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Os desconfortos criativos que sustento

Que desconfortos criativos valem a pena sustentar?

Que desconfortos criativos valem a pena sustentar?

Pergunta gerada pela inteligência artificial e respondida por mim

Essa e uma das mais interessantes que se pode fazer sobre criatividade, justamente porque a resposta não está onde a maioria procura. Talvez ela esteja mais próxima de você e você nem faça ideia de onde ela possa estar. Antes de falar sobre os desconfortos criativos que valem a pena sustentar, é preciso antes de mais nada explicar o que é esse tal de desconforto criativo? Você realmente sente? Você acredita que tenha mesmo um desconforto criativo? Antes de responder, é preciso entender, justamente por isso: a resposta não está no óbvio. Não está onde você esteja pensando. É preciso, primeiro, encontrar a raiz desse desconforto.

E talvez aquele desconforto que a gente sinta nem pareça ser realmente motivado pela incessante busca pela criatividade, porque a gente não descansa até encontrar o ponto certo daquilo que a gente quer tornar realidade. Afinal de contas, estamos sempre desconfortáveis com alguma coisa e não sabemos direito o que é e por que. Desconforto criativo não é aquele momento óbvio de “estou em branco, não sei o que criar”. Esse é conhecido, tem nome, todo mundo identifica. O que poucos percebem é que boa parte dos desconfortos que sentimos no cotidiano são, na verdade, ruídos do processo criativo funcionando — não falhando.

Porque a tentação é sempre resolver rápido. Fechar o arquivo, postar o que está “bom o suficiente”, consumir mais referência pra tapar o vazio. Mas alguns desconfortos são, na verdade, o trabalho mais importante acontecendo. Então, sabe aquele desconforto criativo que ainda não tem nome? Quando você sente que algo está errado mas não consegue dizer o quê — esse é o que mais vale aguentar. É o momento em que o seu olhar está à frente da sua técnica. Resolver rápido significa aceitar uma solução que o seu repertório já sabe que é inferior. Sustentar significa esperar até que a intuição vire linguagem.

Já o gap entre a visão e a execução é um dos desconfortos criativos que vale a pena sustentar. Esse desconforto específico tende a gerar dois comportamentos opostos: ou a pessoa desiste (“nunca vai ficar como imagino”) ou força uma solução prematura. A terceira via, rara, é viver nesse intervalo e continuar tentando versões. É aí que surgem descobertas que a visão original não previa. A insatisfação com o que funcionou antes é quando um estilo, um formato, uma linguagem que você domina começa a parecer pequeno demais — isso é crescimento de repertório criando atrito com o hábito. A armadilha é que o que funcionou antes ainda funciona no sentido prático: gera resultado, engajamento, aprovação.

Projetos periféricos fluem fácil. O projeto central trava. Isso não é procrastinação simples, é o peso do que significa aquele trabalho pra você. Sustentar esse desconforto, sem fugir pra produtividade falsa, é o que separa obra de conteúdo. Sustentar todos esses desconfortos criativos é um modo de recusar a zona de conforto mesmo quando ela ainda produz. E os que não valem sustentar? O desconforto que vem de comparação externa, de métrica ruim num dia sem razão, de opinião de quem não entende o processo. Esses consomem energia sem gerar nada. A distinção prática e mais simples: desconforto que vem de dentro do processo sustenta. Desconforto que vem de fora do processo descarta.

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