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As referências estão por perto

Que lugares próximos de você já se transformaram em referências para alguma criação?
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Que lugares próximos de você já se transformaram em referências para alguma criação?

Pergunta gerada pela inteligência artificial e respondida por mim

Os lugares que eu guardo como referência das coisas que eu crio estão muito mais próximos do que você imagina. Eles não vêm de viagens distantes ou de grandes manifestações artísticas inacessíveis, mas sim de dentro dos muros de casa, num hábito cotidiano que existe desde que a minha casa era totalmente diferente dessa que eu estou agora, mesmo estando fincado no mesmo chão há 38 anos. E como esse chão mudou ao longo de todas essas décadas. Porque ele é o mesmo e não é ao mesmo tempo.

Quem já pisou pelo chão de sua rua, de sua casa, do seu lugar percebeu o quanto ele é diferente, não só o meu, mas o seu também, guardando particularidades únicas e memórias invisíveis que só o tempo é capaz de revelar. Essa percepção se torna ainda mais intensa principalmente para quem passa uma vida toda praticamente no mesmo lugar, acumulando vivências na mesma calçada, e percebe que a vida muda de forma inexorável, a cidade muda ao seu redor com novas construções e fluxos, e a própria dinâmica social e humana se transforma profundamente.

E mesmo que você continue, dia após dia, fisicamente no mesmo endereço e entre as mesmas quatro paredes, a verdade profunda é que o lugar onde você habita já não é mais o mesmo, pois o cenário foi sutilmente reconfigurado pelas marcas invisíveis das estações, das perdas inevitáveis, dos novos encontros e das inegáveis transformações do próprio tempo. Esse espaço que nos abriga é outro completamente diferente, moldado implacavelmente pelo passar dos ponteiros e pelas nossas próprias metamorfoses internas; e é exatamente assim que a roda da vida gira, em um movimento perpétuo.

Afinal de contas, existem lugares que mudam na velocidade de um camaleão — adaptando-se rapidamente às novas realidades, às pequenas reformas de última hora e às idas e vindas de quem passa — mas que, paradoxalmente, permanecem exatamente os mesmos, seja pelas pessoas que os habitam com afeto, pelas memórias afetivas que carregam em cada cômodo ou por tudo aquilo que a gente costuma chamar simplesmente de essência. E é por isso precisamente que as referências que eu busco incansavelmente para o meu trabalho criativo estão muito mais próximas da realidade do que as pessoas costumam imaginar.

Elas residem na mais pura simplicidade e na rotina do dia a dia, no hábito reconfortante de ter plantas espalhadas por todos os cantos possíveis do terraço, respirando aquele verde que acalma a mente e, por tabela, cultivando flores que colorem o ambiente de forma viva, espontânea e cheia de cor. A base das minhas artes tradicionais e digitais são retratos de uma vida que é basicamente a que eu levo na espera de alguma coisa que nunca vem, ou que já está por aqui. Na passagem do tempo dentro do meu lugar.

Essas referências de criação que são a minha base e a minha inesgotável fonte de inspiração estão também presentes e vivas naquele café da manhã que faço questão de tomar todos os dias sem pressa (ou talvez um pouco dela, dependendo do ânimo e do ritmo do dia que variam), desfrutando de uma calma que renova as minhas energias, e que para mim carrega um significado profundamente especial, quase como um ritual sagrado e intocável que me ancora no presente, sobretudo nas segundas-feiras, quando a semana recomeça inteira cheia de novas possibilidades, desafios empolgantes e folhas em branco esperando para serem escritas.

Histórias essas que são bem iguais aquelas que eu preencho pacientemente nos meus cadernos de anotações ou até mesmo nas folhas soltas da minha mesa de trabalho, onde cada traço de caneta, do giz de cera ou do giz pastel, e cada pensamento disperso ganham forma definitiva, transformando-se em projetos reais que refletem a essência de tudo aquilo em que acredito e busco transmitir através da minha arte e do meu cotidiano. É como as coisas acontecem, é como as coisas são. E assim o mundo gira ao meu redor.

É nesse momento de silêncio, enquanto o aroma do café toma conta do ambiente e saboreio cada pequeno detalhe da refeição, que a minha mente finalmente desacelera das pressões cotidianas e encontra o espaço necessário para respirar. Esse hábito simples, porém intencional, funciona como uma âncora emocional, permitindo que eu organize meus pensamentos, visualize as metas que desejo alcançar e cultive a inspiração genuína que vai guiar todas as minhas escolhas, projetos e criações ao longo dos próximos dias.

Talvez a verdadeira inspiração artística esteja, na verdade, espalhada por todos os recantos possíveis do meu canto no mundo, escondida nos mínimos detalhes que muitas vezes acabam passando despercebidos pela correria cega do mundo moderno. E todas essas pequenas cenas do cotidiano, aparentemente banais, acabam se tornando as minhas principais referências criativas justamente por representarem a vida em seu estado mais cru e autêntico, vivida por mim sem edição, sem filtro, sem roteiro ensaiado, refletindo puramente o que eu sou e o que eu vivo, e é exatamente assim que as coisas são.

O primeiro post do dia no Site Josivandro Avelar. Um tema por semana, com uma pergunta por dia sobre assuntos relacionados a arte, cidade e comunicação. Pergunte o que quiser, eu posso lhe responder.

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