# A cidade como autora da minha trajetória

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- Published: 2026-10-31T22:00:00-03:00
- Author: Josivandro Avelar

### Se a cidade também fosse autora da sua trajetória, o que ela teria escrito até aqui?

##### Pergunta gerada pela inteligência artificial e respondida por mim

Se a cidade fosse autora de minha trajetória, ela diria que eu estaria olhando para
onde ninguém nunca antes olhou, procurando os detalhes mais ocultos e esquecidos
das esquinas, caminhando na contramão do fluxo comum da multidão que corre sem destino
e se perguntando o porquê de tudo ao meu redor, buscando incessantemente compreender
as engrenagens invisíveis que movem a vida urbana e dão sentido aos nossos passos
cotidianos. Diria que eu olho de maneira cirúrgica o lugar de onde eu vim.

E ela diria, com a firmeza de quem conhece profundamente os próprios passos e confia
na solidez do seu caminho, que a minha real preocupação não é com esse olhar alheio
ou com os julgamentos superficiais que os outros possam fazer. Pelo contrário, o
que verdadeiramente importa para mim é para onde eu vim, carregando com orgulho 
inabalável todas as minhas raízes, ensinamentos e memórias que me construíram, e
para onde eu realmente quero ir, traçando com coragem e autonomia um destino singular
que pertence exclusivamente a mim.

Eu iria consideravelmente mais além nesta análise profunda e urgente, porque é absolutamente
necessário avançar muito mais além diante da superficialidade alarmante dos tempos
atuais, onde a aparência e o efêmero muitas vezes substituem a essência e o valor
real das coisas. Vivenciamos uma era marcada pela pressa e pelo consumo rápido de
informações, o que nos obriga a resgatar o pensamento crítico para não sermos tragados
por essa onda de banalidade que empobrece o debate público e a nossa própria humanidade.

A cidade diria que alguns que se dizem constantemente preocupados e vocalizam suas
inquietações nas redes sociais quase nunca se importam de verdade quando a situação
exige ação real, sacrifício ou compromisso duradouro; enquanto os verdadeiramente
preocupados com as causas profundas parecem silenciosos demais para o gosto moderno,
imersos na profundidade de suas reflexões críticas e na execução de seus trabalhos
discretos, porém infinitamente mais transformadores. É no silêncio que a vida realmente
se desenha.

Diria que muita gente está preocupada apenas com o que é visível e chamativo na 
superfície, buscando validação imediata em aparências passageiras e resultados superficiais
que atraem a atenção momentânea, enquanto poucos realmente se preocupam com o que
não se vê, negligenciando as estruturas fundamentais, os alicerces profundos e as
raízes invisíveis dos problemas que moldam silenciosamente a nossa realidade cotidiana
e determinam o nosso futuro a longo prazo. Essa disparidade entre a aparência e 
a essência continua sendo um dos maiores dilemas da nossa vida moderna.

E finalmente, diria que represento todas as suas cores e formas mais profundas, 
carregando na alma a essência vibrante que define a sua verdadeira identidade. Diria
também que um pouco dela mesma está intrinsecamente presente na minha criação, moldando
o meu caráter e a minha visão de mundo com a sua inspiração inesgotável, e que faria
um esforço máximo e incansável para devolver de certa forma, através das minhas 
ações e do meu afeto, um pouco do muito que ela generosamente me deu ao longo da
vida.

São tantas coisas que eu diria a ela se a cidade também fosse considerada uma autora
legítima e consciente da minha trajetória pessoal e artística, pois, de uma maneira
muito profunda e inegável, ela realmente é. Porque não é algo sobre o que ela diria,
mas sobre como ela diria sendo de fato autora da minha trajetória. As ruas, as esquinas,
os ruídos e o cotidiano urbano exercem um papel fundamental, quase vital, para a
minha formação humana e para a construção sólida da minha base criativa, moldando
diariamente o meu olhar sobre o mundo e inspirando cada passo da minha expressão
artística.

A cidade me entende porque eu entendo a cidade, por mais que muitos que falem por
ela na realidade não a entendam na sua profundidade, limitando-se apenas à superfície
de suas avenidas e estatísticas. Mas quem sabe um dia ela não é ouvida de verdade
em seus anseios mais genuínos, para além do barulho do trânsito e da pressa cotidiana?
Eu estou falando, ecoando suas dores e suas belezas esquecidas nas esquinas. Mas
pouca gente escuta de verdade o que as calçadas e os becos têm a dizer. Não diria
ninguém, felizmente. Sempre há quem pare para ler e ouvir, prestando atenção nos
detalhes sutis que muitos ignoram em sua caminhada diária.

Ela com certeza estaria imensamente orgulhosa de mim e de cada passo que tenho dado
nessa jornada de descoberta. E tenho certeza absoluta de que ela saberia compreender
perfeitamente a essência da minha visão: não existe no mundo uma cidade sequer que
não repare com atenção em cada centímetro do seu próprio território, seja nos grandes
monumentos ou nos becos mais esquecidos. Porque é justamente nesses cantos mais 
improváveis, onde menos se espera encontrar qualquer sinal de beleza, que a verdadeira
alma se revela e se enxerga a mais pura forma de arte urbana.

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