CONECTAR, POR QUÊ NÃO?

O sistema de transporte dos bairros do Cristo e Rangel é completamente orientado para a Zona Sul. Para a Zona Norte, só trafega uma única linha. Para a própria Zona Oeste onde o bairro está integrado, você dá uma volta que é desnecessária.

Para entender melhor (e quem mora aqui sabe) criamos um mapa onde colocamos todo o esquema das linhas que trafegam na área dos conjuntos do Cristo Redentor voltados para o bairro de Cruz das Armas. Dois bairros far away, so close.

mapa itinerário

Cristo, Rangel e Cruz das Armas são bairros colados. O Rio Jaguaribe os separa, mas há várias ligações por terra. Duas avenidas interligam os bairros para quem usa carro: Av. José Gomes da Silveira e Av. Dep. José Tavares.

E eu disse bem: para quem usa carro. Para quem usa ônibus a vida é complicada: precisa ir ao Centro, integrar fisico ou eletronicamente e finalmente chegar à Avenida Cruz das Armas. Um tipo de viagem que para dois bairros colados não deveria acontecer. Mas já que estamos falando de um sistema desorganizado por natureza…

No mapa acima, nós esquematizamos que existe um vazio de linhas de ônibus que poderiam muito bem conectar os dois bairros sem precisar de uma linha circular (até porque essa solução não seria muito objetiva).

Como bem relatei no post “(I)mobilidade urbana: Toda mudança precisa de planejamento e racionalidade”, a maioria absoluta das linhas do corredor 2 é orientada para a Zona Sul. Só três linhas do bairro do Cristo não trafegam lá (até porque encerram no próprio bairro). Ir até um outro destino é uma aventura. Problemas que vão desde linhas que passam muito longe até a demora dos mesmos, além de itinerários muito burocráticos para destinos considerados próximos (como Cruz das Armas e isso mesmo, a UFPB).

Mais demanda no Vale das Palmeiras, área coberta por uma linha de três carros

Um desencadeante para aumento de demanda é a construção de um novo conjunto residencial na área do Vale das Palmeiras (a estrela do mapa). Em fase de conclusão, deve ser entregue em meados de dezembro. Isso, logicamente, significa que a demanda de transporte vai crescer. E nessa área atualmente só trafega uma linha de ônibus que demora muito e não resolveria as necessidades das 800 famílias que irão ser transferidas para lá somada a demanda atual da linha que é considerável. Sim, estamos falando do 208-Cristo/Vale das Palmeiras, quem usa essa linha sabe como é. Essa linha trafega com 3 carros com intervalos de horário considerados altos demais, e, como se todos esses problemas fossem suficientes, a linha trafega até quase às 22 horas: passou desse horário, os moradores da área se viram como podem para voltar para casa; essa é a hora em que a maioria dos estudantes que estudam no turno noturno estão retornando para as suas residências. Nesse cenário, não é difícil encontrar reclamações sobre a linha.

Vai resolver do jeito que está? Claro que não. Mas certamente a Semob vai adotar como solução mais simples aumentar a frota da linha em 1, 2 carros, o que não resolve muito o problema, já que a demanda vai aumentar e ainda assim o 208 não irá acompanhar. E é claro que não vão fazer a linha encerrar às 22 horas com a demanda de passageiros já dobrada.

0775

E como é possível ver, um ponto final de ônibus fica bem próximo do  residencial em construção: o do 105-Cidade dos Funcionários, linha essa que tem problemas para acompanhar a demanda, e que, para variar, perdeu recentemente um ônibus (e várias viagens): rodou com seis, hoje roda com cinco. Passa na Avenida Cruz das Armas aonde pega pontos de referência importantes como o mercado do bairro (de Cruz das Armas), a Maternidade Frei Damião e o 15º BIMTZ. E usa parte de um trecho da avenida que só agora começou a receber as obras da duplicação. Precisa ser reestruturada.

Como você pôde acompanhar no post, mostramos que outras alternativas são possíveis tanto para os moradores do novo residencial, como para os outros moradores do Cristo terem uma opção a mais para objetividade de seus deslocamentos, bem como também ao bairro de Cruz das Armas.

É só uma maneira de fazer o que está tão perto deixar de estar ao mesmo tempo longe.

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