# A reconstrução da Feira do Rangel (agora vai mesmo?)

- Link: https://josivandroavelar.com.br/a-reconstrucao-da-feira-do-rangel-agora-vai-mesmo/
- Published: 2023-05-25T20:11:05-03:00
- Author: Josivandro Avelar

Era para eu falar sobre outros aspectos do Viaduto de Água Fria [igual eu coment](https://josivandroavelar.com.br/a-terceira-saida/)
[e](https://josivandroavelar.com.br/a-terceira-saida/)[i na semana passada](https://josivandroavelar.com.br/a-terceira-saida/),
mas eis que a Feira do Rangel voltou a estar em evidência não pelo que ela é, mas
pelo que um dia ela será. Afinal, eu fui pego de surpresa com a notícia de que enfim,
existe um projeto de construção de um Mercado Público para o Rangel. As redações
dos destaques da semana no site acontecem um dia antes dos posts entrarem no ar.
Mas ok, a obra vai levar um ano e é tempo suficiente para contar outros aspectos.

O que seria a reconstrução da feira que existe no lugar, afinal vamos lembrar que
a Feira do Rangel já tem mais de 50 anos. E é importante contar melhor essa história
para lembrar a cidade de João Pessoa que simplesmente existimos.

Toda essa história acontecia na manhã da quinta-feira passada, a uma quadra de distância
de casa: na ocasião, o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, estava com uma comitiva
de secretários e vereadores no Mercado Público do Rangel (sim, esse é o nome, digamos,
oficial da Feira do Rangel) [assinando a autorização de licitação para a construção de um Mercado Público Municipal](https://www.joaopessoa.pb.gov.br/noticias/cicero-lucena-autoriza-licitacao-para-reconstrucao-do-mercado-do-rangel/),
onde está o que hoje chamamos de Feira do Rangel. Parece uma feira, é uma feira,
mas o que existe hoje naquela área é uma bagunça.

Veja que eu não mencionei a palavra “reforma”. Porque não deve ser uma reforma. 
Deve ser uma reconstrução, ou seja, a Feira do Rangel que existe hoje deve dar lugar
a um equipamento coberto, com praça de alimentação, espaços de convivência e tudo
mais. E com direito a um projeto já pronto e mostrado naquela ocasião, bem parecido
com um daqueles [mercados públicos do futuro](https://josivandroavelar.com.br/o-mercado-publico-do-futuro/)
que eu mostrei há umas semanas. O projeto em questão está orçado em seis milhões
de reais. Isso deixa bem claro que o problema era tão grave que até mesmo a Prefeitura
reconheceu que uma reforma por si só não iria resolver. Que seria melhor derrubar
tudo e construir um mercado de vergonha.

Mas antes de qualquer coisa, vamos com calma e segurem a empolgação. Não é algo 
que vai acontecer do dia para a noite.

![O atual aspecto da feira pela 2 de Fevereiro. Print do Google Maps.](https://i0.
wp.com/josivandroavelar.com.br/wp-content/uploads/2023/05/feira-0001.png?resize=
798%2C494&ssl=1)

O atual aspecto da feira pela 2 de Fevereiro.

Vamos lá: o que foi assinado na quinta-feira passada foi a autorização de licitação,
que ainda precisa passar por ajustes e todas aquelas burocracias, tanto que o edital
dessa licitação com todos os anexos possíveis e imagináveis ainda não foi publicado
no Portal da Transparência; quando isso acontecer, é justamente para que população
e construtoras tomem conhecimento da licitação, que terá uma data marcada, e quando
isso acontecer, vai ter todo aquele processo de seleção de construtora que apresentar
a melhor proposta (e nem contei os recursos que podem vir). Depois desse tempo todo,
é que essa proposta é homologada e vira um contrato que é assinado, para daí vir
uma ordem de serviço autorizando a obra.

Foi cansativo ler tudo isso? Coisas de serviço público. E tudo isso demanda tempo.
Pode sair esse ano? Sim. Ano que vem? Deve ter andado alguma coisa.

Mas ainda tenho outras coisas a dizer.

![Agora, visão da Feira do Rangel para o lado da 14 de Julho, onde a feira "ultrapassa"
seus limites.](https://i0.wp.com/josivandroavelar.com.br/wp-content/uploads/2023/
05/feira-0002.png?resize=1064%2C659&ssl=1)

Ângulo da 14 de Julho, onde a Feira do Rangel já ultrapassa a calçada…

![Outro lado da 14 de Julho.](https://i0.wp.com/josivandroavelar.com.br/wp-content/
uploads/2023/05/feira-0003.png?resize=1064%2C659&ssl=1)

…e os seus próprios limites.

O que importa é que ao menos foi dada uma resposta a um problema que já dura 50 
anos e duas listas de desejos. O que hoje a gente chama de Mercado Público do Rangel
foi construído em 1970, com construção de um box de carnes anexo em 1978. Era na
teoria para ser uma feira livre, tanto que a estrutura original seria o galpão de
cereais rodeado por uma área livre integralmente pavimentada com paralelepípedos
comuns ao calçamento de ruas. Tanto que isso explica a existência de postes metálicos
de iluminação que deixaram de funcionar há mais de 30 anos. Eram seis postes. Três
ainda estão lá, enferrujados.

E daí o que eram para ser estruturas temporárias foram sendo substituídas por estruturas
construídas pelos próprios permissionários, em corredores estreitos. Só que essas
estruturas foram feitas sem padrão, umas de madeira, outras de aço, outras de alvenaria,
umas próximas das outras, sem uma cobertura uniforme. E junte a isso o problema 
do esgoto, já que não existe bem uma rede de esgoto desenvolvida por lá. Sabe-se
que a 14 de Julho é saneada. A 2 de Fevereiro, em parte. E essa parte não inclui
a frente da Feira do Rangel.

Ainda falando na 14 de Julho, foi para lá que a Feira do Rangel praticamente cresceu.
Várias barracas foram se instalando na rua, ocupando as calçadas entre a feira propriamente
dita e os supermercados. Nos fins de semana, esse trecho é interditado e tomado 
pela feira. Ela termina sendo maior do que já é. Sabe-se que os permissionários 
da feira são 139.

![Lado oposto da 14 de Julho.](https://i0.wp.com/josivandroavelar.com.br/wp-content/
uploads/2023/05/feira-0004.png?resize=1064%2C659&ssl=1)

Nos fins de semana, a 14 de Julho é tomada pela feira.

![Lado de quem vê em ângulo de trânsito na 2 de Fevereiro.](https://i0.wp.com/josivandroavelar.
com.br/wp-content/uploads/2023/05/feira-0005.png?resize=1064%2C659&ssl=1)

Lado da 2 de Fevereiro. Feira peca pela ausência de acessibilidade.

O objetivo deve ser organizar essa bagunça, permitindo que esses permissionários
trabalhem em condições dignas, e principalmente resolver gargalos, já que o tráfego
nos arredores é intenso nos fins de semana e liberar a 14 de Julho talvez possa 
ajudar. E é consenso que já passou da hora de resolver esse problema.

Afinal, um mercado nas condições que se encontra hoje não é uma vergonha apenas 
para o bairro.** É para a cidade como um todo que demorou meio século para reconhecer
o problema**. E que enquanto esse problema não for resolvido de vez, faço questão
de lembrar.

Como isso tudo está no início, outros textos como este e episódios do Luneta Sonora
vão ajudar a contar esta história para João Pessoa. E é por estar a uma quadra de
casa que a história vai seguir sendo contada, da obra e de seus impactos. A reinvenção
da feira vai demorar. Até lá, a gente lembra que o projeto existe.

E que o bairro existe. Somos nós por nós mesmos para tentar chamar a atenção.

### _Relacionado_
