# Arrodear cansa, sabia?

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- Published: 2024-05-07T11:20:00-03:00
- Author: Josivandro Avelar

### Era notório que você chegava cansado da faculdade, por causa de um trajeto de quase uma hora de ônibus. Exemplifique como você poderia chegar em menos tempo, evitando o arrodeio.

##### Pergunta feita por este editor

Período de 2010 a 2013. Guarde esse período para entender a minha história. Eu estudava
numa faculdade que na prática é em outra cidade. Sim, o Uniesp (na época IESP) fica
no bairro Morada Nova, em Cabedelo. E é Cabedelo que aparece na folha de rosto do
meu TCC, dos artigos, enfim, eu estudava em Cabedelo, a menos de 500 metros da divisa
com João Pessoa. Como todo mundo pensa em tudo menos em pensar o sistema de transporte
público como efetivamente metropolitano como é nas regiões metropolitanas de Recife
e Vitória, o que se tem até hoje é isso, cada um por si e um sistema bagunçado para
todos. Ir e vir era uma aventura.

Vamos começar por duas coisas: a opção “fácil” da época era usar a linha 5204, hoje
extinta, para embarcar e desembarcar na BR-230, só que com um detalhe: a parada 
era de um lado, e a faculdade do outro. A linha na época não ia até lá e não existia
a passarela que existe hoje. Afora questão de lotação, já era uma alternativa descartada.
O que me restava era pegar qualquer carro que não tivesse quatro dígitos (202, 203,
204) e descer em alguma parada viável para pegar a linha 1001. Viável que eu digo
por que era impossível fazer isso seis horas da manhã em Jaguaribe. O ônibus vinha
lotado com gente até a porta. Tentei outra estratégia.

O jeito era pegar um carro de três dígitos (o 2300 incrivelmente servia, mesmo sendo
quatro dígitos), fazer a baldeação física no Varadouro para um ônibus que não saísse
lotado e descer no início da Epitácio Pessoa. Sabia que o 1001 “esvaziava” próximo
do Lyceu Paraibano (a escola que estudei no Ensino Médio) e esperava o ônibus duas
paradas depois. E descia na porta da faculdade.

No retorno, já que a parada ficava na porta da faculdade, servia o próprio 1001,
ou outros ônibus que passavam na frente, como 5100 ou um vindo de Cabedelo. E descia
na Lagoa de onde esperava um ônibus de três dígitos, circular não servia. As mudanças
que viriam a acontecer depois aconteceram depois que eu saí da faculdade. Por isso
vocês sentiram falta. Guardaram que tudo isso aconteceu de 2010 a 2013?

Uma dessas linhas que pegava na volta era a do Renascer, que depois foi incorporada
ao sistema municipal de João Pessoa ainda que atenda ao bairro de Cabedelo, tamanha
é a bagunça que existe aqui e que poderia ser simplesmente resolvida se o sistema
fosse pensado não só para o perímetro de João Pessoa, mas levando em consideração
os municípios vizinhos sem que os passageiros de outras cidades paguem caro até 
para baldear. Veja só a cidade de Bayeux. Além da própria cultura do arrodeio, o
passageiro da cidade ainda paga para trocar de ônibus para muitas vezes ir até áreas
do Centro de João Pessoa.

Voltando para a minha aventura, ou melhor, o meu trajeto, já sentia que aquilo era
cansativo. Tanto que eu até adotei uma solução mais “rápida”, mas não sem arrodear,
mas minimizando. Deixei de usar o 1001 e passei a usar 602 e 604, que sabia que 
faziam contorno no Retão de Manaíra para voltarem a Tancredo Neves. Para não atravessar
a avenida, descia na lateral do antigo Forrock (hoje Novo Atacarejo). Era como podia
chegar em menos tempo. Passar por Mandacaru e Tancredo Neves é muito mais rápido
do que pela Epitácio, e é a alternativa que eu considero mais direta. A segunda 
parte da pergunta traz a resposta que considero a mais viável para mim, e que acabei
por adotar no último ano de faculdade.

Era lógico que chegava cansado da faculdade, chegava cansado de casa, muitas vezes
queria dormir até de tarde, mas eu conseguia fazia as tarefas, trabalhos e tudo 
o mais que a faculdade pedisse. Lutei por isso e não poderia desperdiçar. O resultado
é que somente uma única vez eu fiz prova final na faculdade, e era justamente na
cadeira de Psicologia Geral e da Comunicação (se não me falhar a memória). E passei.
Como passei por média em todas as demais, até naquelas cadeiras que considerava 
difíceis. Os tempos da faculdade são lembranças tão claras na memória que dariam
outros posts, e o assunto aqui é transporte público.

Onze anos depois de concluir a faculdade e de lá trazer lembranças e aprendizados,
o que eu trago de lembrança desses trajetos são as músicas das rádios que eu escutava
no caminho, naqueles celulares com rádio FM e câmera VGA. Levou um tempo, mas juntei
música por música dessas lembranças, e as organizei em _playlists_ do Spotify que
ouço em vários momentos do dia. Inclusive agora, escrevendo este texto na madrugada
de domingo para ir ao ar na manhã da terça-feira.

De resto, trago dos meus tempos de faculdade de Publicidade e Propaganda as experiências
e aprendizados que uso até hoje por aqui. Porque o que cansa de verdade é arrodear
como eu arrodeei todos os dias para ir e vir para a faculdade, e eu superei esse
desafio dando o melhor de mim em todas as tarefas e trabalhos que hoje são o

### 󠀁[Conhecendo Você](https://josivandroavelar.com.br/categoria/conhecendo-voce/)󠁿

O primeiro post do dia no Site Josivandro Avelar, com perguntas que eu respondo 
sobre temas de autoconhecimento e cotidiano. Inicialmente elaboradas por inteligência
artificial, as perguntas passaram a ser elaboradas por mim e pelo público através
dos canais de contato e redes sociais.

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