# Do barro às ruas digitais

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- Published: 2025-10-02T23:58:00-03:00
- Author: Josivandro Avelar

Uma das lembranças mais marcantes da minha infância não estava em brinquedos caros
nem em grandes aventuras, mas na rua de barro em frente à minha casa. Ali, com os
dedos, eu desenhava paisagens e imagens que ganhavam forma por alguns instantes,
até que o vento, a chuva ou os passos de quem passava apagavam tudo. Era um gesto
simples, mas carregado de imaginação. Eu não sabia, mas aquele barro era a minha
primeira tela, e o começo de uma jornada que eu só entenderia muitos anos depois:
uma jornada de arte, cidade e comunicação.

Com a pavimentação da rua, no ano 2000, o barro desapareceu, mas a necessidade de
criar permaneceu. O chão onde antes se desmanchavam meus desenhos agora se tornava
firme, e foi como se isso também tivesse me dado suporte para buscar novas formas
de expressão. A imaginação passou para o papel, para colagens improvisadas, para
o uso das ferramentas que eu tinha em mãos. Aos poucos, aquele impulso criativo 
encontrou novos territórios: primeiro os cadernos, depois o computador, até chegar
às possibilidades do digital.

Hoje, esse mesmo instinto criador está vivo no meu site, no trabalho com artes visuais,
comunicação e na própria forma como compartilho ideias. Se antes eu precisava apenas
de um pedaço de rua de barro, hoje tenho um universo de ferramentas: lápis, canetas,
softwares de edição, redes sociais e até a inteligência artificial. O que mudou 
foi o suporte; o que permanece é o desejo de transformar experiências em marcas,
em registros que ficam. O barro se desfazia, mas deixou raízes profundas na minha
forma de ver e viver a criação.

Há um paralelo forte entre aquela rua de barro e as ruas da cidade. Ambas são cenários
em constante transformação, onde o que se constrói um dia pode se apagar, mas nunca
deixa de ter impacto. O desenho que o vento levava serviu de treino para os trabalhos
que hoje permanecem no digital; a rua que mudou de chão me mostrou que a cidade 
também se reinventa, e que cabe a nós acompanhar e registrar essas transformações.
Assim como a cidade cresce, a criação também evolui, ganhando novas camadas, novos
materiais, novas linguagens.

Deixar uma marca no mundo não é sobre permanência absoluta, mas sobre o gesto de
criar, de compartilhar e de se colocar no tempo e no espaço. O barro da infância
pode ter desaparecido, mas dele nasceu o impulso que me trouxe até aqui. A cidade,
com suas ruas e histórias, continua sendo inspiração e cenário, e o site é hoje 
o espaço onde reúno tudo isso: a vontade de experimentar, a paixão por comunicar
e a certeza de que cada criação é uma forma de dialogar com o mundo. No fim, não
importa se é na terra, no papel ou no digital — importa que a marca esteja lá, para
quem quiser ver, sentir e se inspirar.

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