OS ANIMAIS TAMBÉM SENTEM

Dizem que o cão tem sentimentos. É verdade. Agora será que existem cães que sentem que se acham bonitos ou […]

Dizem que o cão tem sentimentos. É verdade. Agora será que existem cães que sentem que se acham bonitos ou feios? Também é verdade. E cães que alcançam a terceira idade, lógico, guardadas as devidas proporções, e viverem bem? Sim, isso também é verdade!

Um exemplo disso podem ser os cachorros da minha casa. São três: dois poodles (que são mãe e filha) e um outro, um pequinês macho, que aposto que deve ser o cachorro mais velho da Grande João Pessoa, até onde eu conheça. Tem 16 para 17 anos. Em idade humana, ele teria uns 100 anos, ou seja, é bem idoso, e como os idosos humanos, ele já sente o peso da idade. Com a visão comprometida, ele já não sabe mais para onde anda. Sempre colide com alguma cadeira, mesa de centro, alguma coisa, algum obstáculo que esteja em sua frente. E ele não pode ver. Só olha por um olho, e com dificuldade. A visão do outro ele perdeu em uma briga com outros cachorros, quando era novo. Ele havia fugido de casa nessa ocasião.

Mas anda bem, mesmo com a dificuldade que a limitação da visão lhe impõe. E surpreende pela sua vitalidade, afinal ele chegou em casa vindo de moto, isso em 1993, 1994, por aí. Ele já deve ter acompanhado várias Olimpíadas, Copas do Mundo, e visto o pessoal aqui de casa crescer. E, pelo jeito, ainda parece que terá mais um bom tempo de vida.

A poodle mais velha chegou como chegou o cachorro mais velho: de moto. Ela gerou aqui mesmo em casa outros seis cachorrinhos; quatro foram adotados, um deles também, mas foi pela minha irmã, e sempre vem visitar a casa. Ainda havia um sétimo cachorrinho, mas este faleceu no parto. O menor dos filhotes, que era uma fêmea, ficou aqui. Ninguém acreditava que ela iria vingar, afinal de tão pequena cabia na palma da mão. Mas vingou.

Ela cresceu, e apesar de menor ficou maior do que se imaginava. E não gostava de ser irritada e nem que a tocassem de surpresa. Caso contrário, ela atacava.

Uma vez, a minha mãe a levou para um pet shop, para ser tosada. E quem foi buscá-la fui eu. Ela parecia não se reconhecer. Aquela cadelinha arredia passou a se aproximar mais de alguma pessoa que estivesse sentada no sofá, como se quisesse sentir-se querida, ou se proteger do frio, afinal era inverno. Tem quem diga que ela achava que estava se sentindo feia.

E os três cachorros da família convivem bem, como outra família dentro da minha família. Melhor dizendo, eles se sentem como membros dela. Afinal, convivem com a família, e como toda boa convivência, sempre tem muito a ensinar. E o que aprendi com isso? Que assim como nós, humanos, sentimos como nós sentimos amados ou rejeitados, os animais, como os cachorros, também sentem as mesmas coisas que nós.

Este texto foi uma tarefa de redação na faculdade que fiz no ano passado, onde eu deveria fazer uma crônica sobre algum fato que acontecia ao meu redor, neste caso, um fato de família. Gostei tanto do texto que fiz que, de uma tarefa arquivada transformei-a nesta postagem no blog.

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