Chegar a uma idade nova sempre tem alguma coisa de estranho.
Você olha para o número e pensa: já?
Depois pensa um pouco mais e percebe que não é exatamente o número que assusta.
É tudo o que ele carrega.
Hoje eu chego aos 38 anos.
E talvez a primeira reação fosse fazer aquela conta meio inevitável: onde eu estava aos 28? O que imaginava que estaria fazendo aos 38? O que mudou? O que não mudou?
Mas existe outra pergunta que talvez seja mais interessante:
eu deveria me assustar com a idade ou entender que amadureci de verdade?
Porque amadurecer não é simplesmente acumular anos.
Se fosse, bastaria esperar o calendário trabalhar.
Amadurecer tem mais a ver com aquilo que a gente aprende a fazer com o tempo que passou.
Aprender que nem toda oportunidade precisa ser agarrada.
Que nem toda discussão precisa ser comprada.
Que nem todo projeto precisa acontecer imediatamente.
Que algumas pessoas ficam e outras seguem seus caminhos.
Que algumas ideias precisam morrer para outras nascerem.
E que mudar de opinião não significa necessariamente ter errado antes.
Talvez seja justamente uma das maiores demonstrações de maturidade.
Aos 38, eu não tenho mais a mesma pressa de provar que consigo fazer tudo.
Ainda existe vontade. Muita.
Ainda existem projetos, ideias, planos, criações e coisas que quero colocar no mundo.
Mas existe também uma compreensão maior sobre o caminho.
E isso muda bastante coisa.
A gente começa a perceber que experiência não é fazer tudo.
É saber o que merece ser feito.
Também existe uma espécie de paz em reconhecer que não precisamos chegar a uma determinada idade com a vida perfeitamente resolvida.
Afinal, quem inventou essa tabela?
Aos 20 você deveria descobrir uma coisa.
Aos 30 deveria ter outra.
Aos 40 deveria estar em determinado lugar.
E se não estiver?
Reprova na prova da vida?
Talvez o problema seja justamente imaginar que amadurecer significa cumprir um cronograma.
Para mim, amadurecer tem sido muito mais parecido com aprender a escolher.
Escolher onde colocar energia.
Escolher quais ideias merecem continuidade.
Escolher o que precisa mudar.
Escolher o que pode esperar.
E, principalmente, escolher o que já não faz sentido carregar.
Isso não significa que os 38 chegam sem medo.
Chegam, sim.
Porque toda idade nova também abre uma espécie de página em branco.
Você sabe mais sobre quem foi, mas ainda não sabe exatamente quem será.
E talvez seja justamente aí que esteja a graça.
Eu não quero chegar aos 38 tentando parecer mais jovem.
Também não quero transformar a idade em uma espécie de certificado de que agora sei tudo.
Quero chegar entendendo que ainda existe muito para aprender.
Que ainda posso experimentar.
Que ainda posso errar.
Que ainda posso começar alguma coisa completamente diferente.
Porque maturidade não deveria ser o fim da curiosidade.
Talvez seja o contrário.
É ter experiência suficiente para saber que ainda vale a pena olhar para o desconhecido.
Então, sim, existe um certo susto ao perceber que estou chegando aos 38.
Mas existe também uma tranquilidade.
A de perceber que não estou apenas ficando mais velho.
Estou ficando mais consciente do que faço com o tempo que tenho.
E talvez esse seja o melhor jeito de entrar em uma idade nova:
não perguntando “o que eu deveria ter feito até aqui?”,
mas sim:
“o que eu quero fazer com tudo o que aprendi até agora?”
Aos 38, a resposta ainda está sendo escrita.
E, sinceramente?
Ainda bem.











