# Tudo feito de todo jeito (e ninguém sabe de nada)

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- Published: 2024-05-06T20:50:00-03:00
- Author: Josivandro Avelar

De tédio ninguém morre por aqui, mas de raiva quem sabe. Pois bem, voltamos a novela
de meio século da Feira do Rangel sem esperar a quinta-feira para falar dela, porque
o assunto do dia está mais quente do que os paus que queimaram na entrada da feira
hoje de manhã. Tudo isso porque os comerciantes foram surpreendidos pelo corte de
energia dos pontos, sem tempo para desocuparem-os. É aquela sensação de que tudo
foi feito de todo jeito. Aliás, teve tempo? Houve negociações? O que a gente não
sabe? Porque ninguém conta nada. E eu fico aqui perdido que nem cego em tiroteio
sem saber o que dizer.

Para começar, um ano foi tempo suficiente para a Prefeitura de João Pessoa fazer
um plano de logística e realocação para os comerciantes da feira, sabendo que próximo
dela não existe espaço que abrigue todos eles em segurança. Aparentemente isso não
foi feito, e para dizer que fizeram alguma coisa, plantaram aquelas 14 tendas (sim,
eu contei uma por uma) que eu vivo falando em toda minicoluna. Só que a resistência
dos comerciantes é lógica, já que ficariam no meio da rua sem saber quando é que
a reforma termina, afinal, todo mundo sabe o quanto obra pública demora, afora o
temor de do nada a obra parar e eles ficarem no prejuízo.

Agora vamos ao que aconteceu hoje: a energia de vários pontos foi cortada, ao que
parece sem aviso algum (conta-se que foi na calada da noite), e deu no protesto 
visto hoje na 2 de Fevereiro. Há relatos de comerciantes que tiveram prejuízos como
perda de produtos perecíveis e a lógica inviabilidade de fazer coisas básicas sem
energia. O resultado foi um protesto com direito a queima de paus fechando a rua,
para ver se desse modo chamam a atenção da Prefeitura. Lembra que eu disse que não
sabemos se existe conversas sobre planos de logística e realocação? Talvez o que
houve hoje seja a resposta dessa pergunta.

É fato que não existe no Rangel nenhum terreno como esse que permita realocar todo
mundo ou quase (é um bairro adensado, lembrem-se se não sabem ou não conhecem), 
e muitos dos que estão lá estão há décadas. Em um ambiente de bom senso, se faria
algo em etapas, mas optaram por fazer tudo de uma vez, desde que nada estivesse 
ali. Fizeram isso no Mercado Central mesmo ele nunca tendo sido concluído. Fizeram
etapas. Não é simplesmente só retirar de uma vez. Se é lógico também que da maneira
que está não pode ficar, essa transformação tem que ocorrer respeitando essas limitações.

Eu sei que vai ter ou já teve certas pessoas e políticos se aproveitando dessa situação.
Mas no meu lugar de fala, não vou me esquecer que lá atrás vocês sabiam disso por
participar de gestões anteriores e não fizeram nada, porque nunca trataram o bairro
como prioridade e isso é da natureza da classe política pessoense como um todo, 
afora aqueles que nunca se preocuparam conosco como moradores. Afinal, estamos falando
de um equipamento cinquentenário onde os próprios comerciantes fizeram ao longo 
dos anos as suas próprias estruturas, muitas vezes fazendo aquilo o que as gestões
deixaram de fazer. Este é um problema entre nós como comunidade e a gestão.

Eu espero não só ter notícias, mas saber no mínimo se existem negociações. Porque
eu nunca vi uma intervenção tão radical como essa ser feita sem diálogo. É lógico
que ninguém se opõe a qualquer tipo de intervenção que porventura venha a trazer
melhorias, que não seja feita de todo jeito, e uma coisa eu peço a algum comerciante
que esteja lendo: fiscalizem a obra se obra houver, formem uma comissão, postem 
nas redes sociais e acompanhem o que tiver que acompanhar, solicitem modificações
no projeto se necessário, pressionem para participar, ficar em cima mesmo. E qualquer
coisa me avisem, porque é necessário entender o que está sendo feito e se houve 
avisos.

Cá estamos acompanhando tudo isso com as (poucas) informações que chegam, porque
se o comerciante não é informado de nada, imagine a gente que tenta relatar para
as pessoas o que está acontecendo. Sem saber como o roteiro dela está sendo escrito,
se é que existe um roteiro, a novela continua. A Prefeitura só não precisava tentar
acelerar o fim dela daquela maneira.

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