Image

Erro urbano e referência estética

Como o erro urbano pode virar referência estética?
,

Como o erro urbano pode virar referência estética?

Pergunta gerada pela inteligência artificial e respondida por mim

Antes de eu começar a responder essa pergunta, procurei saber exatamente o que seria um erro urbano. Ele raramente é um erro de cálculo matemático. Um erro urbano é, na maioria das vezes, o descompasso entre o que foi planejado no papel e como a vida realmente acontece na rua. A calçada que deveria ter um tamanho, mas vai encurtando, o emaranhado de fios nas ruas, a discrepância arquitetônica, enfim, um erro urbano é um conjunto de coisas que a gente enxerga e a princípio não vê sentido nenhum, mas no fim define como é que a gente vive e como a gente vive, que vai além do que é planejado, sem terem combinado com quem realmente vive a cidade.

O erro urbano é o atalho que a gente quer pegar em um terreno aberto, sem seguir o curso da calçada, o caminho que se desenha na grama por causa disso. Sabia que esses caminhos que a gente molda em um gramado tem nome? “Caminhos de desejo”. O plano é que você ande pela calçada, mas você quer pegar um atalho para chegar mais rápido. Talvez essa seja uma das referências estéticas mais visíveis que vem dos erros urbanos, porque elas dizem respeito ao caminho que as pessoas querem seguir, e não o caminho que planejaram para a gente. Isso te lembra alguma coisa que você já leu aqui um dia?

Talvez sim, você já deve ter visto esse raciocínio por aqui, porque se a gente cria os nossos próprios caminhos, era assim que a cidade deveria funcionar em um plano macro. O caminho que planejaram para a gente e o caminho que a gente quer seguir de verdade é meio que o conceito da “cultura do arrodeio” que eu defini o transporte público de João Pessoa – e eu venho ultimamente juntando um monte de fontes para dar base a minha teoria. O incômodo não deve ser só pelo que você paga, mas pelo que você anda a mais do que deveria. Você apenas quer ir ali. Mas termina andando três vezes mais para chegar apenas até ali.

Os erros nos ajudam a entender para onde a gente realmente quer ir e por onde quem planeja quer nos levar. Nos ajudam a entender que o que a gente precisa, muitas vezes, é de tempo e de lógica para que as coisas funcionem da maneira como a gente gostaria, e nem sempre o que se planeja é o que Tudo seria ótimo se a gente seguisse regras, mas a gente apenas quer economizar tempo, não se atrasar no trabalho, chegar em casa, descansar. A gente, muitas vezes, não tem tempo para as regras da cidade, só quer seguir as regras que realmente nos interessam, afinal, no trabalho e em casa existem regras. E a gente tende a cumpri-las com mais rigor.

Se os erros nos definem como pessoas, erros também definem uma cidade. Um prédio abandonado e sem função, uma parede mal pintada e pichada, um elemento que muitas vezes nos incomoda, diante da visão que a gente tem de uma cidade que deveria funcionar de forma perfeita rua por rua, calçada por calçada. Erros urbanos viram referências estéticas, diante da identidade da cidade, e talvez só assim seja possível chamar atenção das pessoas para aquilo que muitas vezes elas prestam atenção pelo incômodo no cenário. Que sempre existe, dá para minimizar, transformando o que é erro em solução, e solução em referência.

O primeiro post do dia no Site Josivandro Avelar. Um tema por semana, com uma pergunta por dia sobre assuntos relacionados a arte, cidade e comunicação. Pergunte o que quiser, eu posso lhe responder.

Avatar de Josivandro Avelar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Antes de deixar o seu comentário, leia a Política de Comentários do site.

Assine A Luneta

Receba os posts do site em uma newsletter enviada às segundas, quartas e sextas, às 8 da manhã.

Junte-se a 9 outros assinantes
Sair da versão mobile