É BONITO TER NOME FEIO… E BEM LONGO

Tente pronunciar o nome desse cidadão aí:

Brhadaranyakopanishadvivekachudamani

Por incrível que pareça, esse é o nome de uma pessoa (sim, eis a fonte da notícia)! E quem carrega esse nome é um cidadão mexicano que hoje é veterinário, e, para variar, batizou o seu filho com o mesmo impronunciável nome. Brhadaranyakopanishadvivekachudamani, o pai, é filho de um homem insatisfeito com o seu próprio nome, José Refúgio. Ele passou a assinar José R. tempos depois. Aí se casou e teve um filho, e deve ter levado dias para elaborar o nome do seu filho. Brhadaranyakopanishadvivekachudamani seria a combinação dos nomes de dois filósofos hindus, e como José R. estava em dúvida sobre qual dos dois escolher, então vai os dois mesmo.

Brhada (apelido) seria o nome de um filósofo indiano (hindu) cujo nome significa "o homem que se converte ao que faz". Já o nome do segundo filósofo, bem, nem os indianos conhecem. Alguém aí conhece o filósofo Ranyakopanishadvivekachudamani?

Brhadaranyakopanishadvivekachudamani nunca teve maiores problemas com o seu nome. Apenas assinar documentos era problema, tanto que teve de obter um ofício para poder assinar Brhadaranyakopanishadvivekachudamani Erreh Muñoz em carteira de motorista, em título de eleitor, etc. Aliás, Errehmuñoz é a junção de dois sobrenomes: Erreh é o sobrenome que o José R. adotou para substituir o nome Refúgio E Muñoz vem de Muñoz mesmo. Na hora de batizar o filho, Brhadaranyakopanishadvivekachudamani pai fundiu o sobrenome do filho: ele se chama Brhadaranyakopanishadvivekachudamani Errehmuñoz.

Mas no mesmo México onde você encontra Brhadaranyakopanishadvivekachudamani você também encontra uma senhora chamada Maria Zaldívar, de 95 anos. Até aí tudo bem, se ela não carregasse 30 sobrenomes (imagine então na hora de assinar os documentos):

María de la Asunción Luisa Conzaga Guadalupe Refugio Luz Loreto Salud Altagracia Cármen Matilde Josefa Ignacia Francisca Solano Vicenta Ferrer Antonia Ramona Agustina Carlota Inocencia Federica Gabriela de Dolores de los Sagrados Corazones de Jesús y de María Saldivar y Saldivar.

Se isso tudo lembra alguma coisa que você aprendeu em história, que tal o nome de D. Pedro I, que foi registrado assim:

Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon

E o filho do Imperador ainda carregou um nome bem menos extenso, pelo menos em número de sobrenomes. Mas visualmente é extenso:

Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga

Mas eu próprio carrego uma mistura de nomes no meu nome:

José (nome do meu pai) + Vanda (apelido de Arivanda, nome da minha mãe) = Josivandro.

O mais importante é ter orgulho do nome que tem, mas quando isso expõe a pessoa à constrangimentos, aí, o cidadão pode mudar de nome. A lei brasileira prevê que o cidadão que quiser pode ser registrado com um novo nome caso o nome atual o exponha a situações constrangedoras. Depende, evidentemente, de cada caso a ser analisado.

E, na hora que for escolher o nome do seu filho, faça a opção pelo básico. Pense que o seu filho irá ter vida escolar, conviver com pessoas diferentes, que vão decorar o nome dele. Um nome é uma marca que fica para sempre, que pode marcar positivamente, ou negativamente.

Ainda bem que no caso do Brhadaranyakopanishadvivekachudamani, mesmo sendo um nome estranho e quase impronunciável, ele gostou do nome. E ainda o passou como herança para o filho. Aí eu fico me perguntando: Será  que o neto do Brhadaranyakopanishadvivekachudamani também irá  ser batizado com o nome de  Brhadaranyakopanishadvivekachudamani?

E, assim como o mexicano de nome Brhadaranyakopanishadvivekachudamani, também gosto do meu nome. Os meus colegas bem que poderiam me chamar de Jô, Josi, mas me chamam pelo meu nome todo: Josivandro.

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