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O que é normal para você?

Descubra como a acomodação disfarçada de estabilidade pode travar sua criatividade e saiba quando questionar rotinas para evoluir de verdade.

O que é normal para você?

A pergunta parece simples, mas talvez seja uma das mais difíceis de responder.

Porque o que é normal para uma pessoa pode parecer completamente fora da curva para outra. E aquilo que hoje parece extraordinário pode virar rotina amanhã.

É assim que a gente se acostuma.

Com o ritmo. Com os resultados. Com os processos. Com as ferramentas. Com uma determinada maneira de fazer as coisas.

Até que alguém aparece e pergunta:

“Mas por que precisa ser assim?”

É aí que mora a provocação.

Existe aquele velho ditado: “em time que está ganhando não se mexe”.

Bonito, popular e, dependendo da situação, completamente razoável.

Mas será que não existe uma diferença entre preservar aquilo que funciona e simplesmente não querer mexer em nada?

Porque uma coisa é olhar para um processo que está dando certo e dizer: “vamos manter”.

Outra é olhar para ele e dizer: “está dando certo, então não precisamos mais pensar sobre ele”.

A primeira é estratégia.

A segunda pode ser acomodação.

E acomodação é perigosa justamente porque costuma chegar disfarçada de estabilidade.

Você não percebe que parou.

Apenas começa a chamar a parada de “normal”.

Isso acontece com projeto, carreira, criação, relacionamento com ferramentas, rotina e até com a maneira como a gente enxerga o próprio trabalho.

Aquilo que funcionou ontem não necessariamente deixou de funcionar hoje. Mas também não ganhou automaticamente um certificado de validade eterna.

O mundo muda.

As pessoas mudam.

As plataformas mudam.

As tecnologias mudam.

A cidade muda.

E a gente muda junto.

Então por que o nosso jeito de fazer as coisas deveria ser congelado?

Experimentar não significa jogar tudo fora.

Às vezes significa mexer em uma peça.

Trocar uma ferramenta. Testar uma linguagem. Mudar um formato. Reorganizar uma rotina. Recuperar uma ideia antiga com uma abordagem nova.

Ou simplesmente perguntar se ainda faz sentido fazer daquele jeito.

É aí que entra uma diferença importante: não precisamos mudar porque algo deu errado. Podemos mudar porque queremos descobrir o que acontece quando fazemos diferente.

Isso também é criação.

Aliás, talvez seja uma das partes mais interessantes dela.

Criar é, muitas vezes, desconfiar do que parece normal demais.

Não para transformar tudo em novidade artificial, mas para impedir que o costume vire piloto automático.

Porque “sempre fizemos assim” pode ser uma explicação.

Mas também pode ser o começo de uma investigação.

E talvez seja justamente aí que um time que está ganhando precise se mexer.

Não necessariamente para trocar os jogadores.

Não necessariamente para mudar a estratégia inteira.

Mas para continuar olhando o jogo.

Porque enquanto você comemora que está funcionando, o jogo continua.

E se existe uma coisa que a criatividade ensina, é que acertar não significa que você encontrou a única resposta possível.

Significa apenas que encontrou uma resposta que funciona.

Por enquanto.

Então, antes de repetir que “em time que está ganhando não se mexe”, talvez valha fazer uma pergunta um pouco mais incômoda:

estamos preservando o que funciona ou apenas com medo de descobrir que podemos fazer melhor?

Talvez essa seja a diferença entre estabilidade e acomodação.

E, principalmente, entre aquilo que a gente chama de normal e aquilo que simplesmente deixou de ser questionado.

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