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A referência no comum

Por que aquilo que parece comum para quem mora em um lugar pode ser uma grande referência para quem observa?
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Por que aquilo que parece comum para quem mora em um lugar pode ser uma grande referência para quem observa?

Pergunta gerada pela inteligência artificial e respondida por mim

O que parece comum geralmente está ali por algum motivo profundo, e não por mera obra do acaso ou de forma aleatória. Está ali por alguma coisa, algum propósito essencial, alguma finalidade que muitas vezes nos foge à percepção imediata. Quando está presente no dia a dia, preenchendo o espaço, quase ninguém nota a sua existência. No entanto, quando ele desaparece, todo mundo sente falta daquela referência visual e afetiva, e é exatamente nesse momento de ausência que a gente se dá conta da importância vital desses pequenos elementos para a completa composição de um cenário urbano e humano.

São coisas que parecem perfeitamente comuns para quem apenas passa sem reparar nelas, mas quando você finalmente se detém para observar, entende a imensa importância daquilo que faz falta. É a nossa memória coletiva e afetiva trabalhando, mesmo que nem pareça que exista uma história ou uma memória guardada ali. Mas ela existe, sim, e está profundamente enraizada, e é assim que a gente consegue entender o que aquilo realmente significa para a nossa convivência cotidiana com aquilo que nos aproxima de verdade da nossa essência. E essa preservação é urgente.

E é assim mesmo que a vida acontece: a gente muitas vezes negligencia e não dá a importância devida àqueles pequenos detalhes que compõem o nosso entorno, e só se dá conta de que deveria prestar muito mais atenção quando essas coisas simplesmente não estão mais lá para nos acolher. Pense em uma árvore frondosa que oferece sombra, a cor específica do muro do vizinho que marca o caminho, a fachada antiga de uma casa cheia de personalidade, ou a casa propriamente dita com sua arquitetura acolhedora. São exatamente esses elementos fundamentais que fazem de uma simples rua, uma verdadeira rua viva e pulsante.

São componentes que fazem parte do nosso cotidiano diário, que de tão comuns e sempre presentes, a gente passa por eles e acha qualquer coisa, banalizando a paisagem. Tornam-se apenas mais um elemento invisível da rotina à qual a gente nem liga tanto assim, mas quando eles simplesmente desaparecem sob o pretexto do progresso, nós entendemos a dor da perda e sentimos uma falta profunda. É bem aqui que a gente finalmente se dá conta de que precisa, com urgência, preservar as nossas memórias materiais e afetivas, e preservar os elementos genuínos que fazem com que a rua continue sendo verdadeiramente a nossa rua.

Assim, a gente vai se dando conta das coisas que a gente nem liga no dia a dia, achando que elas são eternas e garantidas. Mas que, quando desaparecem de repente, a gente entende a real importância de simplesmente estarem lá, fazendo parte da nossa rotina. E sabe o que isso significa na prática? Que elas importam muito mais do que imaginávamos, ao ponto de fazerem falta, gerando um vazio profundo e sendo um elemento constante de saudade quando não estão mais presentes. Quer entender como o que eu estou dizendo faz sentido? Olhe ao seu redor agora mesmo.

É como lembrar daquela árvore frondosa que não está mais lá, mas que foi exatamente onde você e seus amigos passavam horas conversando e sonhando acordados. Pense também no banquinho de madeira da frente de casa, que também já não está mais lá e que era o ponto oficial onde os vizinhos se reuniam no fim da tarde para colocar a conversa em dia, jogar uma partida de dominó, cartas ou qualquer desculpa para socializar. Ou até mesmo aqueles velhos amigos que brincavam juntos de jogar futebol na calçada e que hoje em dia já não se reúnem mais.

Dizem por aí que os melhores jogadores de futebol do mundo não eram crias de escolinhas sofisticadas ou de gramados sintéticos, mas eram forjados de verdade nas ruas, na poeira e no barro delas, desenvolvendo ali sua criatividade e resiliência. Talvez isso deva explicar, pelo menos em parte, os anos que o Brasil tem enfrentado de jejum em Copas do Mundo, já que a base informal do esporte se perdeu. Lá se vão 24 anos sem ganhar uma Copa, e na próxima, em 2030, terão se passado 28, maior jejum sem Copas da Seleção Brasileira. Há muito caminho a se percorrer até lá.

As mesmas crianças que jogavam futebol na rua eram aquelas cujos pais e vizinhos enfeitavam as ruas inteiras de verde e amarelo com bandeirinhas e tintas quando a época da Copa se aproximava, criando uma atmosfera mágica. Era uma reclamação unânime que todo mundo fazia na proximidade dos torneios recentes: afinal, onde estavam as ruas enfeitadas de antigamente? E olha que no último mundial foram várias que tentaram resgatar isso, e muita gente entendeu aquele recado como um chamado urgente para o sentido de voltar a viver uma cultura de rua vibrante.

Talvez seja exatamente esse elemento que esteja faltando ultimamente na nossa sociedade moderna: a cultura de rua, o hábito de ser, de pertencer genuinamente e de ser parte ativa e transformadora do único lugar da cidade sobre o qual você realmente tem o poder de mudar e influenciar. Essa cultura vibrante não precisa ser exatamente parecida com o que antes existia no passado, ela precisa ser modernizada para os tempos atuais, mas ela precisa, antes de mais nada, existir e pulsar. Existir pela paz de se viver em uma rua segura e acolhedora para todos.

Afinal de contas, é exatamente nas calçadas e esquinas onde o senso de comunidade sobrevive de verdade, longe das telas e do isolamento que se tornou uma marca registrada dos tempos atuais. É nesse espaço de convivência democrática e cotidiana, onde os vizinhos se encontram para uma conversa rápida, que trocamos sorrisos, compartilhamos novidades e fortalecemos os laços que realmente importam para o tecido social. Porque isso importa muito nos tempos de hoje, em que as relações coletivas estão se tornando cada vez mais raras, bem como o significado delas.

E quando esse senso de comunidade finalmente sobrevive e floresce, rompendo as barreiras invisíveis da solidão urbana, a rua fica cada vez mais viva, acolhedora e cheia de histórias para contar, transformando o simples ato de caminhar em uma experiência rica de pertencimento e afeto coletivo. Porque é buscando a referência no comum que a gente não pode perder a esperança de fazer a diferença no que é o lugar onde as histórias começam de verdade, onde a gente começa a construir o senso daquilo que a gente chama de estar em sociedade.

O primeiro post do dia no Site Josivandro Avelar. Um tema por semana, com uma pergunta por dia sobre assuntos relacionados a arte, cidade e comunicação. Pergunte o que quiser, eu posso lhe responder.

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