AS PARADAS INVISÍVEIS

Todo passageiro de ônibus tem a esperança de encontrar a sua parada de ônibus, com abrigo, e se não tiver abrigo, ao menos uma placa. Mas no itinerário 201-5201, no Cristo e Rangel, não é bem isso que acontece.

paradas invisíveis

Para quem mora lá, é simples esperar o ônibus do outro lado da rua para ir ao Centro da cidade. Lá todas as paradas tem abrigos. Para voltar é um problema sério. No início do mês mostramos uma fotoarte mostrando só uma parada. Mas o problema é bem maior do que se imagina. Para quem usa ônibus nesse itinerário e, principalmente se quer usar as paradas do sentido Bairro-Centro para ir a destinos como Unipê, Anatólia, Colinas do Sul e Irmã Dulce, já sabe: o carro vai demorar. Mas leve o guarda-sol. Pois em pelo menos sete paradas desta parte do itinerário não existem nem mesmo as  placas que sinalizam que tratam-se realmente de paradas.

O esquema foi montado como se só o 201 passasse ali, como até então só trafegava essa linha até aproximadamente até um mês atrás quando recebeu a companhia de outras duas e até então isso não era bem considerado um problema, pois as pessoas estavam acostumadas a esperar o ônibus nos seus abrigos já que a demanda se direciona ao Centro. Voltando de lá ninguém precisa esperar. O problema existe desde os primórdios do 201-Ceasa. Não é culpa só de quem está administrando agora.

Até que a Semob colocou as linhas 2501 e 5201 para rodar ali no itinerário. O 2501 trafega no sentido onde estão a maioria das paradas e abrigos do itinerário; a linha está se direcionando ao Centro da cidade. Mas se você for voltar de 5201 é que sente o problema. Muitos moradores do Colinas que certamente já visitaram o Rangel e o Cristo o fizeram via Terminal de Integração, por meio do itinerário principal, onde abrigo e parada não é problema. Mas já que a linha trafega na São Judas, as tais paradas do sentido bairro agora também são de embarque. O passageiro que mora no Colinas e quer usar a linha para ir até lá não consegue certamente localizar a parada se não for na base do auxílio e da informação, pois nem as placas existem nessas paradas.

Para comprovar que o problema existe, caminhei (e como andei viu) mais de 1,5 Km em busca das paradas invisíveis do itinerário do 201-5201.

A última parada sinalizada do sentido Centro-Bairro fica no cruzamento com a rua Romeu Rangel. Daqui em diante parada só lá no José Américo.

Essa já ilustramos numa fotoarte. Fica no cruzamento com a rua Rafael Mororó. Como é a mais próxima do Mercado Público, naturalmente é a que recebe um fluxo considerável de passageiros em embarque e desembarque. Desembarcar é fácil. Embarcar é a certeza de que quem não tem um guarda-sol, espera o ônibus na parada da frente e atravessa a rua quando o ônibus se aproximar.

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A segunda já é mais difícil de localizar até para os motoristas. A única referência que existe dessa parada é uma vendinha que fica no outro lado da parada de ônibus do sentido Bairro-Centro (onde está a maioria dos abrigos existentes neste itinerário). Na parada do sentido oposto, a qual estou falando, foi possível encontrar uma pessoa que iria esperar o ônibus para ir a algum destino da Zona Sul da cidade. O suficiente para conseguir identificar a parada. Fica a menos de 100 metros da última parada mencionada.

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A terceira está aqui. E pelo menos é um pouco mais fácil de situar: fica em frente tem uma panificadora. Consegui localizá-la quando um ônibus do 201 parou ali. Falta de espaço para colocar um abrigo de ônibus é o que não falta. Nesta parada está o fluxo do itinerário de quem vai para o José Lins, ou UEPB. E quem saiu de lá e mora no Colinas?

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Saindo da São Judas Tadeu, chegamos a Leonel Pinto de Abreu, no Cristo Redentor. Aqui existem 2 paradas: a do sentido Bairro-Centro e a do sentido Centro-Bairro. Só uma é sinalizada com um abrigo. A outra teoricamente seria este poste no primeiro plano da imagem. Nem placa encontrei ali.

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Na Josery Serrano, também no Cristo, não há paradas no sentido Centro-Bairro. Só no outro lado, como em todos os casos. A rua foi asfaltada há mais de 10 anos, mas acredite, a parte onde trafegam os ônibus não. Daqui até o Viaduto Sonrisal os ônibus pegam rua de pedra. Pode-se dizer que é a parte menos lembrada do itinerário. Pelo menos para as autoridades.

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Na Daura Morais Moura, a situação é bem mais complicada. Das duas paradas – uma de um lado, outra de outro, as duas ficam na esquina com a rua Joana Morais Lordão – só uma tem, digamos, sinalizada. Mas como nem tudo são flores, a placa é enferrujada e toda a informação que existia desapareceu. Ou seja, o que está no poste (à esquerda) deveria ser uma parada de ônibus. É apenas um pedaço de ferro enferrujado descaracterizado. É tão velha que para se ter uma ideia, as placas atuais são de fibra de vidro, material empregado para evitar justamente que isso aconteça – além de ter valor comercial menor para venda, o que impede que a placa seja furtada. Do outro lado, se já é difícil achar a parada, imagine então um espaço. Fica no lado da Mata do Buraquinho sem calçada e com o mato tomando conta do poste onde justamente está a parada (à direita). Imagine como deve ser esperar o ônibus aí com essas condições mais a própria sensação de insegurança. Em tempo: não há placa sinalizando esta parada da direita (ou se tem e está enferrujada como a outra, não a achamos).

Uma prova de que o problema é bem mais antigo do que se imagina.

paradas invisíveis são judas- infográfico street view

A última de todas fica ao lado da escola Bartolomeu de Gusmão. E é sentido Centro.

Caso você tenha notado o asfalto das ruas, temos 3 situações que juntas levam a um problema: o itinerário não recebeu recapeamento por completo. O próprio asfalto da São Judas é um dos mais antigos da cidade. A rua nunca foi recapeada. O itinerário do Inocoop ainda é no paralelepípedo. E na Leonel Pinto de Abreu, o pavimento já tem mais de 10 anos – a mesma idade do pavimento da Josery Serrano, onde o asfalto acaba justamente na parte onde passam os ônibus.

A recepção das linhas do Colinas parecia ser a chance que o itinerário 201 precisava para ao menos ter uma infraestrutura preparada para receber o triplo de ônibus que tinha antes. Mas colocaram e pronto. Não prepararam a infraestrutura básica de instalação dos abrigos onde faltavam. Como bem destacado num update do post “Parada Virtual”, o Ônibus da Paraíba entrou em contato com a Semob a respeito do problema, e a Superintendência alegou desconhecê-lo.

O update, no rodápé do post, era este. E cabe lembrar que o post foi o primeiro do mês.

O blog Ônibus da Paraíba, parceiro do blog Josivandro Avelar, entrou em contato com a Semob em relação ao problema citado no cartaz acima. E recebeu a resposta de que desconhecia o problema da falta das paradas (!!!), mas afirmou que estará implantando as mesmas nos próximos dias, já que agora nos dois sentidos são efetuadas ações de embarque de passageiros.

Agora que o problema existe – e é mais tenso do que se imagina – já tá na hora de verificar melhor isso tudo e implantar as paradas né? Nem que sejam pelo menos as placas.

Acompanharemos os próximos capítulos. E esperamos voltar para esses locais mostrando essas mesmas paradas sinalizadas.

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