A CAIXA MÁGICA

Televisões antigas, chuviscos irritantes. Há 58 anos, num dia como hoje, ia ao ar a  primeira transmissão de televisão no Brasil.  Ia ao ar apenas para 200 televisores na cidade de São Paulo, mas mesmo assim entrou para a história. E quem fez essa história foi um paraibano, Assis Chateaubriand, fundador dos Diários Associados, (sim, é o mesmo que hoje controla o jornal O Norte e a TV e FM Clube) que trouxe além desses 200 televisores vários equipamentos para que esse empreendimento se tornasse realidade. Em 18 de setembro de 1950 entrava no ar o primeiro canal de TV do Brasil, a TV Tupi, canal 3 de São Paulo. Posteriormente, em 1951, surge a Tupi do Rio, canal 6, que era outra emissora independente, não era afiliada da Tupi de São Paulo. Em 1952 a Tupi de São Paulo ganha concorrente: a TV Paulista, canal 5 de São Paulo (atual emissora da Rede Globo em São Paulo). E em 1953 era fundada a TV Record.

A Rede Globo, maior conglomerado de televisão do Brasil e que gera até hoje inúmeras histórias e controvérsias em relação ao seu crescimento e consolidação de sua atual posição foi fundada em 1965, enfrentando logo de cara acusações de que havia sido fundada com capital estrangeiro (o caso Time-Life). Outras grandes emissoras de hoje também viriam a ser fundadas na década de 1960: a TV Bandeirantes e a TV Cultura. A TV Cultura, para quem não sabe, foi fundada em 1960 pelos Associados, mas foi repassada a uma fundação ligada ao Governo do Estado de São Paulo, sendo desde 1969 uma televisão pública.

As televisões de hoje estão cada vez mais finas e alongadas, daqui a pouco estarão mais finas que uma folha de ofício. Até o meio da década de 1960, não existia o recurso de videotape, e toda a programação de televisão era feita ao vivo, até mesmo as peças de dramaturgia. Com o surgimento do recurso os erros puderam ser corrigidos (simples, é só cortar).

Ainda na década de 196o, uma nova emissora chegava para mudar o conceito da televisão da época, a TV Excelsior. Foi a primeira a pensar num conceito de rede de televisão. Lembrando que a Tupi tinha duas emissoras em duas cidades que exibiam duas programações. A Excelsior exibia a programação que fazia em São Paulo para todo o país por meio de afiliadas. Em 1970 as transmissões de televisão, antes preto-e-branco, passaram a ser a cores.

Na década de 1980, parte dessa gloriosa história, para não falar toda, passaria por mudanças. Com a perempção (cancelamento, declaração de ilegalidade) das concessões de Tupi e Excelsior, as emissoras saíram do ar por obra e graça do governo da época. Chegavam nas emissoras e desligavam os transmissores.

Assim terminou a história da TV Tupi e da TV Excelsior, que tiveram suas concessões repassadas: A TV Tupi e as emissoras dela no Pará e Rio Grande do Sul ficaram com o comunicador Silvio Santos, que junto com a TVS do Rio (fundada em 1976) formaram o SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), em 1981. Já a Excelsior de São Paulo e as emissoras da Tupi do Rio e Minas Gerais ficaram com o empresário Adolpho Bloch, que dois anos depois formou a TV Manchete. A Excelsior do Rio permanece com o governo, que cria a TVE (a atual TV Brasil)

Neste momento, as nossas emissoras estão encerrando as transmissões... Na década de 1990 as TVs Manchete e SBT ganham audiência e chegam a balançar levemente, de uma certa forma,  o império global. A TV Record e a TV Cultura, antes restritas a São Paulo, passam a transmitir em rede. Porém, ao longo dessa década a Manchete colecionava sucessos em suas telenovelas e dificuldades financeiras. As dificuldades acabaram levando a emissora à falência em meados de 1999. Hoje os canais da antiga Manchete transmitem a RedeTV!, fundada em novembro do mesmo ano.

Nos anos 2000, a TV Record altera completamente a programação visando ocupar o espaço da Rede Globo: cria departamento de novelas, altera a Central de Jornalismo, muda toda a grade. Apesar de se apresentar como alternativa de democratização da mídia e da quebra do monopólio da toda-poderosa, tem feito absolutamente as mesmas práticas monopolistas da concorrente, como a compra das Olimpíadas de 2012 em caráter de exclusividade, algo aliás que a Record tanto condenava.

Em 2007 as televisões passam a transmitir o sinal digital. A princípio iniciadas em São Paulo, as transmissões logo foram se espalhando pelo país. Aos poucos as emissoras de televisão vão se adaptando as transmissões digitais. Até 2016, todas as emissoras transmitirão o sinal digital, que oferece mais qualidade de imagem, som e interatividade.

E hoje? A televisão continua com o seu público fixo, perdendo terreno para a Internet sim, mas ela ainda engatinha. A qualidade da televisão ultimamente não tem sido das melhores, mas ainda esperamos que além das mudanças na qualidade de som e imagem que a televisão digital irá proporcionar ao telespectador, mude-se também a filosofia de programação, pensando-se mais em conteúdos de qualidade. Não basta apenas reclamar de um ou outro órgão, a reclamação tem de ser geral, a cobrança deve ser para todos.

Muita coisa passou nesses 58 anos desse meio de comunicação tão influente por aqui. Apesar dos seus problemas, a televisão brasileira ainda tem chance de fazer história com grandes obras. Basta apenas isso: mudança de filosofia e mais participação do telespectador.

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