem graça ou uma situação amplamente cotidiana. Fui daqueles que desde que comprei o primeiro computador queria fazer coisas diferentes. Fugir do convencional, porquê não?

0233 quebrado na integraçãoE uma dessas maneiras de fugir do convencional foi iniciar a criação de fotoartes: nelas lanço fontes e cores em molduras e margens de fotos já existentes. Fazer o que muita gente faz, só que com um pouco mais de variedade e cor, de modo que a mensagem passada consiga traduzir a imagem. E essa mensagem muitas vezes é bem pensada. Basta olhar a imagem e pensar no que você pensa quando a vê.

O que quero dar é um sentido e uma conotação à imagem que talvez poucas pessoas descubram que está nela. Ora são usadas fotos que eu mesmo tiro usando uma câmera de celular (o que já realça a própria informalidade da arte), ora imagens que meus amigos me cedem (com os devidos créditos dados).

De tudo o que já fiz até aqui nesses 4 anos do Blog Josivandro Avelar, a fotoarte foi a melhor forma que arrumei para transformar pensamentos, sentimentos e outras coisas mais em arte. Arte com identidade.

E é uma forma criativa e original de fazer com que as pessoas vejam a vida com bom humor e reflexão, interpretar o mundo à sua volta de uma forma menos antipática e mais leve, e porque não, dar umas boas risadas?

Como nasceram as fotoartes

A ideia de desenvolver fotoartes surgiu de um acaso; o de reproduzir as fotos que eu tirava na câmera de meu celular de um modo bem particular, já que as minhas fotos não eram nada atraentes (a câmera de meu celular tem só 0,3 MP). Nisso comecei a associar cores, tipologias, imagem e redação publicitária (sou estudante do sétimo período de Publicidade e Propaganda do IESP) e percebi que a “brincadeira” poderia dar certo nas redes sociais. Assim comecei a postar essas fotoartes inicialmente em grupos; depois outras publicamente no perfil pessoal.

Foram desenvolvidas cerca de 120 imagens combinando fotos, textos e margens. Com o tempo fui baixando novas fontes, ampliando o horizonte das fotografias. Passei também a utilizar fotografias de outros autores, dando o devido crédito a elas.

Foi assim que transformando de vez o que se passa na minha cabeça, da viagem na maionese até a impressão das paisagens do caminho de casa para o estudo, fiz mais uma pequena revolução. Se o que eu fiz nesse tempo todo até aqui foi uma loucura, foi uma loucura saudável a qual você pode se permitir ter.

no que você está pensando

certas coisas não mudam

A mensagem das fotoartes

A fotoarte pode passar diversas mensagens. Uma crítica social…

77 minutos

…ou uma mensagem positiva.

Tudo com um bom toque de bom humor. Um humor sem a intenção de ser. Uma maneira de ler as imagens sem parecer óbvio ou invasivo demais. Essas impressões aparecem muito rápido na forma de um texto bem articulado. Levo tempo para compor as frases de modo que os textos sejam bem amigáveis e compreensíveis. A própria noção de redação publicitária já ajuda muito.

Do reflexo de olhar para a natureza até olhar para a cidade e seus problemas, transformamos tudo em uma boa razão para dizer: quero me expressar de um modo que as pessoas discutam sobre isso sem que esta pareça ser uma mera imagem perdida ao meio de tantas que aparecem na timeline dos meus amigos, nem que as próprias palavras descritas nelas pareçam vazias e não ajudem a interpretar a imagem que nela contém. Fazer refletir de uma forma racional sem ser reacionário demais. E dar um pouco mais de cor, por que não?

   

   

#chegajorge: a experiência bem sucedida

Um case de sucesso que pode ser citado entre todas as fotoartes é o de “Chega Jorge”, a mais compartilhada até aqui. Essa talvez seja a única fotoarte que usa o mote da novela das 21 horas da TV Globo como uma forma de chamar a atenção sobre os problemas da mobilidade urbana da cidade. E diga-se de passagem, melhor assim do que fazer imagens criticando a novela por razões muitas vezes infundadas (e olha que nem novela eu assisto).

Dentre essas 120 imagens, a que mais fez sucesso indiscutivelmente foi “Chega Jorge”. A imagem foi desenvolvida no dia 24 de outubro, no terceiro dia de exibição da novela Salve Jorge. Achei que daria certo desenvolver um conceito por cima da sinopse da novela, comparando-a com os guerreiros da cidade que enfrentam os ônibus da São Jorge todos os dias. Postei despretensiosamente a imagem e me surpreendi com o impacto que ela atingiu. Atualmente 891 pessoas compartilharam essa imagem até aqui.

A fotoarte “Chega Jorge” foi criada em menos de 30 minutos, pois envolvia dois blocos de texto e realce em fotografia, que deveria estar numa cor aproximada das margens dos textos. A ideia era satirizar e transformar na novela o que enfrentam os passageiros da Viação São Jorge.

A sinopse da novela “Salve Jorge”, da TV Globo, relata sobre “guerreiros que enfrentam um dragão por dia”; a história da novela era sobre essas pessoas, e não sobre o São Jorge nascido na Capadócia, na Turquia, embora tudo na novela leve a associar. E não associar a sinopse ao que enfrentam diariamente os passageiros do transporte coletivo de João Pessoa, em especial os da Viação São Jorge, era quase que impossível. Tanto que resolvi criar essa fotoarte.

Se os guerreiros da novela enfrentam um dragão por dia, os guerreiros de João Pessoa enfrentam dois. Os ônibus da empresa que demoram e nunca chegam na hora. Eles pedem para Jorge chegar. Daí a associação: “Chega Jorge” é um pedido dos passageiros que seu ônibus não atrase. Só isso (e houve quem visse algo que nada tinha a ver com o tema da arte).

A cidade encampou o protesto e se identificou com a imagem de tal forma que a mesma chegou a ter um alcance até então inimaginável (e surpreendente até para mim). Se alguém tem dúvidas de que o serviço de transporte público de João Pessoa não está satisfatório, o resultado atual de compartilhamentos da imagem traz exatamente essa ideia da amplitude das reclamações. Tanto é que #chegajorge virou meme. O meu primeiro meme.

meu primeiro meme

Houve até um caso dela ser confundida com manifestação ao Jorge da Capadócia. Minha imagem foi denunciada por esse motivo! E tive que esclarecer a pessoa que fez isso que o contexto da imagem não era esse. Mandei até a foto original da arte para mostrar o que é que tinha atrás do logotipo do “Chega Jorge”.

É muito difícil trabalhar com a linha humorística e essa sátira foi uma das que mais funcionou, e não sei como ela funcionou tão bem até hoje.

All type: O que as imagens não descrevem

Opiniões, pensamentos e sentimentos são coisas completamente abstratas. Descrever isso numa imagem é algo quase impossível. Por isso resolvi elaborar uma categoria específica para incluir as artes que não acompanham uma imagem de auxílio: all type arts. Elas já eram usadas no blog nos formatos de frases aleatórias ou num “uma frase ilustrada”. Agora elas tornaram-se uma categoria mais independente.

E que vai mais além das frases, usando desde tipologias estilo handwriting (escritas à mão)…

…Até mesmo o meme “Keep Calm”, que é muito versátil para qualquer coisa. Manter a calma é fundamental.

       

O segredo do sucesso das fotoartes

É simples: é um cidadão pessoense falando como um cidadão pessoense para vários cidadãos pessoenses. Ou fora da cidade. Um modo de expressar diferente e interessante que vai além do que as pessoas compartilham e curtem frequentemente nas redes sociais. Muita coisa surge na hora. Elaboro o texto no momento em que vejo a imagem. Em outros casos eu paro para pensar como é que eu vou atingir o público com a imagem que quero exibir.

A maioria é relacionada a mobilidade urbana, mas já fiz outras artes relacionadas a coisas de casa, fora dela, notícias, etc. Tudo pode ser motivo para se tornar uma fotoarte. Uma dessas fotoartes que fez sucesso fora do contexto de mobilidade foi a série do barril.

Mais recentemente, inventei de jogar no barril (baseado no print do episódio “Vamos às Cataratas, do desenho do Pica-Pau) algumas coisas que falharam. Tipo as companhias telefônicas e a Cagepa (que é a Companhia de Água e Esgoto da Paraíba). E quem mais vai para o barril? É o que volta e meia me perguntam.

Essas e outras formas de expressão de arte são formas de demonstrar, instigar, expressar o que talvez você queira também expressar. Afinal pensamentos, sentimentos e outras coisas tão particulares do ser humano sempre tem algumas coisas em comum com outros seres humanos. Os problemas e acasos que acontecem comigo, com os quais outras pessoas também acabam se identificando.

Vim de um ano muito produtivo. Se somam as fotoartes as criações aleatórias em all type (modalidade em que os cartazes são compostos apenas por texto) e os vídeos que ajudei a produzir na disciplina de TV I que aprimoraram ainda mais a minha experiência e instigaram-me a buscar ainda mais a buscar novidades e ideias, na certeza de que nunca estive tão empenhado em construir a carreira que queria seguir.

Se uma hora quero ajudar as pessoas a refletirem sobre o assunto de cada fotoarte ou all type, outra hora quero entreter. Informar. Levar arte e porque não, uma boa ideia.

E para ver as artes já publicadas aqui, basta acessar os links:

E se você quiser sugerir alguma arte ou enviar uma imagem que você queira ver transformada em fotoarte, envie seus pedidos para [email protected] ou para a página de contato do blog.

Caso envie foto, não se esqueça de informar o autor da imagem. Sua ideia pode vir parar aqui no blog e nas redes sociais.

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