“Se o futuro se parece com o passado, prefiro abrir uma janela para o agora.”
Eu poderia simplesmente deixar essa frase aqui.
Ela já tem alguma coisa acontecendo dentro dela.
Mas talvez valha abrir essa janela um pouco mais.
Porque o que eu quis dizer quando escrevi isso?
Primeiro, não é uma rejeição ao futuro.
Pelo contrário.
Eu gosto de imaginar o que vem pela frente. Projetos, ideias, possibilidades, mudanças. Existe alguma coisa muito interessante em não saber exatamente como será o próximo capítulo.
O problema começa quando a gente imagina o futuro como uma repetição.
Se o amanhã vai ser apenas uma versão atualizada do ontem, com as mesmas escolhas, os mesmos caminhos, os mesmos problemas e as mesmas respostas, talvez ele não seja tão futuro assim.
É só passado usando roupa nova.
E eu não tenho muito interesse nisso.
A gente passa boa parte da vida olhando para trás para entender como chegou até aqui. Faz sentido. A experiência ensina, os erros deixam pistas, as memórias ajudam a construir repertório.
Mas existe um momento em que olhar demais para o retrovisor começa a atrapalhar a estrada.
É aí que entra a janela.
Eu gosto dessa imagem porque janela não é porta.
Você não precisa necessariamente sair correndo.
Pode apenas olhar.
Perceber a luz, o movimento, o que mudou lá fora. Ver uma possibilidade que não estava no roteiro.
Às vezes, abrir uma janela já é uma forma de mudar a perspectiva.
E talvez seja isso que eu esteja dizendo quando falo do agora.
O presente não é apenas um intervalo entre o passado e o futuro.
É o lugar onde a mudança acontece.
É agora que uma ideia vira projeto.
É agora que uma rotina pode ser questionada.
É agora que uma ferramenta nova pode ser experimentada.
É agora que uma criação pode sair do papel.
É agora que podemos decidir que determinada coisa não precisa continuar sendo feita do mesmo jeito.
O futuro não aparece pronto na nossa frente.
A gente vai construindo pedaços dele enquanto vive o presente.
Por isso, às vezes, ficar esperando pelo futuro é uma forma curiosa de não fazer nada.
“Quando eu tiver tempo.”
“Quando o projeto estiver pronto.”
“Quando as condições melhorarem.”
“Quando chegar o momento certo.”
E o agora vai ficando para depois.
Só que o depois também vai virar agora.
E, quando chegar, talvez a gente descubra que continuou esperando.
Talvez a minha frase seja justamente uma provocação contra isso.
Se o futuro que estamos imaginando é apenas a continuação automática do passado, talvez seja hora de interromper o automático.
Abrir uma janela.
Olhar de outro jeito.
Experimentar.
Criar.
Mudar alguma coisa, mesmo que pequena.
Porque não precisamos saber exatamente como será o futuro para começar a construí-lo.
Precisamos apenas não aceitar que ele seja obrigatoriamente igual ao que já passou.
E talvez essa seja a função da janela: lembrar que existe mundo além daquilo que já conhecemos.
O passado pode explicar muita coisa.
Mas não precisa mandar no futuro.
E o futuro pode esperar um pouco.
Eu prefiro abrir a janela e ver o que o agora está tentando me mostrar.











