# #ContentTalks: precisa bloquear?

- Link: https://josivandroavelar.com.br/contenttalks-precisa-bloquear/
- Published: 2022-03-21T20:30:00-03:00
- Author: Josivandro Avelar

O fim de semana foi de [notícias sobre o Telegram](https://josivandroavelar.com.br/a-historia-do-bloqueio-do-telegram/),
que precisou tomar um “sacode” da Justiça para se enquadrar em regras de conduta,
que outras redes sociais e aplicativos de mensagem já aplicaram. Precisou quase 
ser bloqueado para se enquadrar nelas. No fim, o Telegram acordou, cumpriu as ordens
estabelecidas e hoje, segunda-feira, está funcionando normalmente. Mas e aí, precisa
bloquear, ou ameaçar bloquear, para fazer uma rede social ou um aplicativo de mensagem
acordar?

O Telegram se baseia no princípio de plena liberdade, tanto que por causa disso 
o aplicativo e seu fundador, Pavel Durov, saíram da Rússia, onde o aplicativo foi
criado e onde seu fundador é nascido. E isso já praticamente nem existe no país 
de origem. Hoje o Telegram é baseado em Dubai, para onde foram cartas e e-mails 
que só foram respondidos depois do “sacode”.

O problema não é o aplicativo. São alguns dos seus usuários, que vão encontrar outras
ferramentas para continuar fazendo o que bem entendem se não podem fazer em um determinado
lugar. A plataforma é só um mero detalhe. Se precisa bloquear um aplicativo, os 
usuários “foco do problema” vão para outro. Eles não se dispersam facilmente.

Alguns de seus usuários que se aproveitam dessa plena liberdade que o aplicativo
dá para coisas erradas, desinformação, enfim, outras coisas. Até a própria liberdade
tem limites justamente para que todos possam aproveitá-la. Afinal, o que não existe
é uma liberdade que, na realidade, é o disfarce de uma prisão, que é isso que muitos
pregam deturpando o sentido literal da palavra.

#### Essa foi por pouco, Telegram

Com o Telegram isso quase aconteceu da primeira vez. Com o WhatsApp, foram várias.
Umas três, se não me falha a memória. A empresa precisou se adequar para que isso
não se repetisse e tem se mostrado solícita aos requerimentos do TSE, que está preocupada
com a influência das redes nas eleições, em especial do que vem dos aplicativos 
de mensagem. E isso fora outros problemas que eventualmente o aplicativo vá enfrentar.

Afinal, quando o WhatsApp tem problemas, [como os que aconteceram no ano passado](https://josivandroavelar.com.br/web-stories/deu-ruim-no-whatsapp-e-nas-redes-do-facebook/),
o Telegram evidentemente se beneficia, afinal é concorrência, e é nessas horas que
eles precisam provar que merecem a fidelidade dos usuários, o que não tem acontecido,
para falar a verdade.

#### Por conta de alguns, todos precisam pagar?

Esse é o ônus de todo pedido de bloqueio: a interrupção dos serviços, que nunca 
é efetiva, porque quem quer burlar dá um jeito usando VPNs – que são mecanismos 
que permitem “simular” que os acessos vêm de outro país. No fim, quem paga é quem
não usa desses mecanismos e utiliza os aplicativos para trabalho. O Telegram mesmo
possui funcionalidades para canais que o WhatsApp mesmo não tem. [O meu canal no aplicativo](https://t.me/blogjosivandroavelar),
por exemplo, é alimentado por _feed_ através de um bot.

O WhatsApp, como bem disse, não me dá essa possibilidade de ter um bot trabalhando
para mim. Não ainda. Quem tem paciência para colar links canal por canal para quem
quer realmente receber aquele conteúdo? Aí, falta um pouco de visão por parte da
Meta.

É lógico, ninguém quer enfrentar problemas por causa de seus usuários, e aí entram
as responsabilidades das redes. Até a liberdade tem as suas regras, porque ninguém
é livre para fazer o mal. E assim todos podem conviver em harmonia, cada um com 
as suas diferenças, porque nada é mais livre do que ser o que se é.

O que se precisa é encontrar mecanismos que cheguem a esse meio-termo, não privando
os usuários que nada tem a ver com os problemas das plataformas. Tudo bem, problemas
existem, mas eles estão aí para que se encontre uma solução, afinal, quando se bloqueia
uma plataforma, não se pune só a rede social ou o aplicativo de mensagem. Se pune
quem nele está também. E quem produz conteúdo de qualidade.

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