# Um mês sem pôr o pé para fora

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- Published: 2020-04-18T22:43:00-03:00
- Author: Josivandro Avelar

Hoje é 18 de abril, e faz um mês que eu estou dentro de casa em isolamento social.
Um mês que não coloco o pé para fora de casa. Mas sabe que já tô acostumado com 
isso? É por mim, é por todos, é para estar aqui, pois tenho consciência da minha
necessidade de sobrevivência.

A última saída de casa foi para comprar um suco em pó no supermercado no dia 18 
de março. Uma dessas idas comuns ao supermercado que hoje já equivalem a sair de
madrugada com ladrões a espreita. Hoje esses “ladrões” são invisíveis, microscópicos,
e querem roubar o que você tem de mais precioso e mais valioso.

E então, de 18 de março em diante nunca mais saí daqui. Começou a quarentena. Aquilo
que em janeiro parecia surreal ver em Wuhan, na China, onde a pandemia do COVID-
19 começou, começava como uma onda – ou seria um tsunami? – a chegar tão perto, 
tão perto, hoje está perto demais.

[Por aqueles motivos anteriormente explicados](https://josivandroavelar.com.br/nada-sera-como-antes-para-mim/),
não posso por ora sair daqui de dentro – e também por ora nem adianta insistir, 
aqui vou ficar, aqui tenho que ficar. Não quero por enquanto colocar o pé para fora
de casa. Preciso desse tempo. Tempo suficiente para tentar achar o equilíbrio, produzir
e reforçar o que necessário for para o trabalho, que por já ser _home office_, me
permite sobreviver aqui até se não houvesse pandemia.

##### Todos se ajudam em casa

Como dizia no Twitter, a minha família é uma verdadeira cooperativa, todo mundo 
se ajuda. Se eu precisar comprar alguma coisa para alimentação, faço uma lista de
compras e peço ao meu irmão para ir. Sair como eu saía como antes não farei tão 
cedo. E do nada o que era normal de repente deixa de ser normal.

Nem sei como eu tô me equilibrando, mas eu tô me equilibrando. Quem me acompanha
desde um bom tempo sabe do meu TOC. E talvez nem saiba como eu consigo abstrair 
o transtorno, fazendo um exercício para jamais repetir e jamais exagerar. O que 
foi feito uma vez, já está feito, por isso não posso e nem tenho necessidade de 
repetir. É isso que coloco na cabeça: **Josi, você já fez isso!**

A própria atividade de site é e não deixa de ser terapêutica. Tô aqui escrevendo,
mexendo em alguma coisa, até construindo ideias novas. O que será que pode sair 
daqui? O mundo está mudando e essa é a maior mudança que estou presenciando. E veio
do nada. Sem medo, sem pânico. Só preciso tomar cuidado.

É necessário se manter saudável, pois mortos não compram, mortos não consomem. Vivos
estamos e estaremos para reconstruir e recomeçar. Seguro o suficiente para colocar
um pé para fora.

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