CARTÃO DE VISITA: 201-CEASA

O texto a seguir foi redigido por mim para publicação num site especializado em mobilidade urbana e história dos transportes. Conta tudo o que eu sei de tudo e mais um pouco sobre o 201-Ceasa, uma das linhas que trafegam no meu bairro (embora eu more um pouco longe das ruas do mesmo). Em 24 anos morando no mesmo lugar, é natural que você acabe armazenando história.

E antes de mais nada, vamos introduzir este post com uma fotoarte sobre a linha. É que ela demora muito para passar (quem pega Ceasa sabe).

keep calm ceasão

E agora, a história do Ceasão. Logo mais esta fotoarte estará no Facebook, eu garanto. O perfil está bem movimentado, vai ficar mais ainda, e um pouco mais não custa nada, né?

Ok, sentem-se e deleitem. Lá vem história.


Repleta de peculiaridades que a tornam única não apenas em seu corredor como na própria cidade, a linha 201-Ceasa (ou Ceasão, como eu costumo dizer) é a linha mais antiga do corredor 2. Até 2012 podia dizer que tinha um corredor só para ela, uma vez que ela não tem contato com o restante do próprio corredor, trafegando na parte leste dos bairros Cristo e Rangel. O que é a linha, os motivos prováveis de suas peculiaridades, suas constantes extensões de itinerário, bem como as consequentes trocas de ponto final (foram três trocas em menos de cinco anos) são os destaques desta história da linha.

E uma dessas peculiaridades que tornam o 201 diferente está em sua própria identidade:  apesar do nome, a linha 201 não passa na Ceasa propriamente dita; o máximo que consegue chegar até ali é em parte do muro de trás da Empasa (atual nome da Ceasa). Isso até causa confusão a quem realmente quer ir até o local e descobre que a linha não passa na Ceasa.

O atual ponto final fica a 4 Km desse local. Quem quiser mesmo ir ao Ceasa precisa pegar uma das linhas de Mangabeira do corredor 2 ou o 1502.

Mas antes, o que é Ceasa mesmo?

O correto é dizer “A Ceasa”, pois trata-se da sigla de Central de Abastecimento Sociedade Anônima. São complexos de armazéns destinados a armazenar e distribuir a produção de frutas  e verduras que vinham do interior para as feiras-livres da capital, sem a necessidade de atravessadores, o que barateava a mercadoria que chegava às mesas das pessoas.

O projeto das Ceasas data de 1960 e foi criado pelo Governo Federal a fim de eliminar o estrangulamento do comércio de hortifrutigranjeiros no país. Nessa época foram construídas várias centrais de abastecimento nas capitais em parceria com os governos estaduais, que gerenciariam essas centrais através de empresas de economia mista (daí porque elas eram sociedades anônimas).

No final dos anos 1960 era inaugurada a Ceasa de João Pessoa, situada na Ranieri Mazzili, no Cristo, às margens do Km 23 da BR-230. O Governo Estadual cria a CEASA como órgão responsável pela administração do local.

Primórdios

E é por esse nome pelo qual o centro é conhecido e é esse o nome a linha 201 recebe quando é criada, em meados de 1970. A linha já nasce como atualmente cresce, de uma extensão, já que até então não chegava até ali. Tratava-se de uma linha interna da comunidade do Varjão (como é conhecida a parte oeste do bairro do Rangel, muito embora o nome “Varjão” seja o nome pelo qual o bairro todo está registrado nos mapas da Prefeitura). Parte de seu itinerário também abrange a rua Coelho Lisboa, em Jaguaribe, por onde trafega a linha 003 da Marcos da Silva, sendo até hoje a sua principal “concorrente”.

Por essa ser a primeira linha do bairro, sugere-se que o eixo viário principal do mesmo deveria ter sido a São Judas Tadeu, onde trafega a linha. Com a construção do Mercado Público do Rangel e o aumento da demanda para o local, todas as outras linhas posteriores que foram sendo criadas para o bairro iam passando para lá. E assim o corredor principal do Rangel passou a ser a 2 de Fevereiro.

Mas o 201 continuou ali a fim de atender as comunidades. Foi inicialmente operado pela empresa Canaã. Em 1986 recebe o código 201. Mais tarde, passa a ser operada pela São Judas Tadeu. Desde 1988 é operada pela Transnacional.

Anos 1990: de linha comunitária a linha universitária, a descaracterização do nome Ceasa

O nome Ceasa começa a deixar de fazer sentido para a linha logo no local: em 1993, a Ceasa se funde com outros órgãos da Secretaria de Agricultura e transforma-se na Empasa (Empresa Paraibana de Abastecimento e Serviços Agrícolas), sediada no próprio local e pelo qual ele passou a ser conhecido, muito embora a maioria dos pessoenses ainda o identifique como Ceasa.

Ainda no início dos anos 1990, a linha ganha uma extensão em Jaguaribe, a fim de atender os estudantes da até então Escola Técnica Federal da Paraíba, posteriormente Cefet e hoje IFPB. É a partir daí que a linha começa a ganhar uma conotação de linha universitária.

Até meados de 1993, o terminal da linha se situava no antigo Veredas Bar, ao lado da escola Bartolomeu de Gusmão, no Cristo Redentor. Esse ponto final ficava a menos de 30 metros do Ceasa. Que durante o tempo todo que existe, nunca passou na frente do mesmo até onde se conhece.

Foi nessa época que a linha passou a ter seu ponto final transferido para o campus dos Institutos Paraibanos de Educação (IPÊ), a primeira faculdade particular do estado, situada em Água Fria no Km 25 da BR-230. A extensão era identificada pela placa vermelha VIA CAMPUS DO IPÊ, escrita em letras brancas. O novo terminal ficava no interior do campus da faculdade.

Em 1997, o IPÊ é elevado pelo MEC a Centro Universitário, mudando seu nome para UNIPÊ. O novo nome passa a constar das lonas do 201 em 1998.

E assim a linha “Ceasa” estende-se 2 Km além do próprio Ceasa.

Anos 2000: cada vez mais longe do Ceasa

Em 2001, a linha 201 sofre uma nova extensão em seu itinerário: sai de dentro do Unipê e passa a ter seu ponto final baseado na Av. Flamboyant, na lateral do Shopping Sul, na parada onde até então era a base da linha integracional do Anatólia. Com isso, as comunidades Anatólia e Jardim São Paulo passam a ser atendidas pela linha que torna-se a primeira do corredor 2 a passar pelo centro nervoso do Conjunto dos Bancários sem precisar passar em outro corredor depois (isso até então era exclusividade dos Circulares). Tal extensão se justifica pelo aumento da demanda gerado pelo boom imobiliário que chegava aos Bancários, alimentado por pessoas que para lá se mudavam a fim de estarem mais próximas das universidades. Tanto que a verticalização da Zona Sul já se iniciou por ali.

Em 2007, as obras de esgotamento sanitário realizadas pela Cagepa no Rangel obrigam a linha 201 a fazer vários desvios. Foi um raro momento onde a linha passou pelo corredor 2 de fato, o que durou um breve tempo conforme as obras foram sendo concluídas.

A linha já chegou a trafegar no bairro do José Américo, de onde saiu no dia 1º de dezembro de 2007 para ceder lugar ao 5605, que deixava os Bancários para atender a comunidade.

Anos 2010: o fim da exclusividade do itinerário

Os anos 2010 começam no 201 já com uma revolução considerável se passar de linha comunitária a universitária já não fosse só suficiente para a história da linha. Acostumada a receber veículos usados de outras linhas da Transnacional, em 21 de janeiro de 2010 a linha 201 pela primeira vez em sua história recebe um veículo zero: o carro 07193, um dos Torinos adaptados do lote entregue dois dias antes na Estação Ciência. Até hoje é o único adaptado da linha.

Em 8 de setembro de 2012, o 201-Ceasa perde uma de suas características de exclusividade quando passa a ter concorrência no que até esse dia era o seu corredor exclusivo dentro do corredor 2. Foi a implantação das linhas 2501 e 5201, do Colinas do Sul, que chegam a passar no corredor principal, mas acessam a São Judas a partir da Souza Rangel passando a realizar o itinerário do 201 até o Viaduto do Cristo.

A evolução da frota

Mesmo depois de receber em 2010, o seu primeiro e até aqui único veículo zero, o 07193, a linha 201 sempre foi receptora de veículos de outras linhas da Transnacional. Já compuseram a linha LNs como o 0752 (OF-1318), 0783, 07137 e 0740 (VW), além dos 07130, 07131 e 07132 que possuíam 3 portas e foram para o 201 após a Transnacional perder a linha 115 (linha onde eles estavam) para a Transurb (atual São Jorge).

ceasão coisa fina

Em 1997, esses veículos eram substituídos pelos 0777, 0780 e 0782, GLS Bus que já foram do 511 e do 204. O 0781 só não foi para a linha 201 porque à época a linha era composta por três veículos. Foi para o 208. Todos foram substituídos mais tarde por Torinos GV OF-1620, ex-TN de Campina Grande, com os mesmos prefixos.

Em 2000, chegam a linha os carros 07131, 0763 e 0764, oriundas das linhas 5100 (o primeiro) e 3200 (os dois últimos). Um ano depois eles eram substituídos pelos carros 0788, 0714 e 0745, todos Torinos G6, oriundos da linha 301.

Em 2003, a linha recebe um acréscimo de mais um veículo, o carro 0715. Assim a linha passa a ter as atuais quatro vagas.

Em 2004, os Pluss 07189, 07190, 07191 e 07192, todos ex-511, compõem a frota da linha. Em 2009 saem 07190 e 07142 e entram os carros 0790, que havia saído do 517, e 07114, ex-202 (posteriormente substituído pelo 07134 também oriundo da mesma linha). Os dois últimos saem possibilitando a entrada dos carros 07193 (o primeiro OF-1722 da linha foi logo o primeiro zero) e 07119.

Com as saídas de carros que foram sendo baixados da empresa, assim chega-se a atual configuração da linha, composta pelos carros:

  • 0754 (ex-2515, entrou em 2010 após a TN perder a linha 2515 para a Reunidas)
  • 07111 (ex-203, entrou em 2011)
  • 07172 (ex-5100, entrou também em 2011)
  • 07193 (o único que entrou zero até aqui, bem como o único adaptado).

Link: Conhecendo as linhas: 201-Ceasa (Portal Ônibus Paraibanos)

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