2008: o ano dos melhores Viales que já rodaram por aqui

No dia 23 de dezembro de 2008, entrava no ar o Blog Josivandro Avelar. Hoje, o blog completa 13 anos com mais de 4 mil posts, podcast Luneta Sonora, web stories e muito mais. Já que estamos no Ônibus & Transporte, que era Ônibus Paraibanos e nasceu do Paraíba Bus Team, vamos recordar justamente um pouco daquele icônico ano de 2008.

Na ocasião eu era um estudante que acabava de concluir o segundo ano do Ensino Médio no Lyceu Paraibano, e morando no Varjão logicamente teria que me deslocar de ônibus todos os dias. O mesmo ano de 2008 que marcou a entrada em circulação dos melhores veículos do modelo Viale que já rodaram por aqui, mesmo em um sistema já ultrapassado na época, como ainda segue sendo até hoje.

Nenhum veículo hoje roda mais, afinal o limite de idade de um ônibus na frota de João Pessoa é de dez anos – isso se o veículo for convencional; ônibus trucados e articulados até podem passar desse limite. Os ônibus adaptados para cadeirantes eram muito poucos, não eram 99,9% da frota como hoje – e só não é 100% porque justamente Viales sem elevador ainda rodam no sistema, os quatro adquiridos no ano seguinte pela São Jorge e que atualmente dão uma força nos horários da linha 120.

As primeiras experiências com o embarque dianteiro na Transnacional começaram com veículos como esse; no ano anterior chegaram o 0718 e o 0807, e depois este veículo aqui, o 07181, que iniciou na linha 517 (na época Castelo Branco, hoje Mangabeira) e posteriormente remanejado para a linha 3200-Circular. Mas antes que digam que ônibus sem cobrador nunca existiu, veículos apenas com motorista já rodavam no sistema desde 1999, não somente com os opcionais, mas com a frota de linhas como 108, 110 e 115 da São Jorge.

E não vamos nos esquecer também do primeiro ônibus adaptado de Cabedelo, o 08100 da então Reunidas. Este veículo foi incendiado de maneira criminosa quando estava em operação em Natal, onde a Reunidas possui filial. Vários outros ônibus não adaptados, mas com desembarque pelo meio foram incorporados em Cabedelo naquela ocasião, todos eles resistentes como nenhum outro seria mesmo zero quilômetro. Após esses ônibus, Cabedelo só veria renovação de zeros em 2014 com os Torinos que atualmente rodam como Transnacional na cidade e não são tão conservados como os Viales foram – mesmo os remanejados de João Pessoa.

Esses veículos ainda seriam os primeiros a contarem com letreiros eletrônicos laterais na janela. João Pessoa foi uma das primeiras cidades a adotar esse modelo de letreiro, tanto na dianteira como na traseira, livrando a carroceria de ser chapada caso o ônibus fosse remanejado para uma cidade que não exigisse letreiro lateral, ou se precisasse transferir por conta do embarque dianteiro, o que acabaria acontecendo com a totalidade da própria frota pessoense em 2014, de modo que hoje os letreiros traseiros puderam ser transferidos para frente – ainda que tardiamente. Esse modelo seria adotado no Rio de Janeiro só em 2014; praticamente todos os ônibus incorporados no sistema carioca possuem letreiro lateral na janela, não mais na carroceria.

Apesar desse modelo de letreiro ter sido lançado em 2008, ainda houve compras de veículos com laterais de lona, caso dos convencionais de Caxias do Sul e outros adquiridos ainda em 2007, mas que entrariam em circulação no ano seguinte. O problema dos itinerários de lona eram as modificações de itinerário que tornavam os letreiros desatualizados, de modo que em muitas linhas, vários destinos eram apagados a tinta preta. Com fusões e extinções de linhas, manter lona para elas era inútil.

A frota de 2008 veio com propagandas da Prefeitura Municipal, que foram removidas por força da lei eleitoral, que não permite nenhum tipo de publicidade municipal em período eleitoral, se esta se referir a uma eleição municipal, como aconteceu na época.

Muito da fama do Viale se deve a sua resistência, e não para menos o modelo foi um dos que mais durou na linha de montagem da Marcopolo, de 1998 até 2012. E eles ainda resistem no sistema. Além dos trucados e articulados de São Jorge, Transnacional e Reunidas, resistem os convencionais adquiridos usados da família Lopes, dona das empresas Aparecida e São Sebastião, vindos justamente das últimas empresas a adquirirem o modelo enquanto estava disponível no portfólio da Marcopolo: a fluminense Galo Branco e a cearense São José de Ribamar, extinta – todos eles justamente de fabricação 2012. Os convencionais rodam até o final de 2022.

Um dos últimos Viales convencionais que rodam no sistema pessoense, de fabricação 2012.

Não tem como lembrar do ano de 2008 sem recordar dos Viales, nem muito menos do ano que os melhores vieram, além de lembrar que vários ainda rodam. E era o modelo dominante no sistema pessoense da época. A Marcos da Silva só veio a ter o Viale em chassi OF-1722 em 2017, justamente os ex-Galo Branco – em 2008 comprou Urbanuss Pluss nesse chassi. E agora dividida em duas, será a última a tirar o modelo de circulação, isso se os trucados e articulados das outras empresas não saírem antes.

2008 foi isso aí. E desde 23 de dezembro de 2008 tenho um blog. Para falar sobre tudo e o nada, sendo a luneta de um planeta.

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