Image

Ocupando a cidade

Uma criação precisa ser compreendida para provocar uma reação?
, ,

Que tipo de intervenção visual você gostaria de ver ocupando a cidade?

Pergunta gerada pela inteligência artificial e respondida por mim

Eu acredito firmemente que as nossas cidades estão perdendo o brilho e ficando cada vez menos coloridas. A minha própria cidade, que em um passado não muito distante já foi sinônimo de exuberância verde, hoje clama urgentemente por mais vivacidade em suas ruas. Precisamos urgentemente de mais plantas nativas enfeitando as calçadas, de mais intervenções artísticas expressivas estampadas nas paredes dos edifícios e de muito menos cinza monótono cobrindo a estrutura fria dos viadutos, os quais eu gostaria imensamente de ver transformados em verdadeiras galerias a céu aberto, repletas de tons vibrantes.

Afinal, colorir, revitalizar e transformar o nosso espaço urbano vai muito além da simples estética ou da ornamentação passageira: é, acima de tudo, um genuíno ato de cuidado, cidadania e afeto profundo com o lugar onde vivemos e com todas as pessoas que partilham dele conosco no dia a dia. Quando renovamos as fachadas, plantamos verde nos canteiros e trazemos vida para as paredes cinzentas, estamos construindo coletivamente ambientes mais acolhedores, humanos e cheios de significado. São coisas assim que tornam lugares especiais.

Eu queria ver um pouco da minha criação, que geralmente nasce e é feita no digital para o próprio ambiente digital, ganhar vida e ocupar o espaço físico das ruas. O meu grande objetivo é colocá-la em lugares onde ela possa ser facilmente reconhecida por quem passa e, com o tempo, tornar-se parte indissociável da identidade visual e cultural de cada lugar específico onde eu decidir realizar a minha intervenção artística. É um plano que eu tenho que hoje é distante, mas qual plano que eu um dia realizei não já foi distante um dia?

Em cada arte que eu faço, gosto de imaginar profundamente como é que ela seria aplicada em diferentes ambientes e no mobiliário urbano das grandes cidades. Fico pensando em como essas criações poderiam estampar grandes empenas de edifícios, abrigos de ônibus, bancos de praças, estações de metrô e até mesmo calçadas e paredes esquecidas pela cidade. É claro que, na maior parte do tempo, é só imaginar mesmo, um exercício mental solitário e criativo para ver minhas ideias ganharem vida em escalas monumentais.

Mas, cá entre nós, se dependesse exclusivamente de mim e da minha vontade, eu queria mesmo é que essas artes estivessem espalhadas por absolutamente todos os lugares, transformando a paisagem cinzenta do cotidiano em galerias a céu aberto para quem quiser ver. Eu gostaria que cada caminhada pela rua revelasse uma nova surpresa visual, conectando o público à minha expressão artística de forma totalmente espontânea e inesperada. Quero pegar de surpresa, quero causar múltiplas reações para aqueles que por minha arte passarem.

Afinal, nem só de artes digitais vive este que vos escreve e dedica seus dias à criatividade. É uma das coisas que eu faço, mas eu tenho outros planos para além do estilo de artes digitais que eu apresento toda semana. Também gosto muito de fazer cartazes físicos e impressos; aliás, cartazes bem coloridos, vibrantes e repletos de frases aleatórias, poéticas e reflexivas estão entre as coisas que eu mais desejo ver espalhadas pelas ruas e espaços urbanos, transformando a rotina cinzenta das grandes cidades em galerias a céu aberto.

Acredito profundamente que o contato tátil com o papel texturizado, o aroma característico da tinta fresca recém impressa e a delicadeza da tipografia artesanal trazem uma humanização indispensável para o nosso cotidiano cada vez mais digital e acelerado. Uma calma visual na rotina diária. Quem sabe um dia eu não consiga realizar intervenções assim, em lugares inesperados e possíveis? Talvez um dia isso seja possível, e enquanto eu tiver a oportunidade de sonhar, eu vou acreditar que um dia esse meu desejo seja possível.

Em um mundo onde a maior parte das nossas interações ocorre através de telas frias e impessoais, esses elementos físicos geram surpresas verdadeiramente agradáveis para quem transita distraidamente pelo caos urbano — seja nos ônibus lotados, nas calçadas cinzentas ou na correria das grandes avenidas. São intervenções sutis que convidam à contemplação, oferecendo a quem passa a ferroada da curiosidade e um instante precioso de pausa, reflexão e pura inspiração em meio à rotina exaustiva.

Afinal, acredito que a arte urbana tem o poder de transformar o cotidiano cinzento das pessoas, provocando sorrisos inesperados ou momentos de profunda introspecção em quem passa apressado. E, para ser sincero, eu faço isso com muita frequência, transformando ideias passageiras em intervenções visuais que um dia irão ocupar cada cantinho possível. Hoje é apenas um sonho. Mas amanhã, quem sabe, eu possa ver a minha criação em vários cantos da cidade? Amanhã não é apenas um dia, amanhã é o futuro.

Ocupando a cidade com a nossa presença, nossa energia e nossa criatividade, a gente deixa ela do nosso jeito, transformando cada esquina em um ponto de encontro, tornando-a muito mais viva, mais acolhedora e com a verdadeira cara de quem nela habita. O cinza monótono do concreto frio não pode, de jeito maneira, ser a única cor que nela é vista ou a cor que dita o tom dos nossos dias. Vamos juntos fazer essa transformação acontecer, colorindo os muros, ocupando as praças e construindo um espaço urbano que realmente pertença a todos nós?

O primeiro post do dia no Site Josivandro Avelar. Um tema por semana, com uma pergunta por dia sobre assuntos relacionados a arte, cidade e comunicação. Pergunte o que quiser, eu posso lhe responder.

Compartilhe

Avatar de Josivandro Avelar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Antes de deixar o seu comentário, leia a Política de Comentários do site.

Luneta Sonora

Um podcast sobre tudo e nada ao mesmo tempo.
  1. Luneta Sonora 264: Tempo não é infinito
  2. Luneta Sonora 263: Detalhes que inspiram
  3. Luneta Sonora 262: A revolução continua
  4. Luneta Sonora 261: Chegar aos 38

Assine A Luneta

Receba os posts do site em uma newsletter enviada às segundas, quartas e sextas, às 8 da manhã.

Processando...
Sucesso! Você está na lista.