# 38 anos: envelhecer também é evoluir

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- Published: 2026-10-15T23:55:00-03:00
- Author: Josivandro Avelar

Talvez esse seja o grande paradoxo de completar 38 anos falando sobre a cidade onde
nasci.

Eu envelheci.

João Pessoa também.

Eu já não sou a pessoa que nasceu em 1988. A cidade também já não é aquela que existia
naquele setembro.

E nenhuma das duas deveria ser.

Porque envelhecer não significa simplesmente acumular anos. Significa acumular experiências,
mudanças, perdas, descobertas, contradições e novas possibilidades.

A cidade faz exatamente a mesma coisa.

Ela cresce, se transforma, ganha novos moradores, perde referências, muda seus deslocamentos,
inventa novas formas de trabalhar, consumir, criar e ocupar seus espaços.

E não existe como barrar isso.

Eu não posso lutar contra o avanço da minha própria idade. Posso até fingir que 
os 38 não chegaram, reclamar que o tempo passou rápido ou tentar permanecer mentalmente
em alguma versão anterior de mim.

Mas os 38 chegaram.

E tudo bem.

Porque eu não quero voltar a ter 18 anos. Quero ter 38 sendo tudo aquilo que os 
37 anos anteriores me permitiram construir.

Com a cidade deveria ser igual.

Não quero que João Pessoa volte a ser a cidade de 1988. Quero que ela seja capaz
de carregar 1988 dentro dela e, ainda assim, continuar avançando.

O passado pode explicar a cidade.

Não pode impedir o futuro.

Talvez por isso eu ache tão estranho quando alguém tenta transformar uma determinada
versão de João Pessoa em modelo definitivo. Como se fosse possível dizer: “daqui
para frente, não mexa mais”.

Não existe isso.

O que precisa acontecer, vai acontecer.

A cidade vai mudar.

Novas pessoas vão chegar.

Novos bairros vão se consolidar.

Novos negócios vão surgir.

Novas tecnologias vão alterar a maneira como vivemos.

Novas gerações vão olhar para aquilo que hoje parece indispensável e perguntar por
que fizemos daquele jeito.

E, provavelmente, algumas coisas que hoje considero importantes também serão vistas
de outra maneira.

Isso não é fracasso.

É evolução.

Aos 38 anos, talvez eu esteja finalmente entendendo que amadurecer não é tentar 
conservar tudo aquilo que funcionou um dia.

É saber reconhecer o que precisa permanecer e ter coragem de deixar o restante mudar.

Por isso, quando penso nas quatro cidades que existem dentro de mim — a cidade onde
nasci, a cidade onde cresci, a cidade que quero ver crescer e a cidade que não quero
viver — percebo que elas nunca foram quatro cidades.

Sempre foram uma só.

João Pessoa.

A mesma cidade que me recebeu em 1988.

A mesma cidade que eu vi mudar.

A mesma cidade que me ensinou a olhar para as ruas, para os ônibus, para os bairros,
para as pessoas e para as histórias que existem em cada canto.

A mesma cidade que ainda me incomoda o suficiente para eu querer que ela seja diferente.

E talvez essa seja a melhor forma de comemorar meus 38 anos.

Não tentando parar o tempo.

Nem tentando fazer a cidade parar comigo.

Mas aceitando que nós dois envelhecemos — e que envelhecer pode ser uma forma de
evoluir.

Eu completei 38 anos.

João Pessoa também carrega quase quatro décadas a mais de história desde aquele 
setembro em que eu cheguei.

Seguimos mudando.

Seguimos aprendendo.

Seguimos nos tornando outra coisa.

E que bom.

Porque o que precisa acontecer, vai acontecer.

A cidade vai continuar mudando.

Eu também.

E talvez crescer seja justamente aprender a não ter medo disso.

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