A passarela

A coluna de mobilidade desta quinta-feira apresenta mais uma subsérie contando a história de alguns equipamentos da mobilidade pessoense e suas curiosidades. São obras que até serviram para alguma coisa a princípio, mas hoje em dia mudaram por causa da mudança da dinâmica da cidade – essas coisas que pouca gente nota e quando nota, elas já mudaram. Hoje, a história que conto é de uma passarela.

E mais precisamente, a passarela do Unipê, que só não virou um elefante branco no melhor sentido da palavra por causa de algo que não consegue ser pior só para ônibus de linha, mas até o transporte universitário sofre: o desenho do Viaduto do Cristo. Para não ter que costurar a cidade, ou passa direto ou entra no Cristo – já que há uma universidade no bairro e dali há como sair rumo ao interior pelo Viaduto do Geisel.

Para entender por que a passarela existe, vamos voltar para o final da década de 1990. A parada de ônibus das linhas que vinham da Epitácio Pessoa era no lado da Mata do Buraquinho e era por lá que os ônibus passavam, não na pista lateral da faculdade particular como é como hoje.

E não era raro algum estudante ser atropelado ali – e houve até caso de morte, por essa razão os estudantes reinvidicaram a instalação de uma passarela. E ela foi instalada.

A passarela do Unipê.
Visão geral da passarela. Print: Google Street View

Essa passarela foi praticamente a última passarela de concreto a ser construída na cidade; alguns anos depois, surgiram as passarelas de aço cobertas. Além disso, a passarela não é iluminada na parte de cima. A função dessa passarela seria justamente a de facilitar o acesso para a parada de ônibus que fica(va) do outro lado. Mas uma hora, as coisas mudaram.

E quando que o uso da passarela mudou?

Mais atrás, fica a UFPB, onde em 2006 foi feita uma intervenção na Via Expressa Padre Zé. Por causa dessa intervenção, as linhas que vinham da Epitácio Pessoa e passavam justamente na BR-230 foram realocadas para a pista que fica na frente do Unipê. Desse modo, os estudantes não precisariam mais atravessar a BR – e nem usar a passarela – para pegar o ônibus; bastava só atravessar a pista lateral. Hoje, as linhas de ônibus que passam na frente do Unipê passam nessa pista lateral, e não mais no leito da BR.

Parada de ônibus do Unipê.
Onde a parada de ônibus está hoje. Print: Google Street View

O recuo (acostamento) onde ficava a parada passou a ser usado por alguns ônibus de transporte universitário do interior. Desse modo, quem atravessa a passarela é só quem usa esses ônibus que param ali.

E por que usam? Justamente para não precisar dar uma volta para retornar a BR, uma vez que os ônibus vêm de vários campi (lembre-se, o plural de campus é campi) universitários que ficam na beira da BR. E adivinha por que não? Por causa dele mesmo, o Viaduto do Cristo. Lembra que eu falei que aquele viaduto era horroroso para ônibus por causa dos retornos? Não é só para os de linha; para o transporte universitário, a dinâmica desse viaduto consegue ser pior. Melhor ficar na beira da BR do outro lado do que arrudear.

A parada sem linha

O mais curioso é que apesar de não passar mais nenhuma linha de ônibus no leito da BR há quase 15 anos, a placa de parada foi reinstalada assim mesmo e há pouco tempo. Mas uma placa de parada de ônibus não serve só para ônibus de linha. Pode ter o uso acima também.

Parada de ônibus sem linha.
Apesar da placa instalada, a parada não é de ônibus de linha. Print: Google Street View

Fora esse uso, a passarela só tem essa utilidade prática hoje em dia, uma vez que não há calçadas no lado da mata, nem muito menos ela é cercada desse lado, o que não quer dizer que não existam pessoas que usem para ir ao outro lado e caminhar até o Cristo.

Essa é só uma amostra de como a dinâmica de uso de mobilidade muda. Hoje a passarela tem uma finalidade, ontem teve outra, amanhã ninguém sabe, e assim as coisas se adaptam.


ATUALIZAÇÃO (08/04 03:01): Por total distração minha, o post foi ao ar sem os prints do Google Street View que tinha feito para ele. Agora sim, em plena madrugada (não sei por que, mas só me lembro das coisas que eu esqueço nessa hora) eu as coloquei.

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