# Eu insisto no que ainda não tem forma

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- Published: 2026-02-23T22:30:31-03:00
- Author: Josivandro Avelar

### O que te faz insistir em algo ainda indefinido?

##### Pergunta gerada pela inteligência artificial e respondida por mim

Tem coisas que podem nem existir, mas quando elas passam a existir, você entende
demais porque insistiu tanto com aquilo. E talvez essa seja uma das perguntas mais
difíceis de responder, afinal, o que te faz insistir em algo ainda indefinido? O
que faz você insistir no que ainda não tem forma? Talvez insistir no que não tem
forma é uma forma. Não no sentido de encontrar uma, mas de dar uma forma única, 
uma forma que ninguém ainda encontrou para aquilo que não existe, e quando existir,
se tornar algo extraordinário, algo seu, algo que seja a sua marca no mundo, que
é uma coisa que eu venho buscando tanto.

Quem trabalha com arte insiste no indefinido porque a forma, quando chega, precisa
ter sido esperada. Não é obstinação irracional. É uma espécie de fidelidade ao pressentimento,
aquela sensação de que algo existe ali, mesmo antes de ter contorno, nome ou função.
E essa busca tem um peso específico que a maioria das pessoas não nomeia direito.
E eu posso te dizer uma coisa: não é vaidade. É uma necessidade de existir de um
jeito que não seja emprestado. O que ainda não existe é exatamente o que não pode
ser ensinado. Pode ser orientado, pode ser provocado, mas não pode ser transferido.
E isso assusta um pouco, porque significa que você está sozinho nesse trecho específico
da criação.

Tem um elemento de escuta envolvido. O artista que insiste no que não tem forma 
ainda está ouvindo. Está esperando o objeto revelar o que quer ser. E você tenta
entender que forma é essa através do que o objeto quer dizer. Você procura incessantemente
por essa forma, mas o que é que ela pode ser? Você também tem essa dúvida. Mas tem
também uma recusa. Uma recusa em aceitar a primeira forma que aparece só porque 
ela resolve o problema imediato. A insistência no indefinido é, muitas vezes, uma
forma de resistência ao óbvio, ao que já foi feito, ao que é fácil de explicar, 
ao que o mercado reconhece de cara. E tudo o que você mais quer é sair do que é 
óbvio.

E existe uma coisa mais íntima ainda: o indefinido mantém o criador dentro da obra.
Ele está imerso, ele está mergulhado na sua criação, é uma parte importante dele.
Quando algo ganha forma definitiva, ele de certa forma sai dela. A insistência é
também um modo de prolongar esse habitar. E o que seria esse habitar? É como viver
dentro de uma pergunta antes que ela vire resposta. Talvez o que eu faço todos os
dias quando eu respondo essas perguntas, quer sejam as mais fáceis de responder,
quer sejam as mais difíceis, que eu vejo e nem sei o que responder, mas que ganham
forma conforme eu vou escrevendo.

O que me pergunto é se essa insistência vem mais de uma imagem que ainda não encontrou
linguagem, ou de uma sensação que ainda não encontrou imagem. Porque são dois tipos
diferentes de espera. E essa espera talvez nem seja longa se a gente se dedicar 
a encontrar a resposta, mesmo que a gente não tenha intenção de encontrá-la, ela
aparece quando a gente menos pode esperar, e talvez essa seja a graça de insistir
no que ainda não tem forma, porque a gente dá uma forma única a aquilo que ainda
não encontrou a sua. Se a gente está em busca dela, a gente dá forma a aquilo que
ainda não tem. E se dá conta de que criou uma coisa incrível.

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