Concretizada há um ano, a conquista de um quarto próprio marca o início de uma nova rotina e de uma revolução criativa. A transição para um ambiente individual permitiu melhorias na privacidade e produtividade. Reformas físicas e novos equipamentos possibilitaram a retomada de projetos e a produção de conteúdos audiovisuais de forma dedicada. É sobre ter e estar no seu lugar.
Ter um lugar dedicado é fundamental para a definição da identidade e para o amadurecimento pessoal. O espaço próprio serve como base para construir um futuro criativo, transformando o ambiente doméstico em um centro de trabalho. Essa mudança representa o primeiro passo consolidado para realizações maiores e mais ambiciosas. E muito ainda está para ser realizado.
Sabe quando as coisas mudam e se tornam parte da rotina? Pois é, rotina é uma coisa louca: quando você acha que as coisas não vão mudar, eis que elas mudam, e viram… Rotina. Demorou para eu ter um quarto próprio, mas agora é rotina. Demorou para eu trabalhar em um ambiente dedicado, agora é rotina. Ter e estar no seu lugar importa muito. E há um ano, o que antes era apenas um sonho passou a ser rotina. O primeiro passo para passos maiores que eu resolvi chamar de revolução criativa.
No dia 7 de junho de 2025, pude realizar um sonho de infância, que só foi possível por causa de um outro sonho: o da minha irmã de ter a sua casa. A partir desse momento, ficamos sendo três: minha mãe, meu irmão e eu, e a casa tem três quartos. Até o dia 7 de junho de 2025, dividia o quarto com meu irmão, e com a mudança da minha irmã, o quarto dela sobrou, o meu irmão ocupou, e o quarto que eu já estava instalado passou a ser só meu desde então. O plano foi traçado com um ano de antecedência, e colocado em prática na noite daquele dia 7.
A partir daí, o quarto começava a perder a cara de “coletivo”. Depois de 20 anos dormindo em um beliche que eu não gostava, passei a ter uma cama. Ok, a primeira era o próprio beliche com a parte de cima – onde até então eu dormia – desmontada, ficando a parte de baixo como cama por pelo menos dois meses, e no meio de tudo isso, teve a emergência médica mais crítica pela qual eu já passei até aqui. Depois de tudo isso, enfim veio a cama definitiva. E antes disso, as paredes verdes passaram a ser azuis. Bem antes disso, me livrei da porta de vidro, tendo uma porta de madeira implantada.
Com toda a privacidade necessária garantida, pude enfim gravar episódios em vídeo para o Luneta Sonora. Lá se foram 45 episódios e contando. As melhorias de produtividade começaram a ser mais significativas, afinal de contas, tendo o seu lugar você pode trabalhar de uma maneira mais dedicada. O computador passou a ter um monitor próprio. Consegui um software de vetores com o Affinity. Pude retomar alguns trabalhos que até então eu não fazia. Muitas coisas começaram a ficar melhores, embora ainda precisem amadurecer.
E muita coisa, de fato, precisa amadurecer. Preciso recuperar o que foi perdido nesses anos, porque muita coisa foi perdida. Preciso trazer as experiências que eu acumulei. As coisas que me fizeram ser o que sou hoje. Talvez elas sejam mais completas aqui dentro. Ainda quero deixar as paredes com a minha cara, já que o mínimo que eu fiz foi pintar as paredes de azul. O quarto hoje tem a minha cara. Mas ele pode ser muito mais. Mas eu garanti o meu pedaço de terra. É pouco, mas importa muito.
Ter o seu lugar é muito importante. Estar no seu lugar te define como você é. E quando você soma essas duas coisas, você se dá conta do tamanho do trabalho que você teve e que ainda vai ter. E que o seu trabalho visa melhorar tudo isso. É a minha cara. E é como eu quero que as coisas sejam, porque do lugar onde um dia já foi uma fábrica de alpercatas, está sendo um lugar onde primeiros passos sempre hão de ser rotina. E tendo um lugar para chamar de seu lugar, eu posso construir um futuro cada vez mais criativo e promissor. E eu posso dizer que este é apenas o começo.










