O que que veio? Adivinha…

Semana passada, a coluna perguntou “o que que vem mesmo por aí, hein?” sobre a famigerada reunião do Conselho Municipal de Mobilidade Urbana de João Pessoa, que definiria, entre outras coisas, como seria a tarifa do ônibus na capital paraibana. Como se eu tivesse desconfiando, adivinha o que houve: aumento, e eu avisei que isso poderia ter consequências mais para frente. A passagem subiu de R$ 4,15 para R$ 4,40.

É o mesmo valor da tarifa que é paga na cidade de São Paulo, lembrando que na capital paulista a passagem é subsidiada, se fosse como é cobrada aqui, passaria de sete reais. É o mesmo valor da tarifa que é paga em Salvador, e as duas cidades aqui mencionadas tem populações maiores que a da capital paraibana. E vai também na contramão da redução de passagem em Campina Grande, que deu seu jeito, mas deu.

E tudo foi da maneira mais sorrateira possível; numa sexta-feira de Carnaval, sem dar tempo para o passageiro recarregar o cartão com a tarifa antiga; valeria já no dia seguinte sem dó nem piedade como de fato valeu. Adivinha se isso não ia acontecer também…

Era também lógico que os argumentos também passassem por promessas de melhoria, como redução de idade média da frota de 10 para 6 anos – o que obrigaria a troca de muitos veículos, já que a maioria da frota pessoense é de 2014 para cima. Além disso, foi prometida a ativação de quatro novas linhas e ampliação dos horários – em especial o noturno, que ainda está instável e com rotas descobertas.

E como cobrar?

É lógico que o passageiro vai cobrar melhorias, principalmente se levando em consideração o que está pagando. E muitos já trocaram o já capenga sistema pelo transporte individual, de aplicativo, enfim, qualquer coisa que fuja do transporte público. Tem também os trens, construíram desvios ferroviários, mas sem planos de expansão – e tem como fazer isso sem demolir? Porque implica em demolições se fosse viável. Não é só colocar um trilho de trem no meio da rua.

Isso foi o que veio. E logicamente, se não houve, haverá protestos. Mas voltaremos ao mesmo ciclo: aumento acontece, se chia, mas se aceita passivamente. Uma hora essa corrente se quebra, se soubermos reclamar com bons argumentos. Até porque não adianta reclamar e manter o que está ruim por comodismo. Porque o problema, como sempre digo, não está apenas no veículo, está no sistema como um todo, até no número da linha que você está acostumado.

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