O que te faz insistir em algo ainda indefinido?
Pergunta gerada pela inteligência artificial e respondida por mim
Tem coisas que podem nem existir, mas quando elas passam a existir, você entende demais porque insistiu tanto com aquilo. E talvez essa seja uma das perguntas mais difíceis de responder, afinal, o que te faz insistir em algo ainda indefinido? O que faz você insistir no que ainda não tem forma? Talvez insistir no que não tem forma é uma forma. Não no sentido de encontrar uma, mas de dar uma forma única, uma forma que ninguém ainda encontrou para aquilo que não existe, e quando existir, se tornar algo extraordinário, algo seu, algo que seja a sua marca no mundo, que é uma coisa que eu venho buscando tanto.
Quem trabalha com arte insiste no indefinido porque a forma, quando chega, precisa ter sido esperada. Não é obstinação irracional. É uma espécie de fidelidade ao pressentimento, aquela sensação de que algo existe ali, mesmo antes de ter contorno, nome ou função. E essa busca tem um peso específico que a maioria das pessoas não nomeia direito. E eu posso te dizer uma coisa: não é vaidade. É uma necessidade de existir de um jeito que não seja emprestado. O que ainda não existe é exatamente o que não pode ser ensinado. Pode ser orientado, pode ser provocado, mas não pode ser transferido. E isso assusta um pouco, porque significa que você está sozinho nesse trecho específico da criação.
Tem um elemento de escuta envolvido. O artista que insiste no que não tem forma ainda está ouvindo. Está esperando o objeto revelar o que quer ser. E você tenta entender que forma é essa através do que o objeto quer dizer. Você procura incessantemente por essa forma, mas o que é que ela pode ser? Você também tem essa dúvida. Mas tem também uma recusa. Uma recusa em aceitar a primeira forma que aparece só porque ela resolve o problema imediato. A insistência no indefinido é, muitas vezes, uma forma de resistência ao óbvio, ao que já foi feito, ao que é fácil de explicar, ao que o mercado reconhece de cara. E tudo o que você mais quer é sair do que é óbvio.
E existe uma coisa mais íntima ainda: o indefinido mantém o criador dentro da obra. Ele está imerso, ele está mergulhado na sua criação, é uma parte importante dele. Quando algo ganha forma definitiva, ele de certa forma sai dela. A insistência é também um modo de prolongar esse habitar. E o que seria esse habitar? É como viver dentro de uma pergunta antes que ela vire resposta. Talvez o que eu faço todos os dias quando eu respondo essas perguntas, quer sejam as mais fáceis de responder, quer sejam as mais difíceis, que eu vejo e nem sei o que responder, mas que ganham forma conforme eu vou escrevendo.
O que me pergunto é se essa insistência vem mais de uma imagem que ainda não encontrou linguagem, ou de uma sensação que ainda não encontrou imagem. Porque são dois tipos diferentes de espera. E essa espera talvez nem seja longa se a gente se dedicar a encontrar a resposta, mesmo que a gente não tenha intenção de encontrá-la, ela aparece quando a gente menos pode esperar, e talvez essa seja a graça de insistir no que ainda não tem forma, porque a gente dá uma forma única a aquilo que ainda não encontrou a sua. Se a gente está em busca dela, a gente dá forma a aquilo que ainda não tem. E se dá conta de que criou uma coisa incrível.
#SetePerguntas
O primeiro post do dia no Site Josivandro Avelar. Um tema por semana, com uma pergunta por dia sobre assuntos relacionados a arte, cidade e comunicação. Pergunte o que quiser, eu posso lhe responder.











