Você ainda tem o objetivo de trabalhar para uma agência ou veículo ou acredita que já não te atrai mais?
Pergunta feita por este editor
Para quem olha de fora, sempre pensa a mesma coisa: quando se faz um curso de uma determinada área, você visa um emprego numa empresa grande, de renome, que vai ser a sua realização profissional, afinal, você trabalha com a carreira com que mais se identifica. Todo mundo pensa isso: eu vou fazer uma faculdade, eu vou ter um emprego extraordinário. Vai ser fácil, dizem. Mas deixa eu te contar uma coisa que talvez só quem esteja numa faculdade, e não importa qual faculdade seja, qual curso seja, saiba de verdade: quando quem olha de fora passa para o lado de dentro, percebe que os negócios não são as maravilhas que se imagina.
Antes de prosseguir com a resposta, vamos diferenciar agência de veículo? A agência é quem cria campanhas publicitárias: ela é remunerada para criar projetos dentro daquilo que os clientes pedem, e isso traz mais liberdade criativa porque todos trabalham de forma conjunta. Já o veículo é o veículo de comunicação, uma empresa jornalística. Ela sobrevive de anunciantes, que são as empresas que contratam campanhas por intermédio de agências, que é também quem faz a ponte entre o anunciante e o veículo. Pontos de audiência, por exemplo, não são somente medidores de popularidade: são parâmetros que precificam um intervalo comercial. Assim como as tiragens dos jornais ou as visualizações de um site.
Eu entendo que um emprego em uma agência ou veículo é mais uma questão de consequência do que de objetivo. Todo mundo quando entra num curso superior tem um objetivo concreto, mas sabe como é: não tem espaço para todo mundo, e muita gente fica de fora. E o mercado sabe muito bem quem colocar dentro e fora, parece que são sempre os mesmos perfis e regras, e se você não se enquadra nesses perfis e regras, você é carta fora do baralho do mercado, não importa qual seja a sua qualificação, não importa quais sejam as suas credenciais. Tem muitos perfis de pessoas com qualificação ótima que estão fora do mercado de trabalho.
Hoje eu posso dizer que esse é o meu objetivo? Creio que não me atrai mais. Mas sempre se pode considerar, e isso depende muito da agência ou veículo que entender o princípio de liberdade criativa, que precisa ser diferente de ser o cérebro do dono. A agência me atrai mais por ser uma coisa vários em um, onde ela pode trabalhar com os projetos que quiser. O veículo é uma coisa “cérebro do dono”, que finge que te dá liberdade criativa, mas na verdade a liberdade é você emprestar sua voz e sua opinião para o dono do veículo, que se não for a mesma da dele, te exclui. A agência me atrai mais nesse sentido, veículo não me atrai em absolutamente nada.
Veículo de comunicação, eu criei o meu. Porque aqui eu tenho uma liberdade criativa que eu não encontraria em nenhum outro lugar, e eu seria a pessoa que contestaria a liberdade criativa que um veículo de comunicação diz oferecer. Talvez me desse melhor em uma agência do que em um veículo de comunicação, mas são ambientes e ambientes. E hoje em dia, conforme o tempo passa e as portas que eu encontro se fecham, estar em ambientes assim terminam sendo coisas que não me atraem mais. Afinal, não se trata apenas de escolhas, mas também do estilo de trabalho que eu quis seguir. E eu prezo bastante pela liberdade criativa plena.
#SetePerguntas
O primeiro post do dia no Site Josivandro Avelar. Um tema por semana, com uma pergunta por dia sobre assuntos relacionados a arte, cidade e comunicação. Pergunte o que quiser, eu posso lhe responder.