Como registrar ideias sem aprisioná-las?
Pergunta gerada pela inteligência artificial e respondida por mim
Quando registramos uma ideia, fazemos uma coisa estranha: transformamos algo vivo (um impulso, uma imagem mental, uma sensação) em um objeto fixo. Palavras, rabiscos, áudios — tudo isso é uma “fossilização”. E aí o que está na anotação já não é a ideia, é o que dela sobrou. Ou que se pode contar de uma ideia que na prática deveria ser viva. O que você mais quer é que a sua ideia seja livre, e essa pergunta é sobre como registrar sem matar a potência generativa de uma ideia. A ideia “aprisionada” é aquela que, quando você volta pra ela, já não te provoca mais nada. Virou conclusão em vez de continuar sendo pergunta.
Muitas vezes, em vez de tentar “guardar a ideia inteira”, você registra só o gatilho, ou seja, a faísca que a gerou. Uma palavra estranha, uma imagem, um contraste que te chamou atenção. Isso mantém espaço para a ideia se reconstituir diferente quando você voltar. Isso acontece direto comigo: eu acredito que eu registrei algo incrível, mas registrei só uma fagulha. No fim, nada daquilo que eu pensei de início foi aquilo que eu entreguei para as pessoas. A ideia que eu tive termina sendo a junção de várias outras ideias que eu tive em algum momento e deixei soltas. Quando as vi, acreditei que elas poderiam funcionar melhor combinadas.
Uma ideia não existe sozinha. Ela existe na relação entre você e um contexto. Se você mudar, ou o contexto mudar, a mesma anotação produz uma ideia diferente. Isso é libertador: o registro não precisa carregar tudo, porque você não é o mesmo leitor sempre. Talvez ideias sejam incríveis justamente por isso: elas não são a mesma coisa o tempo todo: elas são mutantes, elas são maleáveis, elas mudam o tempo todo na certeza de que as coisas estão se misturando, se reorganizando, se entendendo. E como eu bem expliquei anteriormente nesta resposta, geralmente, uma ideia incrível nasce da junção de várias ideias.
O que realmente aprisiona é organizar demais cedo demais. Quando você bota uma ideia numa pasta chamada “identidade visual / projetos / 2025”, ela some. Quando fica solta num caderno bagunçado, continua colidindo com outras coisas e evoluindo. Eu mesmo tinha um monte de ideias soltas no meu drive, num instante em que eu tive um momento mais “explosivo” de criação. Demorei para colocar nas suas devidas pastas. E olha que eu sou uma pessoa organizada, detesto ver as coisas fora do lugar. Mas tem momentos que elas precisam estar jogadas mesmo, mas não por muito tempo, sempre deixo isso claro.
No fim das contas, sobre a arte de registrar uma ideia sem aprisioná-la, dependendo do que você acredite que seja aprisionar uma ideia, eu chego a conclusão de que você não registra a ideia. Você registra a condição que a gerou, e confia que, se essa condição se repetir, algo parecido volta. Diferente, mas vivo. E aí “aprisionar” deixa de ser um problema técnico de método e vira um problema de confiança: você confia o suficiente no seu processo para deixar algumas ideias escaparem? A resposta está em você mesmo, e como você trabalha as suas ideias para, que no fim, elas sejam livres da maneira que você mais quer: colocadas em prática.
#SetePerguntas
O primeiro post do dia no Site Josivandro Avelar. Um tema por semana, com uma pergunta por dia sobre assuntos relacionados a arte, cidade e comunicação. Pergunte o que quiser, eu posso lhe responder.











