# Memória que se sente

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- Published: 2025-10-06T22:26:16-03:00
- Author: Josivandro Avelar

### Um som ou cheiro já trouxe de volta uma memória que virou inspiração criativa?

##### Pergunta gerada pela inteligência artificial e respondida por mim

A memória é comumente conhecida por ser o resultado das coisas que a gente se lembra,
e só isso. O que está dentro da nossa cabeça e a gente vê sem mesmo ver, afinal,
é da visão que vem a maior parte das nossas lembranças de tudo aquilo que nos encantou.
Mas a visão é um dos cinco sentidos do corpo humano, e a memória não se compõe somente
dela. O olfato, o paladar, a audição também são capazes de gravar memórias que são
acionadas quando a gente sente, come, ouve. Um cheiro de uma comida especial que
nunca mais você comeu, um som que te marcou, coisas que só você consegue sentir 
na sua memória.

Sabe aquele cheiro da sua comida preferida? A playlist da época em que você era 
criança? O ruído de um carro, de um ônibus que você pegava, que é diferente daqueles
de hoje, muita coisa fica na memória e quando você ouve, sente, come de novo, memórias
incríveis vem à sua mente. Esses são alguns exemplos de memórias que vem dos sentidos,
de todos eles. Até mesmo o cheiro de chuva traz uma inspiração criativa, que me 
faz lembrar não apenas o meu próprio lugar de anos atrás, mas também me faz lembrar
de lugares onde eu já estive. Quantas vezes o cheiro de chuva não inspirou ideias
incríveis que eu tive?

Posso exemplificar exemplos de como as memórias que os sentidos criam influenciam
na minha criação. O café das segundas-feiras é o resultado de um aroma que fica 
na memória e que lembra uma segunda-feira calma depois de um domingo agitado em 
que você não fez nada e precisa se ocupar. Assim como hoje, ficou a saudade do fim
de semana e a certeza de que o próximo será melhor, só que para isso, você precisa
percorrer a semana inteira. E o começo sempre é calmo, e o que fica é o aroma do
café, que significa a energia que você precisa para encarar uma semana inteira. 
E quando a gente fala em café, não é só a questão do próprio aroma, é do sabor também.

As flores que desenho hoje são resultado de um jardim que já foi frondoso um dia
na minha casa. E que já foi mais ainda na década de 1990, quando o jardim de casa
era muito mais verde e muito mais colorido como o jardim de hoje, que precisa recuperar
essa vivacidade que já teve um dia no espaço que atualmente tem. Elas são o produto
da memória afetiva, que está na visão, no tato e no olfato. E que são o parâmetro
das cores que eu uso nos meus projetos, quando eu quero testar combinações. Essa
é uma coisa que eu sempre gostei de fazer desde os tempos das _all type arts_ na
década passada: combinar fontes, combinar flores, criar e ao mesmo tempo antecipar
tendências.

As memórias são produto do nosso tempo. E se a gente sente, a gente tem saudade.
Mas sabe muito bem que o que deu certo naquele tempo, deu certo naquele tempo. E
hoje, as coisas são totalmente diferentes. Deixa a geração de hoje criar as suas
próprias memórias com base nas vivências do hoje. O que a gente viveu, a gente viveu.
E como dizem, esses são tempos que não voltam mais, afinal, a gente ainda está aprendendo
a entender a dinâmica do tempo e como ele passa para cada um. Afinal, ainda estamos
aqui, criando memórias, e ajudando as novas gerações a manterem vivas as memórias
dos nossos tempos.

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