O reajuste da passagem em João Pessoa para R$ 5,45 virou munição política instantânea. Todo mundo sacou a arma, apontou para a Prefeitura e começou o teatro de indignação. Só tem um problema: moral seletiva não paga passagem. Se os opositores de Cícero Lucena são aliados de João Azevêdo e Lucas Ribeiro, alguém precisa explicar por que o aumento das passagens intermunicipais — em vigor desde o dia 1º — passou praticamente em silêncio. A catraca girou, o preço subiu, e ninguém achou conveniente protestar. Estranho, né?
Do outro lado do tabuleiro, os opositores do governador e seus aliados, especialmente os que orbitam Efraim, também encontraram no reajuste de João Pessoa um prato cheio para discurso inflamado. Mas essa indignação dura pouco quando se olha para Campina Grande. A gestão de Bruno Cunha Lima também reajustou a passagem. Mesmo dia, mesmo contexto, mesmo impacto no bolso de quem depende do transporte público. E aí? A crítica evapora ou muda de alvo conforme a conveniência?
O ponto central não é só o aumento — que já é grave por si só em qualquer cidade onde o transporte público pesa no orçamento de quem ganha pouco. O ponto é o jogo combinado de silêncio e barulho seletivo. Em João Pessoa, no sistema intermunicipal e em Campina Grande, há um elemento em comum que todo mundo finge não ver: a maior empresa de transporte do estado opera nos três sistemas. Mesma lógica, mesmos interesses, mesmos contratos. Mas, curiosamente, cada grupo político age como se estivesse falando de realidades completamente diferentes.
No fim das contas, o debate público vira isso: não se discute modelo, não se discute qualidade, não se discute monopólio, não se discute transparência. Discute-se quem vai usar o aumento como arma retórica da semana. Enquanto isso, o usuário segue pagando mais caro, espremido, esperando ônibus e assistindo a um teatro onde quase ninguém tem autoridade moral para apontar o dedo para o outro. A catraca gira. A hipocrisia também.











