# As histórias que as fachadas contam

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- Published: 2025-10-16T22:29:02-03:00
- Author: Josivandro Avelar

### Você acredita que a cidade conta histórias através da sua arquitetura e do seu movimento?

##### Pergunta gerada pela inteligência artificial e respondida por mim

A cidade é um organismo vivo. Ela muda o tempo todo e ao mesmo tempo conserva um
pouco das coisas que um dia a representaram. Alguma coisa precisa ser preservada
para entender o que um dia nós já fomos, ou nossos pais, nossos avós, da memória
que talvez a gente nem guarde direito, mas eu sou desses que entendo que a memória
de um lugar está em cada palmo de seu território, mesmo que o lugar tenha surgido
praticamente um dia desses. Sei, os lugares mudam, só ver como eu falei sobre minha
rua, que era de barro, e o barro era a minha tela. Mas como tudo muda porque tem
que mudar, eu acompanho a dinâmica ao longo do tempo.

Em uma certa época eu pintava e desenhava em telas e papel fachadas de casas históricas
aleatórias. Não mirava numa casa em específico, desenhava as fachadas que vinham
a minha cabeça, elaborava até umas fachadas mais complexas, as mais complexas possíveis.
Várias dessas telas estão na minha casa até hoje, outras eu até queria trazer para
o meu quarto, embora estejam no corredor como se fossem estar numa galeria para 
todo mundo que passar no corredor ver. Era o que eu adoraria ter visto em outras
ocasiões quando eu pintei essas telas. Hoje é parte do trânsito da minha casa, vai
saber qual deve ser a importância dessas obras ao longo dos anos.

Quando eu falo sobre a inspiração das ruas, pense nas fachadas. Elas são iguais 
as fachadas que você viu há 10 anos atrás? 20 anos? 30 anos? Até mesmo a fachada
da sua casa, que muda para se adaptar a rua, para se adaptar a chuva. Casas de um
andar que passaram a ter duas. Casas que passaram a ter telhado de alumínio. As 
necessidades das pessoas mudam, e as fachadas acompanham, fazendo com que os registros
das ruas contem histórias, tendências, momentos daquilo que a gente viu, presenciou,
sentiu a necessidade de mudar. E o que fica nas fotos e vídeos que a gente faz desses
momentos, fica na memória.

A própria pavimentação da minha rua ajudou a acelerar essa mudança, que não é uma
mudança que acontece da noite para o dia: é uma mudança em movimento, que acontece
ao longo dos anos, acompanhando o momento. Se tem sido assim há 25 anos, quando 
pavimentaram a minha rua, imagine nas ruas onde a pavimentação chega agora. Imagine
onde chega o asfalto numa rua que até então não era tão movimentada. A vibe do lugar
muda conforme as coisas mudam. As pessoas acompanham. E cá estou eu, em uma rua 
onde os vizinhos que eu tenho são os mesmos do meu tempo de infância. Afinal de 
contas, as ruas mudam, as pessoas estão ali, e se elas não estão, estão os seus 
herdeiros.

As fachadas contam histórias. E por isso a gente presta atenção a elas, não no sentido
de escutar, porque no sentido literal da palavra, fachadas não falam. Mas fachadas
contam histórias nas paredes, em cada camada de tinta, em cada camada de cimento,
numa cerâmica fixa que esconde o que aquela fachada um dia já foi, das fachadas 
históricas descaracterizadas pelas ferragens de uma marquise comercial, são tantas
histórias que as fachadas contam, que além daquilo que se vê, existe também aquilo
que está escondido, e que uma hora vai se revelar e mostrar a história que lá existe,
provando que todo lugar tem uma memória para contar, mesmo que faltem palavras.

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