Como o silêncio também participa da comunicação?
Pergunta gerada pela inteligência artificial e respondida por mim
A comunicação pode falar muito sem dizer nada. O que você lê é algo que não grita. Mas o silêncio não é vazio, é uma escolha. E toda escolha carrega intenção, no sentido que o silêncio é mais barulhento do que você pode imaginar. O silêncio, mesmo quando não quer dizer nada, diz muito, e isso é uma linguagem que comunica. Por si só, o silêncio participa da comunicação no sentido justamente de gritar o que a gente quer ouvir, e muitas vezes não tem oportunidade de falar. É como se a gente desse a oportunidade para cada um que vê a mensagem de “prosseguir” a criação que ele está vendo naquele momento, de completar onde ele acredita que pode completar.
Afinal, o silêncio não é o fim da frase. É onde a frase continua dentro de quem lê. E essa frase é como todas as coisas que a gente faz e que a gente acredita que ela está absolutamente liquidada, quando na verdade tudo na vida é uma obra aberta. E quero responder essa pergunta indo um pouco nas direções perceptiva, visual e emocional. Pelo lado perceptivo, queria trazer o conceito de co-autoria involuntária, com o receptor virando parte da mensagem. Algo que vai na linha das múltiplas percepções da comunicação que eu venho tratando. Pelo lado visual, o silêncio visual que direciona e diz muito. Pelo lado emocional, as diferenças do silêncio que acolhe e exclui.
O lado da percepção abre o conceito: o silêncio como espaço de interpretação, onde a mensagem não termina em quem fala, ela começa em quem recebe. A co-autoria involuntária é uma ideia poderosa porque inverte a lógica — normalmente pensamos que comunicar é transmitir, mas o silêncio revela que comunicar é também permitir. Você deixa lacunas e o outro as preenche com a própria história, referência, estado emocional. A mensagem se multiplica. Você já não tem mais o controle daquilo ali, você jogou para o mundo, e o mundo moldou a mensagem que você deixou da maneira que cada indivíduo que recebeu a enxerga.
O lado visual, o lado do design, confirma isso de forma concreta. O espaço negativo não é o que sobrou — é o que foi escolhido. Quando uma peça visual tem respiro, ela não está dizendo menos, está dizendo de outro jeito. O olho segue o vazio tanto quanto segue o elemento. E isso tem uma consequência interessante: marcas que dominam o silêncio visual tendem a parecer mais seguras de si, porque não precisam preencher tudo para existir. Elas não precisam falar literalmente o que significam: podem falar sem palavras, porque as suas qualidades e sua percepção já falam por si só, mesmo que nenhuma palavra seja dita.
O lado emocional fecha com profundidade porque humaniza o conceito. O silêncio que acolhe cria espaço pra outro entrar. O silêncio que exclui fecha a porta sem avisar. A diferença entre os dois muitas vezes não está no silêncio em si — está no contexto, na relação, em tudo que veio antes. O mesmo gesto lido por pessoas diferentes vira mensagens opostas. Isso conecta de volta à co-autoria: quem recebe o silêncio traz consigo o que vai ler nele. É o que vai fazer as pessoas entenderem se elas se sentem incluídas pela mensagem que foi transmitida ou não. E elas sabem perceber quando alguma coisa as acolhe ou exclui.
A comunicação pode gritar, mesmo que você muitas vezes nem consiga ouvir. Ela vai gritar no meio do silêncio, ela vai ser o barulho que só você consegue ouvir. E de uma forma isolada e mesmo simplista, é insuficiente para explicar, por isso é fundamental entender o que o silêncio quer dizer e como ele vai dizer. O silêncio é uma forma de comunicação, e isso pode ser explicado, como acima, pelos lados perceptivo, visual e emocional. Entendendo os pensamentos e até mesmo os sentidos do nosso corpo. As três direções juntas dizem algo que a pergunta já intuía: o silêncio não é passivo. Ele age. Só age de dentro pra fora.
#SetePerguntas
O primeiro post do dia no Site Josivandro Avelar. Um tema por semana, com uma pergunta por dia sobre assuntos relacionados a arte, cidade e comunicação. Pergunte o que quiser, eu posso lhe responder.













