A NOVELA DA REUNIDAS

Como muitos sabem, além de manter este blog há seis anos, também escrevo resenhas para o Portal Ônibus Paraibanos. Tem coisas que precisam ser divulgadas em um espaço especializado, e o resto e mais um pouco, deixo na minha página pessoal. Mas o que eu recebi aqui tem ares reais de uma novela. O suficiente para suscitar dúvidas da parte do destino da encomenda, bem como elogios pelas duas matérias escritas. Mas não é o caso de comentar sobre a estética dos textos. E sim da sinopse dessa novela.

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A protagonista: a Reunidas

A empresa Reunidas tem três unidades: uma em João Pessoa, uma em Cabedelo e uma em Natal. Tirando a empresa de João Pessoa, as unidades de Cabedelo – cidade da região metropolitana de João Pessoa onde inclusive eu fiz faculdade – e Natal, capital do Rio Grande do Norte, possuem a mesma identidade visual.

Ambas as empresas vivem praticamente dos repasses da unidade pessoense, que até 2011 usava essa identidade visual. Só em Cabedelo não aparece um carro zero quilômetro faz seis anos. A unidade de Natal também carece de uma renovação com ônibus zeros; os últimos zeros apareceram em 2012. E com chassi de 2011.

Os tais carros que instigaram os dois primeiros capítulos foram registrados na porta da fábrica, praticamente. Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Para quem não sabe, é lá que fica a fábrica Marcopolo Rio, que fabrica a maioria dos ônibus que você aí anda. Essa fábrica fica no distrito de Xerém, eternizada pela obra do cantor Zeca Pagodinho.

A Reunidas, sem o “disfarce” do consórcio Unitrans, é assim. Esse carro, com a numeração 08113, tamparia um buraco em Natal (buraco é a numeração que foi desativada e ainda não foi preenchida). Em Cabedelo, substituiria um veículo ano 2008 que é repasse da municipal.

Esse é um ônibus da Reunidas. Mas de qual delas? Foto: Roberto Souza

O que começou a aumentar a dúvida dos leitores – e a curiosidade do editor, foi essa outra foto. Ela foi registrada em Leopoldina, na Zona da Mata Mineira. A título de curiosidade, foi nessa cidade onde o poeta paraibano Augusto dos Anjos passou os últimos meses de sua vida. Mas história a parte, repare na foto abaixo e veja o erro no carro do meio. Se é que esse erro foi cometido de propósito na fábrica.

Imagens dos carros em viagem, depois de uma parada em Leopoldina, Minas Gerais. Foto: Hebert Almeida Rodrigues

Tinha feito uma análise da foto e percebi que a pintura lateral do veículo era a de fato a padrão da Reunidas. Mas aí no dia seguinte apareceram outras imagens lá de Leopoldina e a confusão piorou. Vamos antes explicar o que esses carros estavam fazendo lá: eles vem da fábrica até a garagem andando, na estrada.

A imagem a seguir mostra um desses ônibus como veio o de numeração 0819 acima. E o erro, se é que foi, foi inacreditável. Ele aparece agora com o crachá do Consórcio Navegantes. Nada de más se Unitrans também não fosse um consórcio. Um dos dois que compõem o sistema pessoense – o outro, lógico, é o Navegantes.

Unitrans do Consórcio Navegantes? Não, pera… Foto: Hebert Almeida Rodrigues

Te confundiu, não é? Logicamente o veículo não poderia estar no consórcio Navegantes, até porque a Reunidas não faz parte dela. O consórcio Navegantes é composto pelas empresas Mandacaruense, Marcos da Silva, São Jorge e Santa Maria. A Unitrans é composta pela Transnacional e Reunidas.

As hipóteses de Natal e Cabedelo se equiparam pelas circunstâncias. Em Natal, há cobrança por uma renovação por zeros após o reajuste das tarifas da cidade. Em Cabedelo, essa cobrança se deve a pressões de autoridades, bem como da concorrência. O sistema de trens da região metropolitana, que começa justamente na cidade portuária, está recebendo composições do VLT que aos poucos começam a ser testadas. E claro que o sistema de ônibus não quer ficar para trás, nem no sentido da concorrência, nem no sentido de ficar de fora da integração dos sistemas.

No que diz respeito a estratégia de confusão digna de refresco do Chaves (Roberto Bolaños, in memoriam), onde o suco é de laranja, parece de limão e tem gosto de tamarindo, aí as coisas se tornam ainda mais complicadas de entender. Para carros de numerações 08111, 08113 e 08114, é difícil disfarçar. A numeração da frota municipal de João Pessoa vai até o prefixo 08104. Nos de numeração abaixo disso, é aí que os carros apareceram com os nomes – talvez propositadamente – trocados com o nome dos dois consórcios. Para entender melhor como diferenciar uma da outra:

  • Os carros da Reunidas em João Pessoa e Cabedelo possuem a pintura da empresa na traseira. Mesmo aqueles que outrora tinham propaganda da Unidas, pelo menos uns três receberam a pintura da empresa. Ou seja, se esse carro fosse de Cabedelo, teria vindo com pintura na traseira;
  • Os próprios veículos Torino 2014 da Unitrans vieram com a pintura da Reunidas na traseira. Isso se explica pelo fato de que enquanto a traseira dos veículos da empresa em Natal é empregada para propagandas das concessionárias do próprio grupo (A.Cândido) e com isso podem até usar backbus, nas unidades da Paraíba qualquer empresa anuncia, já que mantém contrato como a Rota assim como outras 4 empresas – somente a São Jorge não emprega anúncio de nenhuma natureza;
  • A Reunidas de Cabedelo emprega uma segunda numeração que fica no canto das laterais dianteiras, iniciada por 511XX, correspondente ao seu registro no DER;
  • Além do próprio fato de que viriam com o letreiro auxiliar digital, que é regra nas aquisições do grupo (A.Cândido) na Paraíba.

Os veículos vieram com elementos que confundem. E por isso viraram uma novela. Vamos acompanhar a novela até o final para saber qual das duas cidades ficará com esses veículos. Para saber mais, clique nos links abaixo:

Se você tiver qualquer dúvida, deixe um comentário neste post. Você também pode me ajudar a escrever esta novela.

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