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Reforçar e esticar não resolve sem mudar

Como os bairros da Zona Sul de João Pessoa são afetados pela "cultura do arrodeio" e porque somente reforçar e esticar com base nas linhas atuais, como a maioria das pessoas propõe, não resolve o ...
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Como os bairros da Zona Sul de João Pessoa são afetados pela “cultura do arrodeio” e porque somente reforçar e esticar com base nas linhas atuais, como a maioria das pessoas propõe, não resolve o problema?

Pergunta feita por este editor

Vamos começar pelo começo: para político, investir na aparência da frota dá voto. Mas você está inserindo uma frota linda e maravilhosa operada por uma empresa de referência em um sistema ruim. É como se eu comprasse uma televisão nova sem reformar a parede da sala. Eu penduro a televisão na parede, ela fica um tempo lá, e depois essa televisão cai. Eu vou ter raiva, certo? Outra das minhas analogias loucas para você entender o que é investir em aparência sem investir na estrutura. Nenhuma televisão nova se sustenta em parede ruim. Sistema de ônibus é a mesma coisa. Mas o que dizer de tentar resolver o que acontece na ponta sem se dar conta do meio? O sistema de linhas atual tem esse vício, e daí temos o fator lotação.

Quando você estica uma linha existente em vez de criar uma nova, principalmente nos bairros da Zona Sul de João Pessoa, você pode até resolver o problema da nova ponta, mas piora para quem está no meio, na parte mais central da cidade, que encontra o ônibus que costumava pegar com uma lotação considerável já lotado vindo da ponta. E aqui existe essa mágica de acreditar que só de fazer isso você consegue resolver o problema, mas o que você faz é simplesmente fazer com que os passageiros da ponta andem mais e os do meio não consigam pegar o ônibus. São esses do meio que andam de pé.

Então você lendo isso, vem em mente a solução mágica: coloca mais ônibus, certo? Todo mundo sabe que existe uma demanda reprimida de passageiros que não conseguem pegar o ônibus do seu horário, e no fim é mais carro lotado se for na mesma linha. Porque não criar novas linhas alimentadoras que funcionem como escape das linhas principais, e que podem fazer um percurso um pouco menor? Alivia para quem usa as linhas “carro-chefe”, porque não é acabar por acabar nem trocar por trocar. É o que fizeram quando criaram circulares de bairro sem critério simplesmente juntando, e consequentemente, extinguindo linhas radiais.

Esse é justamente o problema das áreas periféricas, em especial da Zona Sul, que percorrem longas distâncias para chegar nos destinos pretendidos, muitas vezes superando em quilômetros o local onde esse destino está, só para passar no Centro ou em algum outro ponto para trocar de ônibus. É a cultura no arrodeio em seu estado mais puro. Como um trabalhador vai se motivar a trabalhar e um estudante a estudar desse jeito, chegando cansado antes mesmo de iniciar o trabalho, o dia de aula? Lembra do case anterior, que eu falei do 1001, que eu não conseguia pegar em Jaguaribe porque ele já vinha lotado de estudantes do Bairro das Indústrias, certo? É mais ou menos assim.

Entenderam, não é? É o que eu digo sobre as deficiências do sistema radiocêntrico de João Pessoa. Quando você bota a cabeça para funcionar simplesmente fazendo um texto como esse que eu estou fazendo e você lê, você consegue fazer o que em teoria é, ou ao menos deveria ser, simples e básico, mas fizeram uma coisa de um jeito que o que eu estou falando nos posts desta semana, fora os que eu ainda vou falar nos três próximos e em quantos mais aparecerem, seja um bicho de sete cabeças. E não é! Não deveria ser tão difícil entender que a raiz do problema está no sistema de linhas como ele é hoje.

Reforçar e esticar as linhas que já existem, sem criar novas alternativas, não resolve nada se você não fizer mudanças na estrutura das linhas e corredores como funciona hoje. E eu volto a insistir, e vocês podem me chamar de chato porque eu vou bater nessa tecla: esse sistema de linhas da década de 1970 não funciona na João Pessoa de 2024. Parem de herdar referências da dinâmica de uma cidade completamente diferente, o que custa reconhecer que as coisas mudaram e tudo precisa acompanhar, inclusive o sistema de ônibus? Eu não estou vendo isso. E vocês vão entender isso lá na frente.

Este é o tema “Conhecendo Você”, o primeiro post do dia no Site Josivandro Avelar, com perguntas que eu respondo sobre temas de autoconhecimento e cotidiano. Inicialmente elaboradas por inteligência artificial, as perguntas passaram a ser elaboradas por mim e pelo público através dos canais de contato e redes sociais.

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