# Desconfiança na memória?

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- Published: 2024-08-29T23:09:58-03:00
- Author: Josivandro Avelar

Falar de aspectos de campanhas eleitorais é uma coisa #ContentTalks. Não é algo 
muito técnico para se tratar numa quinta-feira, mas eu quero fazer uma resenha rápida
sobre o que é a minha praia e no que eu me formei. Você deve saber que uma estratégia
malfeita pode colocar qualquer trabalho a perder, e em marketing político não é 
diferente. E olha que eu ando vendo cada coisa que eu fico me perguntando se os 
profissionais responsáveis pelas campanhas dos candidatos a prefeito realmente estão“
lendo a mente” da população, porque algumas coisas desandam desde o início, como
uma desconfiança na memória de longo prazo por parte do marketing. Não são coisas
que eu queria falar da forma mais leiga possível para quem não está entendendo nada,
mas eu vou tentar ajudar vocês.

Primeira coisa: a cidade tem memória e sabe quem fez algo que não agradou e quem
não fez, sabe quem fez algo que fez a diferença para aquela comunidade e quem não
fez. O que aparenta estar acontecendo é que o marketing político não tem essa leitura
da questão da memória e da informação que os eleitores fazem quando escolhem ou 
rejeitam um candidato. Tem quem atribua uma decisão tomada por si mesmo ao seu concorrente
e a prometa desfazer, sem que ninguém fique sabendo o contexto das coisas. Afinal,
todo mundo tem uma sombra do que fez no verão passado, e pelo visto, o marketing
não parece confiar muito na memória: joga como acreditam que o eleitor vai receber
bem.

É como aquele meme da bicicleta em que o ciclista coloca um galho na roda para provocar
a sua queda, e não reconhece que essa foi a consequência determinante para a sua
queda. Trouxe até esse meme para cá para vocês entenderem melhor o que eu quero 
dizer, em uma adaptação sobre como as pessoas provocam os erros e acreditam que 
têm as soluções, pois não foram essas pessoas que erraram. Mas erros não se cometem
sozinhos, e não se cometem do dia para a noite. Essas pessoas apresentam soluções
para problemas que elas mesmas ajudaram a criar, acreditando que você não vai se
lembrar da contribuição delas. Como eu gosto de dizer, as soluções não estão nas
pessoas que foram parte dos problemas. Está em quem os vivencia.

![Somos um pouco esse ciclista: tentamos buscar soluções sabendo que erramos.](https://
i0.wp.com/josivandroavelar.com.br/wp-content/uploads/2024/08/meme-da-bicicleta.png?
resize=500%2C680&ssl=1)

E a memória de longo prazo é um fator que eu levo bastante em conta: o que você 
fez lá atrás que justifique a posição que você tem hoje? Você tem propriedade para
falar ou está falando só para agradar o eleitor e fazer com que a gente esqueça 
que o que você critica é algo que você ou algum aliado seu está fazendo? O eleitor
também observa além da sua própria cidade. Você acredita que realmente o eleitor
não vai pesquisar para saber sobre o que você fez no passado? Sobre as suas alianças,
se elas te qualificam a ter essas posições? Será que você fez o que hoje você está
reclamando que não foi feito nos anos anteriores? Porque eu vou me lembrar do que
você não fez. Hoje em dia, tudo está mais fácil de rebater e uma promessa e uma 
crítica malfeita podem cair por terra em segundos.

Estratégias de marketing político são incríveis, tive uma cadeira inteira na faculdade
sobre isso, aprendi muita coisa e tive um desempenho ótimo. Mas vendo pelo outro
lado, o lado de quem está consumindo campanhas em vez de fazer campanhas, o eleitor
as derruba rápido se você não souber convencer bem. E não é isso que eu tenho visto.
Subestimar a memória de longo prazo do eleitor é uma estratégia que eu poderia chamar
de kamikaze, e campanha que insistir nesse tipo de estratégia, que não confia naquilo
que o eleitor se lembra do que foi feito há 10, 20, 30 anos atrás, e não só nos 
últimos quatro anos como se esse julgamento não fosse apenas de quem está na situação,
mas de todos os que se prontificaram a querer gerir uma cidade, vai se dar mal no
final das contas.

E conhecendo bem do assunto, eu volto aqui para falar e vocês entenderão o que eu
disse. E de resto, posso tratar no #ContentTalks.

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