# #ContentTalks: Conteúdo com propósito: por que postar não é o bastante

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- Published: 2025-08-25T23:36:31-03:00
- Author: Josivandro Avelar

Tem gente demais querendo criar conteúdo. Mas será que tem gente para receber a 
mensagem que você quer transmitir? Para começar o #ContentTalks de hoje, quero começar
com a premissa básica da comunicação da existência de um emissor e de um receptor
de uma mensagem. Pelo menos é isso que a gente aprende em comunicação: quais são
os seus elementos e que a gente pode ser os dois ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo,
sabe que ser emissor de uma mensagem é uma responsabilidade enorme, tanto para quem
divulga um fato quanto para quem transmite uma mensagem publicitária. Diante dessa
premissa básica, eu lhe pergunto: qual é o propósito da sua mensagem?

Vamos começar por um exemplo básico: o Instagram. No Brasil, a rede social tem mais
de 135 milhões de usuários – o que não quer dizer, é claro, que cada indivíduo tenha
uma conta, ele pode criar várias. Desses, 10,5 milhões se definem como criadores
de conteúdo, o que coloca o Brasil como líder mundial em número de influenciadores
nessa plataforma. E não, não são só pessoas físicas que participam desse universo
de criação de conteúdo. Isso também inclui as empresas, que estão usando criação
de conteúdo no amplo sentido da palavra. E ter muito emissor para pouco receptor
evidencia bem como estamos usando as redes sociais.

Essa proporção traz de certa forma uma desigualdade, ou falando em um português 
mais claro para todo mundo entender: saturação. O ambiente de redes sociais está
claramente saturado. Afinal, quem chegou primeiro e domina bem o negócio já saiu
na frente, e o que sobra para quem chega? Quem chega já chega inspirado em quem 
chegou primeiro, mas o caminho para transformar a criação de conteúdo em fonte de
renda é muito, mas muito longo. Não é todo mundo que vai sobreviver só disso. E 
mais do que isso: é necessário buscar por atenção em um ambiente onde mais gente
está disposta a falar do que a ouvir.

Esta é a primeira vez que o #ContentTalks traz dados robustos para entender melhor
o universo das coisas que se quer dizer – eu sempre quis fazer isso, só não sabia
como, e eu contei com a inteligência artificial para fazer uma pesquisa ampla sobre
essa percepção que eu tenho para o que eu acredito ser muito emissor para pouco 
receptor. Para isso, solicitei um relatório que foi transformado em um infográfico–
em breve eu disponibilizo esse relatório com detalhes amplos para vocês. Mas antes,
eu quero mostrar os principais resultados que eu obtive nessa pesquisa ampla sobre
a grande disparidade digital, sobre o paradoxo que eu evidenciei da economia criativa.

Muitos dados juntados depois, quero trazer um panorama mais claro sobre o que eu
quero dizer e porque é importante entender por que o começo não é fácil para muita
gente que está iniciando essa jornada sem ter ideia do que vai encontrar, afinal,
se existem mais criadores do que pessoas para receber esse conteúdo, é um indício
evidente de saturação desse meio e isso é um desafio enorme para quem tem o objetivo
de criar conteúdo sem nem saber que conteúdo quer transmitir e se esse conteúdo 
tem propósito. Afinal de contas, ter propósito é mais importante do que apenas postar,
e eu mostro isso com dados, para refletir melhor sobre o mercado de economia criativa.

# A Grande Disparidade Digital

Por que na era da informação, ter propósito é mais importante que apenas postar.

## 1. O Paradoxo da Creator Economy: Uma Oferta Massiva

O número de criadores de conteúdo cresce exponencialmente, mas a profissionalização
e o sucesso financeiro são para poucos. O mercado está cada vez mais saturado.

20M

de criadores no Brasil

Uma estimativa que revela a base massiva de produtores de conteúdo no país.

+67%

em um ano

Crescimento no número de criadores profissionais entre Mar/24 e Mar/25.

<4%

vivem da atividade

A grande maioria não consegue ter a criação de conteúdo como principal fonte de 
renda.

### O Funil da Creator Economy: A Base de Seguidores

A grande maioria dos criadores possui uma base pequena de seguidores, o que evidencia
a dificuldade em construir uma audiência relevante em um ambiente saturado.

## 2. A Batalha pela Atenção: O Recurso Mais Escasso

Apesar do alto tempo de tela, a atenção do usuário é fragmentada e está diminuindo
drasticamente, tornando a competição por foco mais acirrada do que nunca.

### Queda Drástica no Tempo de Atenção

Em menos de 20 anos, o tempo médio que um usuário consegue manter o foco em uma 
tela despencou. A sobrecarga de informação é a principal causa.

9h 13m

Tempo médio online diário no Brasil

Apesar do longo tempo conectado, a atenção é dividida entre inúmeras atividades 
e plataformas, não sendo um indicador de consumo de conteúdo focado.

#### Onde o tempo é gasto?

📱 WhatsApp & Redes Sociais

🛒 74% buscam produtos/serviços

👍 54% são influenciados por marcas que seguem

## 3. Consequências: A Realidade Financeira

A saturação do mercado se reflete diretamente na distribuição de renda. Apenas uma
pequena elite consegue ganhos substanciais, enquanto a maioria compete por uma fatia
mínima.

### Distribuição de Renda Mensal dos Criadores no Brasil

Metade dos criadores ganha até R$ 5.000 por mês, e menos de 1% atinge rendas acima
de R$ 100.000, mostrando a brutal realidade financeira do setor.

## 4. O Futuro é o Propósito

Em um mar de conteúdo, a sobrevivência e o sucesso dependem da profissionalização,
autenticidade e da construção de comunidades engajadas.

🚀

### Hiperprofissionalização

Dominar storytelling, marketing, análise de dados e gestão de comunidade não é mais
um diferencial, é uma necessidade.

💖

### Autenticidade e UGC

92% dos consumidores confiam mais em conteúdo gerado por outros usuários (UGC) do
que em publicidade tradicional.

🎯

### Foco em Nicho

Construir comunidades engajadas em nichos específicos é mais valioso do que buscar
grandes audiências genéricas.

Infográfico baseado no relatório “A Grande Disparidade Digital”.

Criado para #ContentTalks em josivandroavelar.com.br

O maior reflexo da saturação desse meio está justamente no motivo pelo qual muita
gente entra nessa: a grana. Metade dos criadores ganha R$ 5.000,00 por mês, e menos
de 1% dos criadores atinge rendas acima de R$ 100.000,00. Em outras palavras, não
é todo mundo que sobrevive só disso e não é todo mundo que vai conseguir sobreviver
em um meio onde não é sempre que o brasileiro está focado em uma coisa só nas 9 
horas e 13 minutos de tempo médio online. Somos focados em um monte de coisas e 
em nenhuma ao mesmo tempo. E chamar atenção nesse meio é para aqueles que são muito
craques no que fazem.

Tem umas coisas que vale a pena não só estudar, mas entender. E aqui entra todo 
o domínio de marketing, _storytelling_, análise de dados e por aí vai. Além disso,
é necessário também entender para quem você está criando, ou seja, criar uma noção
de comunidade. Por isso, uma das estratégias mais básicas da criação de conteúdo,
se assim posso dizer, é focar em nichos, em públicos que você sente que existe carência
de comunicação e conteúdo. Que precisam de uma voz para ser ouvida. Daquelas pessoas
que vão confiar em você, não para menos a audiência confia mais no conteúdo gerado
por outros usuários do que na publicidade tradicional.

E existe um termo para isso, para definir um criador de conteúdo que não necessariamente
é um influenciador digital, porque faz isso praticamente de forma natural. É o criador
UGC. Para quem não sabe o que é UGC, significa User Generated Content ou, em português,**
Conteúdo Gerado pelo Usuário**. Ou no melhor sentido da palavra, significa aquele
conteúdo que é criado pelo usuário comum, que já nem se define como influenciador
digital, ou nem mesmo tem essa intenção de assim se definir. Ele se entende como
parte da audiência, e não um catalisador dela. São esses os criadores de conteúdo
que as marcas estão procurando, justamente porque são o consumidor que elas buscam.

Criar conteúdo, qualquer um pode criar. Mas criar conteúdo com propósito é para 
quem pode, para quem consegue, e para quem estuda. Em um ambiente onde a gente quer
ser tudo ao mesmo tempo, chamar atenção sem colocar uma melancia no pescoço é um
elemento que deixou de ser simples para ser uma fórmula matemática onde quem consegue
chegar lá acertou essa fórmula com precisão. É verdade que todos nós queremos criar.
É verdade que todos nós queremos ler. É por isso que, antes da gente ser emissor,
a gente é receptor, e a gente precisa entender o propósito da mensagem antes de 
transmiti-la com eficiência.

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