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Tudo feito de todo jeito (e ninguém sabe de nada)

Ok, a Feira do Rangel precisa de uma reforma. Mas precisa combinar antes (e direito) com os comerciantes do local. A intervenção não pode ser feita de todo jeito.
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De tédio ninguém morre por aqui, mas de raiva quem sabe. Pois bem, voltamos a novela de meio século da Feira do Rangel sem esperar a quinta-feira para falar dela, porque o assunto do dia está mais quente do que os paus que queimaram na entrada da feira hoje de manhã. Tudo isso porque os comerciantes foram surpreendidos pelo corte de energia dos pontos, sem tempo para desocuparem-os. É aquela sensação de que tudo foi feito de todo jeito. Aliás, teve tempo? Houve negociações? O que a gente não sabe? Porque ninguém conta nada. E eu fico aqui perdido que nem cego em tiroteio sem saber o que dizer.

Para começar, um ano foi tempo suficiente para a Prefeitura de João Pessoa fazer um plano de logística e realocação para os comerciantes da feira, sabendo que próximo dela não existe espaço que abrigue todos eles em segurança. Aparentemente isso não foi feito, e para dizer que fizeram alguma coisa, plantaram aquelas 14 tendas (sim, eu contei uma por uma) que eu vivo falando em toda minicoluna. Só que a resistência dos comerciantes é lógica, já que ficariam no meio da rua sem saber quando é que a reforma termina, afinal, todo mundo sabe o quanto obra pública demora, afora o temor de do nada a obra parar e eles ficarem no prejuízo.

Agora vamos ao que aconteceu hoje: a energia de vários pontos foi cortada, ao que parece sem aviso algum (conta-se que foi na calada da noite), e deu no protesto visto hoje na 2 de Fevereiro. Há relatos de comerciantes que tiveram prejuízos como perda de produtos perecíveis e a lógica inviabilidade de fazer coisas básicas sem energia. O resultado foi um protesto com direito a queima de paus fechando a rua, para ver se desse modo chamam a atenção da Prefeitura. Lembra que eu disse que não sabemos se existe conversas sobre planos de logística e realocação? Talvez o que houve hoje seja a resposta dessa pergunta.

É fato que não existe no Rangel nenhum terreno como esse que permita realocar todo mundo ou quase (é um bairro adensado, lembrem-se se não sabem ou não conhecem), e muitos dos que estão lá estão há décadas. Em um ambiente de bom senso, se faria algo em etapas, mas optaram por fazer tudo de uma vez, desde que nada estivesse ali. Fizeram isso no Mercado Central mesmo ele nunca tendo sido concluído. Fizeram etapas. Não é simplesmente só retirar de uma vez. Se é lógico também que da maneira que está não pode ficar, essa transformação tem que ocorrer respeitando essas limitações.

Eu sei que vai ter ou já teve certas pessoas e políticos se aproveitando dessa situação. Mas no meu lugar de fala, não vou me esquecer que lá atrás vocês sabiam disso por participar de gestões anteriores e não fizeram nada, porque nunca trataram o bairro como prioridade e isso é da natureza da classe política pessoense como um todo, afora aqueles que nunca se preocuparam conosco como moradores. Afinal, estamos falando de um equipamento cinquentenário onde os próprios comerciantes fizeram ao longo dos anos as suas próprias estruturas, muitas vezes fazendo aquilo o que as gestões deixaram de fazer. Este é um problema entre nós como comunidade e a gestão.

Eu espero não só ter notícias, mas saber no mínimo se existem negociações. Porque eu nunca vi uma intervenção tão radical como essa ser feita sem diálogo. É lógico que ninguém se opõe a qualquer tipo de intervenção que porventura venha a trazer melhorias, que não seja feita de todo jeito, e uma coisa eu peço a algum comerciante que esteja lendo: fiscalizem a obra se obra houver, formem uma comissão, postem nas redes sociais e acompanhem o que tiver que acompanhar, solicitem modificações no projeto se necessário, pressionem para participar, ficar em cima mesmo. E qualquer coisa me avisem, porque é necessário entender o que está sendo feito e se houve avisos.

Cá estamos acompanhando tudo isso com as (poucas) informações que chegam, porque se o comerciante não é informado de nada, imagine a gente que tenta relatar para as pessoas o que está acontecendo. Sem saber como o roteiro dela está sendo escrito, se é que existe um roteiro, a novela continua. A Prefeitura só não precisava tentar acelerar o fim dela daquela maneira.


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