Image

A cidade para além do que se vê

Por que olhar para além dos pontos turísticos é importante para entender uma cidade?
,

Por que olhar para além dos pontos turísticos é importante para entender uma cidade?

Pergunta gerada pela inteligência artificial e respondida por mim

A cidade é feita de cenários e cenários. Cenários naturais que mudam com a luz do amanhecer, cenários históricos carregados de memórias e cicatrizes do tempo, os cenários repetitivos e reconfortantes da sua rotina diária, e tantos outros cenários efêmeros que surgem e desaparecem. A gente conhece uma cidade por eles, criando um mapa mental repleto de esquinas, fachadas e horizontes particulares. Mas será que a gente realmente presta atenção nos cenários que estão ao nosso redor, ou simplesmente caminhamos no piloto automático?

Eu sei, eu repeti essa palavra um monte de vezes — cenários, cenários, cenários —, talvez para provar que sim, nós somos completamente cercados por eles em cada segundo do nosso dia a dia. E esses cenários são absolutamente fundamentais para entender a alma de uma cidade, principalmente aqueles que são parte íntima da nossa rotina, cenários que muitas vezes funcionam como marcos invisíveis, essenciais para entender até onde queremos chegar e até onde a gente realmente pode ir em nossa jornada urbana.

A cidade que eu quero entender de verdade é aquela cidade pulsante, que funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem trégua e sem descanso, para que ela possa ser simplesmente a cidade que eu conheço para além dos cartões postais turísticos e das imagens idealizadas. É a cidade que trabalha nos bastidores, que transspira suor, a engrenagem oculta que nos move para a frente e dá ritmo aos nossos passos. Tudo aquilo que eu busco e que está de verdade ao meu redor, desde o pequeno comércio de bairro até a imensidão dos fluxos de transporte.

Entender essa cidade invisível e pulsante é fundamental para compreender como ela é na sua essência e como ela consegue sustentar e manter todos os cenários que a fazem ser exatamente o que ela é. Afinal de contas, é exatamente disso que a cidade é feita, é com essa energia incessante que a cidade se move e se reinventa a cada amanhecer. E entender um pouco sobre tudo isso, ou me aprofundar ainda mais nessas engrenagens sociais e estruturais, é algo que me fascina profundamente. Quem me conhece sabe disso.

Assim, é fundamental compreender a cidade para além daquilo que se vê superficialmente no dia a dia, mergulhando nas suas complexidades invisíveis, na sua história e nas dinâmicas sociais que a moldam. Essa visão mais profunda é indispensável para que possamos definir com clareza a cidade que a gente realmente quer ser no futuro e, consequentemente, planejar e construir, de forma coletiva e consciente, o espaço urbano que merecemos habitar. E que serve de inspiração para o que a gente faz e o que a gente escreve.

Porque é precisamente desses pequenos detalhes quase invisíveis, por vezes relegados ao esquecimento, que a verdadeira essência e a alma da cidade são feitas. De detalhes e sutilezas efémeras que estão permanentemente ao nosso redor, escondidas nas esquinas, nos rostos apressados e nos sons distantes, esperando pacientemente para serem notados por um olhar mais atento. De detalhes cotidianos e corriqueiros que fazem parte da nossa rotina diária, moldando o nosso caminhar sem que nosçamos dar conta, e que se tornam dolorosamente perceptíveis, deixando um vazio imenso, apenas quando se tornam ausentes.

São pequenos detalhes cotidianos e sutilezas do passado que constroem a nossa memória afetiva, e que por mais que o tempo passe inexoravelmente ou que o mundo tente transformá-la e modernizá-la, jamais irão apagar a sua essência. Porque o que dela se transmite genuinamente, de geração em geração, através de histórias, olhares e afetos, é exatamente o que molda as nossas memórias mais profundas, e é justamente um pouco desse legado intangível que eu vou atrás para resgatar, absorver e, assim, construir as memórias que eu aqui deixo registradas para serem eternizadas de alguma forma na posteridade.

É assim que eu busco a cidade para além do que se vê. Porque se eu não fizer meus textos e minhas artes, se eu não deixar os meus registros, quem irá fazer? O que eu faço, faço por não ter encontrado o que eu busco em todos os lugares possíveis. E se eu ao menos começar, posso dizer que eu plantei uma semente. Se ninguém planta uma semente, não pode reclamar de não ter encontrado a árvore. Nem os frutos dela. Tudo começa com pequenas iniciativas. E elas só existem se alguém tiver a iniciativa de simplesmente começar, a mais revolucionária de todas elas.

Eu acredito que de alguma maneira, eu comecei várias coisas e são desses começos que as minhas coisas são feitas. Muitas coisas começaram, muitas ainda hão de começar para entender a cidade para além do que se vê, justamente porque nada é possível sem que tudo tenha simplesmente começado de alguma maneira. Porque é a nossa identidade sendo construída, é a nossa identidade que se molda a partir do lugar onde a gente vive e o lugar que a gente ajuda a construir todos os dias, afinal, aqui está um pouco do trabalho que move a cidade. E que é movido por ela.

Tudo começa se o primeiro passo for dado por alguém. Por isso é essencial começar de alguma forma. Porque buscar compreender a dinâmica da cidade e seus recantos é um exercício essencial para revelar um pouco sobre os cenários vibrantes que a compõem e dão vida a ela e a fazem ser o que ela é. É uma coisa que depende da gente, porque somos nós que construímos a cidade que conhecemos e a cidade que amamos. E tudo isso, sem dúvida alguma, faz parte fundamental da nossa própria identidade. E é ela que nos acompanha onde quer que a gente vá.

O primeiro post do dia no Site Josivandro Avelar. Um tema por semana, com uma pergunta por dia sobre assuntos relacionados a arte, cidade e comunicação. Pergunte o que quiser, eu posso lhe responder.

Compartilhe

Avatar de Josivandro Avelar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Antes de deixar o seu comentário, leia a Política de Comentários do site.

Luneta Sonora

Um podcast sobre tudo e nada ao mesmo tempo.
  1. Luneta Sonora 263: Detalhes que inspiram
  2. Luneta Sonora 262: A revolução continua
  3. Luneta Sonora 261: Chegar aos 38
  4. Luneta Sonora 260: Um criador melhor

Assine A Luneta

Receba os posts do site em uma newsletter enviada às segundas, quartas e sextas, às 8 da manhã.

Processando...
Sucesso! Você está na lista.