# Um sistema que não acompanha o crescimento de uma cidade é um sistema ruim

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- Published: 2021-12-16T21:05:00-03:00
- Author: Josivandro Avelar

[Na minha coluna da semana passada](https://onibusetransporte.com/2021/12/09/o-sistema-nao-e-apenas-o-veiculo-e-se-apegar-a-memoria-nao-ajuda/),
falei sobre como o sistema de linhas de João Pessoa se ampara em um modelo radiocêntrico,
que faz as linhas saírem das pontas da cidade para o Centro, ignorando o meio do
caminho. Mas que muitas pessoas não reclamam pelo apego que tem com os números de
linha e acham que só comprar ônibus vai resolver os problemas. Não vai. E aqui vai
mais uma demonstração de como esse modelo é ruim.

O Bairro das Indústrias é dependente de três linhas: 104, 115 e 1001. Em todas elas
o morador do bairro tem que passar pelo Centro se quiser ir a algum outro ponto 
de interesse, como shopping, universidade, enfim. O estudante universitário antes
da pandemia passava quase meia hora dentro de um ônibus para poder chegar ao destino.
A demora para esperar um ônibus conta, mas estar dentro dele também conta, porque
as linhas têm poucas faixas exclusivas e na maioria de seus itinerários, pega congestionamento.
Isso irrita tanto quanto esperar. Estar dentro de um ônibus não é bem a garantia
de segurança de que você chega na hora, ainda mais quando você compartilha o trânsito
com outros veículos.

E leve-se em conta que o Bairro das Indústrias está em acelerado crescimento. O 
ponto final já não atende mais as necessidades do bairro. Quando ele foi transferido
para o Cidade Verde, ali era o último limite do bairro. Mas ele cresceu e ganhou
mais duas etapas. E os ônibus não atendem com eficiência elas. Uma hora vai acontecer
do terminal ser transferido de novo para o limite do Cidade Verde. Mas vai um _spoiler_:
as reclamações vão continuar.

O planejamento básico para uma situação como essas é esticar as linhas que já existem,
e aí é que reside o problema. O ônibus sairia cheio, não consegue mais atender com
eficiência quem mora no meio (e onde até então já fora ponto final), e por fim chega
cheio no corredor. Não consegue mais atender ninguém. Nem colocar mais ônibus resolve,
porque o problema está no modelo da linha, e não nos ônibus. Você pode esticar e
aumentar, mas os problemas vão continuar. E maiores do que já estão. As soluções
para o crescimento da cidade sempre são feitas assim: de forma paliativa, remendando
ainda mais uma estrutura ultrapassada.

Isso mostra o quanto o sistema da década de 1970 não conseguiu prever o crescimento
acelerado da cidade nem muito menos a dinâmica de trabalho das pessoas. Ainda é 
necessário passar pelo Centro para ir a lugares próximos de onde você mora, estando
longe do próprio Centro? É exatamente onde a cidade cresce que é necessário se pensar
fora da caixa. E se continuar assim, não é com mais ônibus que se vai resolver. 
São mais veículos presos no trânsito, e passageiro dentro de um ônibus lotado preso
no engarrafamento se irrita na mesma proporção quanto aquele que ainda está esperando.

#### Bônus

Eu tenho um _podcast_ chamado Luneta Sonora, onde você pode ouvir de tudo sobre 
qualquer assunto que eu domine. E é claro que esta coluna mereceu um episódio especial
por lá, o de número 016, que já está no ar. Você pode escutar o _podcast_ na sua
plataforma de áudio preferida – [os links estão neste site especial](https://lunetasonorapodcast.wordpress.com/).

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