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O que a cidade me ensina

O que a cidade te ensina quando você para de tentar controlá-la?
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O que a cidade te ensina quando você para de tentar controlá-la?

Pergunta gerada pela inteligência artificial e respondida por mim

Você consegue controlar a cidade onde você mora? Talvez você acredite que sim, observando todo espaço público e pensando: porque ele é assim e porque eu não consigo ter controle sobre aquilo que eu quero que melhore? Você depende da boa vontade das autoridades para que as coisas melhorem, e se essa resposta não aparece, você busca tentar melhorar da sua maneira. Mas você não consegue controlar a cidade, afinal de contas, as coisas dependem de decisões que não cabem só a você entender. As coisas são assim. Talvez esse seja um dos maiores aprendizados que a cidade pode te trazer: o de que você não consegue controlar.

Ok, você não consegue controlar a cidade, mas você pode ser uma voz ativa. Não uma voz que seja a voz de quem nunca ligou em ouvir e só aparece de quatro em quatro anos fingindo que ouviu as vozes da cidade para conseguir um cargo público. Não, não quero ser essa voz. Eu quero pensar numa voz ativa como uma voz que vive a cidade e não uma voz que vive na cidade. Não quero pensar na cidade em um cenário onde eu simplesmente sou um mero figurante. Quero pensar numa cidade onde todos nós somos protagonistas das nossas próprias histórias e que cada movimento que nela acontece, de certo modo, tem a nossa influência.

A cidade é isso, um laboratório urbano. Toda observação que a gente faz sobre a cidade é sobre isso, como a gente vive a cidade de uma certa forma. E como a gente vive a cidade de uma maneira que precise e seja uma voz ativa. A gente precisa entender que não tem o controle sobre tudo e a cidade se molda, ela é um organismo vivo feito de pessoas que acreditam que podem controlar tudo, mas na verdade só conseguem em sociedade. Todos juntos em uma só voz. Um ruído que se ouça a distância. Um ruído que precisa incomodar para falar o que deve ser dito, mas não um ruído que parta de quem nunca ligou para a voz que a cidade ecoa.

Quem me dera que eu pudesse ter uma voz mais ativa para, de certa forma, controlar o lugar onde eu moro. Quem me dera que cada um pudesse ter essa voz, essa capacidade de observação, a capacidade de gerar um ruído em bom sentido. A de ocupar cada espaço público da nossa maneira, sem largar, sem abandonar, sentir que cada espaço é um elemento fundamental de memória. Da nossa memória. Da memória que a gente cria e transmite de geração em geração. Talvez eu esteja buscando isso, sem tempo a perder, sem perder a oportunidade que eu mais quero ter de controlar alguma coisa, se é que isso é realmente possível.

É isso que a cidade me ensina. Ela me ensina a entender a sua dinâmica. A dinâmica que a gente faz e que de certa forma é como a gente controla a cidade. Ela pode fugir do nosso controle, mas a gente está no controle e pode ser mais voz ativa do que somente ouvir o que os outros tem a falar, mas muitas vezes pouco ou quase nada tem a contribuir. Talvez seja isso que eu esteja buscando: a voz das pessoas, a força de vontade delas em mudar e ser uma parte importante. Será que eu consigo encontrar? Talvez sim. Enquanto isso, eu procuro ser a voz ativa que eu posso ser, na certeza de que tem coisas que são muitas vezes impossíveis de se controlar.

O primeiro post do dia no Site Josivandro Avelar. Um tema por semana, com uma pergunta por dia sobre assuntos relacionados a arte, cidade e comunicação. Pergunte o que quiser, eu posso lhe responder.

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