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Criar em diálogo, não em controle

O que muda quando você cria pensando em diálogo, não em controle?

O que muda quando você cria pensando em diálogo, não em controle?

Pergunta gerada pela inteligência artificial e respondida por mim

Criar, de certa forma, é escutar para entender o que você quer e precisa fazer. Ao longo desta semana, eu falei sobre como a criação pode assumir múltiplos significados dependendo de quem está vendo aquilo que você quer criar. E nem imagina como isso muitas vezes pode ser muito bom para a sua criação, afinal de contas, ela não parou no momento em que você entregou a sua ideia já executada. Ela continua sendo construída por meio das ideias e significados que as pessoas atribuem. Você as deixa participar. Você convida as pessoas a participarem do processo de criação junto com você, afinal, suas ideias inspiram outras ideias.

Primeiro, o que seria criar pensando em controle, ou seja, criar para controlar? Então, criar para controlar é quando você sai com uma ideia pronta na cabeça e o processo inteiro serve para executá-la. O material obedece, o público precisa entender exatamente o que você quis dizer, e qualquer desvio é erro. É uma relação vertical — você no topo, a obra abaixo, o outro do outro lado recebendo. Talvez seja tudo o que você não quer, um desvio qualquer que vá custar o relacionamento com o seu público, mas leve em consideração uma coisa: obras tem múltiplas interpretações. E quando você entender o que é a criação em diálogo, vai entender o conceito que trabalhamos ao longo dessa semana.

E se você quer realmente criar pensando em como as pessoas irão enxergar as suas ideias, ou seja, continuando e até estendendo o conceito inicial que você teve ao criar os seus projetos, pois bem, meu amigo, é aqui que o jogo vira e é aqui que tudo muda. Criar em diálogo é quando você entra no processo com uma intenção, mas deixa espaço para que o próprio ato de criar responda de volta. O material resiste? Isso é informação. O público interpreta diferente do que você esperou? Isso também é parte da obra. A criação deixa de ser uma transmissão e vira uma conversa — com o material, com o tempo, com quem vai receber.

A diferença prática é sutil mas muda tudo. No controle, você protege a ideia original. No diálogo, você está disposto a ser surpreendido por ela. Pensa nos artistas que você mais admira: dificilmente eles descrevem o processo como execução de um plano. Geralmente falam de descoberta, de algo que “pediu para existir assim”, de uma imagem que mudou de direção. Isso não é falta de método, é método que inclui o inesperado como parte legítima. Para quem cria a partir da observação visual, isso tem uma camada a mais: o olhar já é dialógico por natureza. Você não inventa o que vê. Você encontra. A questão é se você leva essa abertura para dentro do processo de criação também, ou se fecha quando começa a produzir.

A arte não nasce de um plano. Ela não é uma coisa planejada. Ela simplesmente acontece. E quando as pessoas criam novos significados, novos atributos e uma nova visão ao que você criou, significa que a arte segue o seu ciclo. Ela não está parada. Ela segue o seu rumo, se movimenta, se redefine, e não precisa de um expert no assunto. Precisa de pessoas, e quando elas atribuem novos significados para a sua arte, elas estão dando cada vez mais vida a sua arte, e é de vida que a arte precisa. Você começa a tratar a dúvida como dado criativo, não como obstáculo. A obra nunca está completamente sob seu comando, e essa é exatamente a parte que a torna viva para quem chega depois.

O primeiro post do dia no Site Josivandro Avelar. Um tema por semana, com uma pergunta por dia sobre assuntos relacionados a arte, cidade e comunicação. Pergunte o que quiser, eu posso lhe responder.

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