# A SAÍDA É SAIR DO COMODISMO

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- Published: 2019-10-22T12:52:22-03:00
- Author: Josivandro Avelar

Todo início de ano é a mesma coisa: a passagem de ônibus aumenta em João Pessoa 
e na região metropolitana. No último aumento aplicado, a passagem de ônibus municipal
passou de R$ 3,55 para R$ 3,95 – com desconto de quinze centavos para quem usar 
o cartão eletrônico. Ok, a passagem aumentou e… Cadê as melhorias?

Nenhum ônibus zero quilômetro foi adquirido neste ano na Grande João Pessoa. As 
trocas de frota tem sido feitas só com ônibus usados de outras cidades, alguns próximos
de estourar a idade média. A alegação das empresas para justificar a falta de investimentos
é sempre a mesma: estão com dificuldade para fechar as contas diante da crise, por
causa da queda do número de passageiros.

E porque o número de passageiros cai? Porque a passagem está cara e quando acontece
um aumento, as melhorias nunca aparecem. O passageiro não quer pagar caro por um
serviço que não corresponde a aquilo que ele espera. Se não tem melhoria, a fuga
é certa. As empresas esperam efetividade na regulamentação do transporte por aplicativo
ou do combate ao clandestino, mas não correspondem fazendo o possível para reconquistar
o passageiro. Se continua do jeito que está, ele tende a não voltar.

O resultado desse comodismo é visível: a capital paraibana, antes um exemplo de 
renovação de frota, está sendo passada para trás por várias cidades em termos de
renovação e melhorias. Fortaleza, Teresina e São Luís, por exemplo, já tem um grande
número de ônibus com ar condicionado e renovações constantes. E sofrem da mesma 
concorrência. Qual é o problema daqui?

Não adianta nenhuma ação contra a concorrência se as empresas oferecerem as mesmas
condições para que o passageiro volte a andar de ônibus como antes. Em qualquer 
segmento de mercado é assim: quem se mexe movimenta e fideliza, quem fica acomodado
vê o trem passar. É assim com um meio, mesmo ele sendo concedido, como o transporte
coletivo. É só ver como outras cidades lidam com isso.

Então, já viu os ônibus verde marca-texto de São Luís? Os verde abacate de Teresina?
Ou os ônibus de Fortaleza? Até mesmo os de Recife? Uber e 99 tem em todo lugar. 
Nessas cidades também. E por mais que as empresas dessas cidades sintam, elas estão
se mexendo. Alternativo em carro velho até deve ter lá – os aplicativos não admitem
carros acima de sete anos de fabricação. Mas será que o passageiro deixaria de andar
num ônibus climatizado para andar num carro de passeio 1998 sem vidros?

O passageiro se sente desconfortável, quer o mínimo de conforto e segurança e quer
benefícios proporcionais ao que ele paga de passagem. Aliás, dá um Google e pesquise
os preços das passagens dessas cidades que eu mencionei. São todas mais baratas 
que as de João Pessoa.

Num mercado dinâmico como o de hoje, o passageiro está conectado, mais crítico e
mais exigente, e as empresas precisam ficar atentas ao que ele quer e espera, como
na questão do ar condicionado, que deveria ser um item obrigatório – e portanto 
não fora da realidade como as empresas alegam. Hoje em dia nem o carro de passeio
mais pé-de-boi do mercado brasileiro sai de fábrica sem ar condicionado.

A saída é simples: sair do comodismo. O passageiro só vai se sentir reconquistado
se ele sentir que não vai pegar o mesmo ônibus lotado de todos os dias que as vezes
nem chega na hora, depois de um dia cansativo de trabalho. Passageiro é cliente,
e o cliente tem sempre razão.

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